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“Eu não quero estar certo”, esse é o título de um interessante artigo publicado no website da revista The New Yorker. Nele, é apresentado o trabalho de pesquisadores que buscam compreender por que algumas pessoas insistem em acreditar em coisas que, simplesmente, não são verdadeiras.

O mote do texto foi a publicação, no mês de abril, dos resultados de um estudo conduzido durante três anos por pesquisadores da área de ciência política e pediatria, onde se buscou verificar uma simples relação: como campanhas pró-vacinação poderiam modificar a atitude dos pais em relação às vacinas. No caso, foi levado aos pais um conjunto de informações científicas, produzidas por fontes confiáveis, onde se atestava que os benefícios da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) eram superiores aos supostos malefícios, em específico, a relação entre a vacina e o autismo, ou seja, os dados apontam a inexistência de uma correlação entre o uso da vacina e o desenvolvimento da doença.

Os resultados, nas palavras do coordenador da pesquisa Brendam Nyhan, foram “dramáticos”. De acordo com Nyhan, diante de fatos que comprovavam as concepções errôneas sobre a vacinação, foi constatado que o comportamento dos pais pouco se alterava. Sendo que, em muitos casos, as “falsas crenças” eram reforçadas numa espécie de negação dos fatos reais.

Para o pesquisador, que se dedica ao tema das “falsas crenças” desde o ano 2000, quando teve como objeto de estudo as campanhas presidenciais nos Estados Unidos, nem todos os erros são produzidos de forma semelhante. Nesse sentido, nem todas as informações falsas passam a se tornar falsas crenças e nem todas as crenças falsas são difíceis de corrigir. Como exemplo, ele cita a questão da astronomia. Nos dias atuais, por exemplo, caso alguém explique a relação entre o sol e a Terra, tomando por base que esta se encontra parada e que o sol efetua o movimento, ser corrigido pelos estudos de Galileu não é nenhum problema. Porém, à época do cientista, contrariar tal afirmativa era um ato subversivo.

Portanto, para Nyhan, a diferença crucial entre aquela época e agora reside na importância dada à percepção tida como equivocada. Quando não há nenhuma ameaça imediata à nossa compreensão de mundo, estamos mais inclinados a modificar nossas crenças. Porém, quando essa nova percepção contradiz algo que, há algum tempo, consideramos importante, os problemas ocorrem.

Ao longo do texto, são apresentados diversos argumentos que buscam explicar a resistência em se derrubar falsas crenças, porém, ao final, pondera-se que, para modificar uma determinada crença é preciso que o fato que argumenta em favor de uma nova perspectiva venha despido de ideologias. Somente quando a ideologia é colocada de lado, é possível a determinada mensagem provocar uma mudança, pois, dessa forma, ela se dissocia de noções pessoais.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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