As plantas do gênero Echinodorus são popularmente conhecidas como chapéu-de-couro. Crescem na beira de rios, em lagoas temporais, pântanos e planícies inundadas em todo o Brasil. Além de serem matéria prima para o preparo de refrigerantes, espécies da planta são usadas na medicina popular como diurético e anti-inflamatório.

“O gênero Echinodorus é composto por 27 espécies. Porém, apenas a
Echinodorus macrophyllum e a Echinodorus grandiflorus possuem ações biológicas medicinais comprovadas”, explica Rízia Rodrigues, pesquisadora do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). As duas espécies vegetais fazem parte da farmacopeia brasileira.

A farmacopeia brasileira estabelece os requisitos de qualidade e segurança para o consumo de drogas vegetais. Conta com informações sobre segurança e eficácia de plantas medicinais e fitoterápicos. As espécies presentes nesse conjunto reconhecido de plantas são indicadas para o consumo da população.

Devido a dificuldades de identificação, outras plantas pertencentes ao gênero têm sido utilizadas pela população para fins medicinais, com relatos de resultados eficazes. Rodrigues estudou duas espécies de chapéu-de-couro que ainda não tinham suas características conhecidas pela ciência:
Echinodorus floribundus e Echinodorus subalatus.

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Propriedades das espécies de chapéu-de-couro

Para os testes, foram coletadas plantas de 12 cidades da região do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha. As espécies observadas, comuns nos locais, foram analisadas morfologicamente, fenologicamente e quimicamente.

Alguns compostos químicos como alcaloides, óleos essenciais, flavonoides, ácidos fenólicos e derivados do ácido hidroxicinâmico foram isolados nas espécies Echinodorus macrophyllum e a Echinodorus grandiflorus. Para essas espécies, estudos já confirmam atividades biológicas, com propriedade diurética e anti-inflamatória. “Sendo que os flavonoides, os fenóis e os derivados dos ácido hidroxicinâmico são indicados como responsáveis por essas atividades biológicas”, diz Rízia Rodrigues.

Os resultados do estudo mostraram similaridade química e fenológica com as espécies de chapéu-de-couro presentes na farmacopeia brasileira. Mas as plantas estudadas apresentaram menores concentrações de flavonoides e fenóis, em relação às espécies presentes na literatura. “Isso pode implicar na hipótese de que as espécies de Echinodorus floribundus e Echinodorus subalatus possam apresentar uma atividade biológica um pouco diferente das especies da farmacopeia”, explica a pesquisadora.

Com o início do processo de caracterização realizado pelo estudo, será possível avançar no conhecimento científico das plantas. “A utilização de espécies diferentes das citadas pela farmacopeia pode levar ao consumo de plantas com princípios ativos diferentes ou até mesmo a um quadro de intoxicação. Caso o potencial medicinal das espécies Echinodorus floribundus e Echinodorus subalatus seja comprovado, elas podem ser inseridas na farmacopeia e terem o seu uso reconhecido”, afirma Rodrigues.

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