Saúde Unificada: integração entre medicina veterinária e humana

Existe uma interdependência muito grande entre humanos e animais, principalmente no que diz respeito a produtos alimentícios. Para ser ter uma ideia, o Brasil é o maior exportador de bovina do mundo, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).  Portanto, é necessário cuidar da integração entre a saúde animal, humana e ambiental para criar soluções mais sustentáveis de produção e consumo.

Daí surge o conceito de Saúde Unificada (One Health), que está em alta nas discussões entre cientistas da Medicina Veterinária e tem na Universidade Federal de Viçosa (UFV) um polo de pesquisa. O conceito não é novo, pois foi cunhado na década de 1980. Ele diz respeito a uma melhor compreensão dos problemas de saúde atuais criados pelas interações dos domínios humano, animal e ambiental.

A abordagem estimula estudos colaborativos e multidisciplinares, principalmente sobre dois focos que constantemente se relacionam: doenças infecciosas animais e humanas.

Uso racional da medicina veterinária

De acordo com o professor Abelardo Silva Júnior, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da UFV, debater o uso racional da medicina veterinária para alcançar Saúde Unificada é uma grande demanda da área. Ele destaca o tema de uso de antibióticos, muito atual e polêmico.

“Existe a hipótese de resistência bacteriana está vindo do uso indiscriminado de antibióticos na produção de aves, bovinos e suínos. Bactérias que atacam a saúde animal poderiam transferir resistência a bactérias humanas”, explica.

Segundo o coordenador, todas as linhas de pesquisa na UFV estão conectadas pelo conceito de Saúde Unificada: biotecnologia, diagnóstico e controle de doenças dos animais; epidemiologia e controle de qualidade de produtos de origem animal; clínica médica veterinária, diagnóstico por imagem e métodos cirúrgicos e anestésicos aplicados aos animais; morfofisiologia de animais domésticos e selvagens; e reprodução e produção animal.

A universidade tem, desde 2012, um projeto de cooperação no tema One Health com a University of Washington (UW, Seattle, WA, EUA) e com a Washington State University (WSU, Pullman, WA, EUA). Essa iniciativa tem permitido a interação facilitada entre pesquisadores e discentes dessas instituições, possibilitando o estabelecimento de parcerias que visam o desenvolvimento de estudos científicos em diferentes temas relacionados a Saúde Unificada.

Simpósio

Além das pesquisas, o Simpósio Internacional em Medicina Veterinária, que ocorrerá entre 14 e 17 de novembro, vai debater o conceito. De acordo com Abelardo Silva Júnior, estarão em pauta zoonoses, mecanismos de resistências e novas alternativas para controle de infecções bacterianas, uso de antibióticos e vacinas, legislações para produção animal, entre outros temas. Todos eles sob a ótica da integração entre da medicina veterinária e humana.

O evento será no auditório do Espaço cultural Fernando Sabino – campus da UFV. Haverá palestras científicas, mesas redondas, seguidas de debates e discussões entre os participantes, além de apresentação de trabalhos na forma de pôster dos inscritos e apresentação oral dos 6 melhores trabalhos enviados. As inscrições estão abertas pelo site.

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Luana Cruz

Doutoranda e mestre em Estudos de Linguagens pelo Cefet-MG. Jornalista graduada pela PUC Minas. É professora em cursos de graduação e pós-graduação na Newton Paiva, PUC Minas, UniBH e ESP-MG. Escreve para os sites Minas Faz Ciência e gerencia conteúdo nas redes sociais, além de colaborar com a revista Minas Faz Ciência.

Um comentário em “Saúde Unificada: integração entre medicina veterinária e humana

  • 8 de maio de 2019 em 12:18
    Permalink

    Em meados do sec XX sem anestesia no meio rural já se castravam cães, bois, cavalos, porcos, laqueadura em cadelas e porcas e apenas talvez usava-se pontos com linha e um desinfetante de creolina para porcos, e um pó cicatrizante para cavalos.

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