Artista científico: os meandros de uma carreira fascinante

Artista digital, 3D e designer, Patrick Braga atua no mercado de saúde com projetos de comunicação visual científica, médica e entretenimento, para agências de publicidade, indústria farmacêutica, editoras e empresas de educação.







Patrick C Braga

MFC: Fale-nos um pouco sobre a sua trajetória e como se envolveu com  ilustração científica. Sempre trabalhou na área médica?

Fiz Panamericana de Arte ,em 1997, para ser quadrinista ou ilustrador. Mas foi em 1999 que soube da existência das artes médicas e decidi arriscar nesse rumo, porque adorava anatomia e queria aprender a desenhar melhor esse tema. Também por imaginar ser, no futuro, um bom mercado para atuar e empreender.

Comecei a trabalhar dentro de um estúdio no setor de documentação científica do Hospital Sírio Libanês, em 1999, antes de entrar na Faculdade de Belas Artes. Continuei na área, trabalhando para mídias relacionadas à área de saúde. Depois, passei por empresas de tecnologia,  estúdio de animação, e-learning quase sempre lidando com a área de arte médica e científica como portfólio principal.

MFC: Quais os desafios de se trabalhar com ilustrações tão rigorosas do ponto de vista científico?

O interessante é que você começa a ter um desafio interpretativo de entender como visualizar  algo complexo e real num produto, passando por algumas camadas de conhecimento científico como, anatomia, fisiologia, arte, digital antes de chegar ao resultado final. Então, o artista científico tem que entender o que está sendo passado para a imagem final, até para efeito didático.

Apesar de o tema ser complexo, hoje em dia temos mais recursos para ajudar na tarefa da verossimilhança do que antigamente. Por outro lado, esse suporte é estressado e nos leva a enxergar mais profundamente e detalhadamente sobre nossos objetivos finais, o que pode aumentar ou simplificar o desafio em alguns casos.

Imagem www.medipixel.com.br

MFC: É possível perceber, ultimamente, um empenho maior dos cientistas no uso de recursos visuais para popularização de suas pesquisas?

Acredito que sim! Hoje em dia, o apelo tecnológico, mercadológico e científico faz com que o  pesquisador entenda que seus recursos de comunicação têm que ser ampliados. Com isso, suas publicações usam com frequência ilustração, vídeo explicativo e até realidade aumentada. 

MFC: Quais as tecnologias disponíveis quando você começou, o que existe hoje e para onde caminhamos?

Em 2000, já dentro do Hospital Sírio Libanês, comecei ilustrando tradicionalmente, utilizando, carbon dust, grafite, bico de pena e aquarela. Mas, rapidamente, o Photoshop, Painter, Corel Draw, Flash  entraram em cena, praticamente adicionando ou substituindo alguns processos analógicos em processos digitais.

A barreira tecnológica foi um grande desafio na época e também de grande inovação, aumentando possibilidades para esse mercado, porque o portfólio de serviços ficava resumido a imagens estáticas (ilustrações realistas, ilustrações esquemáticas, ilustrações estilizadas) ou gifs animados simplórios em termos de linguagem visual.Em poucos anos ampliamos os serviços utilizando softwares 3D como 3D Max, Carrara, Poser e incluímos animação, VRML e também edição de vídeo.

Hoje em dia, o pacote Adobe Creative é bastante utilizado para gerar conteúdo offline e online mas, principalmente , ilustrações, imagens, finalização e efeitos visuais 2D.

  • Autodesk Maya para animação 3D, simulação, modelagem,render.
  • Brush para modelagem realista e hiper realista 3D, Ilustrações 3D.
  • Daz para criar assets orgânicos com agilidade.
  • Unity para aplicações variadas em 3D.

Vejo o futuro desse segmento com mais integração entre tecnologias relacionadas como CAD/CAM estáticos e dinâmicos, ativos digitais, fotogrametria e, ao mesmo tempo, mais derivações acontecendo exatamente por causa desse movimento de compartilhamento em termos de recursos para produção e em termos de linguagem visual.

As realidades mista e aumentada tendem a se transformar na menina dos olhos dos setores de marketing médico e educação.

A automatização de alguns processos também deve acontecer por aqui e uso intenso de real time para etapas de produção.

MFC: Qual segmento de mercado mais utiliza de seu serviço hoje?

Indústria! Outro segmento frequente é o das editoras, que demandam ilustrações.

Apresentação de antibióticos no segmento saúde animal

MFC: Como se forma um profissional para trabalhar com ilustração científica em 3D? Há cursos no Brasil? No exterior?

O aprendizado de arte científica no Brasil é restrito e precisamos mudar esse panorama. Você encontra profissionais da área que são bons. Artistas e professores lecionando em museus, ateliers ou eventos, mas raramente em escola de arte. Na área de tecnologia, não existe, no Brasil, uma escola específica.

Na América do Norte, existem associações e escolas de BioComunicação, que são bons exemplos do que podemos fazer por aqui.

Tartaruga verde (Caretta Caretta) modelada em 3D.

MFC: Como se encontra o Brasil em relação a outros países, no uso destes recursos de informação e formação?

Celeiro de bons profissionais na área de arte científica, mas vejo que temos que ter mais organização para fortalecer nosso nome o que, ao mesmo tempo, traz muitas oportunidades de crescimento e desenvolvimento por estarmos num território riquíssimo em variedades naturais, científicas e de conhecimento. Vejo, realmente, o Brasil como uma grande oportunidade para todos. Mas, em relação aos EUA e Europa, estamos atrasados. 

MFC: Pode nos dar alguns exemplos dos melhores trabalhos que já realizou?

Primeiro, o vídeo chamado Immunowall para a Indústria Farmacêutica que contava a história de produção de uma molécula usada para potencializar a digestão de aves.

Foi um desafio técnico grande, em que passamos por todas as etapas de produção, desde o logline, roteiro, storyboard, animação, filme, som, edição. O resultado final foi um vídeo explicativo de seis minutos, com muita animação médica inserida.


Campanha: ImmunoWall – Perfeito equilíbrio entre saúde intestinal e desempenho. Direção Geral de Criação: Patrick Braga 

Outros projetos de ilustração, como Clínica Saramenha e Clínica do Vitiligo, resultaram em produções visuais interessantes para os, cliente em termos de visualização e conversão. Ficamos contentes com isso. 

Atualização visual da clínica referência em tratamento vitiligo no Brasil (Storyboard)

MFC: Quais seus planos futuros em termos da carreira escolhida?

Continuar com a mesma proposta original da MedPixel que é ser um estúdio especializado em artes médicas, adicionar serviços de interatividade e nos tornarmos referência na América Latina.

Outro plano mais audacioso é produzir séries e documentários de entretenimento para canais como Discovery, NatGeo, Cultura, BBC, NetFlix e outros, o que pode fazer com que migremos de estúdio para uma produtora de vídeo no futuro.

Saiba mais:

Blog da Med Pixel

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