Em expedição ao Parque Estadual Rio Preto, próximo a Diamantina, Minas Gerais, o pesquisador e curador da coleção de invertebrados do Museu de Ciências Naturais da Pontifica Universidade Católica (PUC Minas), Henrique Paprocki, e a bolsista de iniciação científica Larissa M. Silva descobriram uma espécie de inseto não descrita até o momento no Estado. Trata-se do Plectromacronema solaris, da ordem dos Trichopteras e que serve ao homem como um indicador de qualidade da água onde habita.

Revista Plos One - Henrique Paprocki - Larissa M- Silva - Inseto Plectromacronema solaris - casa e larva

Revista Plos One – Henrique Paprocki – Larissa M- Silva – Inseto Plectromacronema solaris – casa e larva

De acordo com o pesquisador, a ordem a que pertence o inseto é semelhante à das mariposas e borboletas (Lepidópteras), pois compartilham um ancestral em comum. Entretanto, a da espécie descoberta foi para os corpos d`água, enquanto a outra ficou em solo terrestre.

O gênero Plectromacronema, já descrito em 1906, tem insetos que permanecem a maior parte do ciclo de vida dentro do ambiente aquático e emergem quando precisam se reproduzir. No Brasil, segundo a revista científica Plos One, em que foi publicado o artigo da descoberta, existiam apenas duas espécies registradas, com distribuição nas regiões Norte e Sul.

Esses insetos possuem glândulas salivares similares às do bicho da seda, que funcionam para construção de casas de folhas ou de areia depositada no fundo dos poços de cachoeiras. Neste habitat aquático, onde passam cerca de um ano na forma de larvas, se alimentam de resíduos, outros insetos menores e filtram algas, mas quando se tornam alados e emergem, ocorre o atrofiamento das partes bucais e a vida fica focada nas atividades reprodutivas.

Alguns parques e unidades de conservação ecológica ainda possuem a biodiversidade desconhecida, por isso é comum pesquisadores organizarem grupos de expedição para recolherem amostras que comporão coleções biológicas. Zoólogos, biólogos, botânicos, herpetólogos e outros encontram, eventualmente, espécies não descritas na literatura, de acordo com Henrique Paprocki.

“Essas coleções ficam como um testemunho para o futuro do que a gente tinha. Em um cenário de mudanças climáticas que pode causar a extinção ou expansão de algumas espécies, esse é um registro muito importante. Assim, cada parque ou unidade de conservação ganha valor por ter sua biodiversidade descrita, o que também justifica a criação de novos”, diz o pesquisador.

Além disso, encontrar insetos sensíveis ao impacto aquático dá à comunidade científica possibilidades econômicas de estudos. Em ambientes devastados pela ação do homem, não há incidência desses bichos, o que facilita a detecção e definição dos padrões de potabilidade da água.

Para ler o artigo completo publicado na Plos One, clique aqui.