A morte ainda é tabu em muitas sociedades e o falecimento de um ente querido desencadeia uma diversidade de sentimentos. Além da doação de órgãos, uma maneira que tem contribuído para a ressignificação desse momento é a doação de corpos para a ciência.

A falta de corpos para o estudo anatômico pelos estudantes e profissionais da área de saúde é uma realidade em quase todas as Universidades do país.

Muitos recursos tecnológicos são utilizados no intuito de aprimorar o ensino da Anatomia, entretanto, nenhum deles substitui a eficácia e detalhes de informações contidas no material humano.

Para auxiliar esse processo, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) recebe doações de corpos por meio de um projeto de extensão que visa contribuir com o ensino nas áreas da saúde.

Chamado de “Além da Vida“, o projeto é realizado no Departamento de Anatomia Humana do Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM) há cerca de dois anos.

A coordenadora Vanessa Neves de Oliveira reforça o apelo à doação: “cada indivíduo é diferente, existem as variações anatômicas. Somente estudando corpos diferentes é possível observar”, explica.

Mesmo com avanços tecnológicos, modelos anatômicos não correspondem à exata realidade do complexo corpo humano. (Imagem: Pixabay)

Acervo: doações voluntárias

Atualmente, o acervo é mantido, principalmente, por doações voluntárias.

Também são recebidos corpos de pessoas não identificadas por não possuírem documento na hora de sua morte. Entretanto, esses casos têm diminuído em função das possibilidades de identificação por meio de exames de DNA.

É possível também participar do projeto doando partes do corpo, como órgãos, pois eles também são utilizados nas aulas para estudo.

A doação não inviabiliza a família de realizar cerimônias póstumas. É permitido realizar o velório e, após o ato, o corpo deve ser encaminhado para a universidade.

Após a doação, não é possível fazer visitas, já que o corpo é utilizado somente para estudo e as únicas pessoas que têm acesso são estudantes, técnicos e professores.

Banner oficial do projeto / Reprodução Facebook

Como participar?

Para contribuir com a iniciativa é necessário ter mais de 18 anos.

Se você ficou interessado, entre em contato com o Departamento de Anatomia Humana da UFU e agende uma entrevista para esclarecimento de dúvidas.

Os documentos necessários estão disponíveis no site do projeto. Após o cadastramento, é confeccionada uma carteirinha do doador e recomenda-se que ela seja guardada junto aos documentos pessoais.

Além disso, é preciso comunicar familiares sobre o interesse em doar o corpo, já que são eles quem tomam as decisões após o falecimento e avisam a universidade sobre o óbito.

A doação é legalizada?

Sim, de acordo com o Artigo 14 da Lei 010.406-2002 do Código Civil brasileiro: “é válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte para depois da morte. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo”.

Por quanto tempo o corpo permanece disponível para estudo?

É difícil prever. A manutenção da qualidade das peças e preservação das estruturas depende da forma de conservação e do cuidado em manuseá-las.

O que será feito com o corpo depois de utilizado?

Após ter contribuído de forma magnífica ao desenvolvimento profissional dos alunos, este corpo ou parte dele será sepultado.

Algum tipo de doença ou idade impede de ser doador?

Não. O único fato que inviabiliza o recebimento do corpo é o motivo do falecimento.

Corpos que tiveram mortes traumáticas (acidente, homicídio ou suicídio) ficam sob poder do Estado e não podem ser doados.

Conheça a página do projeto no Facebook.

Mais informações:

Departamento de Anatomia Humana – Avenida Pará, n. 1720, Bloco 2A, Campus Umuarama da UFU.