Na Universidade Federal de Viçosa, pesquisadores do Departamento de Economia conduziram um estudo sobre os custos do comércio internacional brasileiro. Foram selecionados 178 países, em um recorte temporal entre 1995 e 2013, com dados já atualizados ate 2015. Foi analisada a diferença de preço entre os produtos exportados pelo Brasil e seus parceiros comerciais.

O professor Orlando Monteiro da Silva, do Departamento de Economia da UFV, fala no Ondas da Ciência sobre a pesquisa. Ele explica a relação entre competitividade em mercados internacionais, custos tarifários e custos sanitários e técnicos.

Os custos tarifários e não tarifários no comércio internacional

O estudo da UFV procurou calcular o tamanho da barreira não tarifaria sobre o preço dos produtos, entender do que ela é constituída e ver como evoluiu. A pesquisa mostrou que, ao longo dos anos, os custos tarifários foram sendo reduzidos. No lugar deles, surgiram as medidas não tarifárias, como as fitossanitárias sobre produtos agrícolas.

“Isso pode se traduzir em uma imperfeição para os exportadores, com aumento do custo de produção. Além disso, restrições técnicas implicam em elevação dos custos”, afirma Orlando Monteiro da Silva. Questões técnicas como rotulagem, embalagem e adequações às características culturais dos países são fatores significativos para o aumento dos custos do comércio internacional hoje.

Custos estruturais

Os 178 países estudados foram divididos em países ricos, de renda média e de baixa renda. “Nós vimos que o comércio do Brasil com os países de renda alta tem um custo menor. Isso ocorre muito em função da infraestrutura e da tecnologia existente nos países de renda alta. Eles facilitam o comércio, não necessariamente o Brasil”, explica Orlando Monteiro da Silva.

A estrutura afeta também a relação comercial com países próximos e que fazem fronteira com o Brasil. “Espera-se que o custo de comércio com esses países seja mais baixo, porque a distancia entre eles é menor. Mas isso nem sempre é verdadeiro”, conta o professor. A pesquisa mostrou que pode ser mais caro comercializar com países da Comunidade Andina (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru), por exemplo, do que com países da Europa ou da América do Norte. “Apesar de estarem próximos do Brasil, são países que não tem boas estradas, não tem portos, então acaba sendo mais caro comercializar com eles”, completa o Orlando Monteiro.