Muito já se publicou sobre a Segunda Guerra Mundial. Aos interessados em conhecer melhor o conflito, basta disposição para que, em meio a vasto rol de obras, seja possível peneirar o que lhes for do agrado ou da necessidade. De análises bélicas a ensaios sociopolíticos, de crônicas pessoais a descrições para lá de naturalistas, muitas são as opções nas estantes.

Sob outra ótica, caso o leitor se revele ansioso por “ir direto ao ponto”, o livro Inferno, de Max Hastings – um dos mais importantes historiadores militares do mundo –, pode ser definido como “a opção perfeita”. Trata-se, afinal, de precioso relato sobre o combate, posto que simultaneamente técnico e humanístico, escrito em volume único.

Além de situar os complexos panoramas estratégicos, sociais, econômicos e geopolíticos que levaram à eclosão e ao desenvolvimento da batalha entre Aliados e países do Eixo, Hastings consegue a proeza de transportar o leitor ao local dos acontecimentos por meio de sensações. Isso só é possível em função do fantástico trabalho de pesquisa do autor, que, página a página, revela-nos o depoimento de centenas de testemunhas do terror.

Tais relatos foram escritos, em situações e ambientes os mais diversos, por mães, pais e filhos, soldados, médicos, pilotos, generais, jornalistas e outros tantos seres subjugados pela (incompreensível) fúria dos “senhores da guerra”. Para muito além da situação dos fronts, a cada palavra desencavada pelo autor, o leitor perceberá, sob os vestígios do medo, a mais resistente e pura expressão de vida.

Leia um trecho:

“Fascina-me a complexa interação de lealdades e de simpatias mundo afora. Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, a certeza de que os pais e avós combateram ‘a boa guerra’ está tão entranhada que muitas vezes esquecemos que povos de muitos países adotaram atitudes mais ambíguas: súditos coloniais e principalmente os quatrocentos milhões de habitantes da Índia viam pouco mérito na derrota do Eixo se continuassem a sofrer o domínio britânico. Muitos franceses lutaram vigorosamente contra os Aliados. Grandes números de súditos de Stalin aproveitaram a oportunidade oferecida pela ocupação alemã para enfrentar o odiado regime de Moscou. Nada disso abala a certeza de que a causa aliada merecia triunfar, mas tais fatos enfatizam que Churchill e Roosevelt nem sempre eram a voz da razão”.

Ficha técnica:

Livro: Inferno: o mundo em guerra (1939-1945)

Autor: Max Hastings

Tradução: Berilo Vargas

Editora: Intrínseca

Título original: All hell let loose

Páginas: 766

Ano: 2012