Salvar as barreiras de corais…

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… pode ser possível a partir do estudo genético das algas que vivem neles

Os recifes de corais são formados pelo acúmulo dos esqueletos de calcário de corais e algas. É como se os blocos construídos nos recifes fossem os esqueletos de diversas gerações de algas, corais e outros organismos compostos por carbonato de cálcio. Além de serem muito bonitos, os recifes de corais constituem importantes ecossistemas nos quais vivem várias espécies de algas, tartarugas, peixes e invertebrados. Em alguns lugares já foram registradas a presença de golfinhos, botos e até baleias vivendo nesses ambientes. Dessa forma, a preservação dos corais é de grande importância para a preservação da vida marinha como um todo.

PCoralorém, estudos mostram que a Grande Barreira de Corais da Austrália (a maior do mundo) tem apresentado sinais de branqueamento em 93% da sua área em decorrência do aumento da temperatura das águas de 27ºC para 32ºC, de acordo com o Australia’s National Coral Bleaching Taskforce. Quando os corais começam a ficar esbranquiçados significa que eles estão doentes e podem vir a morrer em breve.

Esses pesquisadores resolveram olhar para o “copo meio cheio” e pensaram: esses dados significam também que 7% da área está em perfeitas condições de saúde. Por quê?

Os corais e a temperatura da água

Os corais são formados por diversos seres vivos chamados pólipos. Quando a temperatura da água sobe, eles expulsam suas inquilinas – as algas com que vivem em relação simbiótica – e, consequentemente, sua principal fonte de alimento.

Eles fazem isso porque quando a temperatura da água se eleva, além de produzir alimento, essas algas passam a produzir toxinas químicas semelhantes ao peróxido de hidrogênio. Essa toxina causa danos tanto nos corais, quanto nas algas, porque reduz a sua capacidade de fotossíntese e atrapalha a fisiologia dos corais. Assim, como se fossem proprietários de cabeça quente, acabam expulsando as algas e sua fonte de alimento. Sem as algas, os corais ficam mais suscetíveis a doenças e, famintos, começam a embranquecer.

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Do lado esquerdo, corais com algas e saudáveis. Do lado direito, corais com poucas algas e em processo de branqueamento

A pesquisa

Os cientistas australianos olharam para esses dados e pensaram: por que esses 7% de área não estão embranquecendo também? O que eles descobriram foi que as algas dessas regiões parecem ser mais resistentes às temperaturas elevadas em decorrência da presença de alguns genes específicos. Dessa forma, ainda que a temperatura tenha se elevado, elas produzem menos toxinas prejudiciais aos corais.

A pesquisa foi publicada na Revista Molecular Biology and Evolution e pode representar uma esperança para a preservação dos corais. Os cientitas podem ser capazes de determinar quais partes dos recifes são de alto risco para o branqueamento do coral e quais partes podem ser capazes de escapar das consequências mortais da mudança climática.

 

com Science AAAS
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