Cientistas testam medicamento de Alzheimer para tratar Chikungunya

Os estudos de uso do cloridrato de memantina (mtnH) contra o vírus CHIKV estão em progresso, mas os resultados já obtidos nos testes in vitro

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da Chikungunya . Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID)/Divulgação/ Flickr

Ainda não há vacina ou tratamento eficaz para combater o vírus CHIKV, que provoca a febre Chikungunya, doença endêmica em países tropicais e sub-tropicais, muito conhecida pelos brasileiros. Cientistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de Araraquara (Uniara) estão pesquisando a possibilidade de tratar Chikungunya como um medicamente usado contra Alzheimer.

Os estudos de uso do cloridrato de memantina (mtnH) contra o vírus CHIKV estão em progresso, mas os resultados já obtidos nos testes in vitro ― primeiro passo capaz de apontar a eventual atividade de um composto ― animaram os cientistas. Esses resultados parciais foram recentemente publicados no artigo: “Cloridrato de memantina: um medicamento a ser reaproveitado contra o vírus Chikungunya?”, na revista Pharmacological Reports.

A Chikungunya é transmitida pelos mosquitos do gênero Aedes, que em cidades é principalmente pelo Aedes aegypti e em ambientes rurais ou selvagens pode ser por Aedes albopictus. A doença apresenta, na fase aguda, sintomas similares aos da dengue, como febre e dores no corpo. Além disso, pode progredir a condições crônicas com possibilidade de durar de meses a anos. Já a doença de Alzheimer causa a degeneração do sistema nervoso do paciente, acarretando a perda da memória e da função mental. Ou seja, olhando de longe, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Semelhanças

A semelhança, no entanto, é explicada por Fernando Bergamini, professor do Instituto de Química da UFU e integrante do grupo que desenvolve a pesquisa. Segundo ele, em termos sintomáticos, não há relação entre doença de Alzheimer e Chikungunya. Entretanto, ambas as enfermidades dependem de um canal de prótons chamado de M2.

“Para o caso do vírus, esse canal está relacionado com o desnudamento, isto é, com liberação do material genético do vírus na célula, para que haja a replicação, multiplicação do vírus. Quando se inibe este canal de prótons (M2), se inibe a replicação viral. Para o Alzheimer, a regulação dos canais iônicos como M2 também são essenciais para o controle da progressão da doença”, resume o pesquisador.

Bergamini lembra que o principio ativo do medicamento pesquisado foi, inicialmente, desenvolvido para aplicação como antivirais.  Por conseguir a inibição do canal de prótons M2, foi reposicionado para o tratamento da doença de Alzheimer. Agora, os cientistas exploram o caminho contrário, avaliando o fármaco desenvolvido para Alzheimer possibilidade de uso frente ao CHIKV.

Cientistas pesquisam o uso de cloridrato de memantina (mtnH), especialmente, em doenças degenerativas e infecções virais. Em pesquisas recentes, inclusive, verificaram que a substância conseguiu inibir SARS-CoV-2, o novo coronavírus, em algumas concentrações.

Os estudos in vitro mostraram que o hidrocloreto de memantina, cuja estrutura é similar a fármacos utilizados contra cepas de influenza A, inibe o vírus causador da Chikungunya. Com esse resultado promissor, os pesquisadores pretendem realizar os ensaios in vivo [em modelos animais]. Caso os resultados nos modelos in vivo também sejam promissores, poderão estimular interações com empresas farmacêuticas para a realização dos testes clínicos.

(Com informações do Portal Comunica UFU)

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