Esta é uma formiga do gênero Atta, que tem semelhanças com o novo gênero descoberto. Foto: Sarefo/Wikimedia

Cientistas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em parceria com uma pesquisadora do Museu Queensland, na Austrália, descreveram, novo gênero de formiga-cortadeira encontradas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Região Sul do Brasil. O inseto foi batizado de Amoimyrmex, união dos termos “Amoi”, que significa “parente distante” ou “avô” em Guarani, com a palavra “myrmex”, do Grego “formiga”. A descoberta faz parte dos resultados de pesquisas desenvolvidas pelos professores do Departamento de Biologia (Debio) Maykon Passos Cristiano e Danon Clemes Cardoso nos últimos 12 anos.

As Amoimyrmex pertencem à ordem Hymenoptera, que são insetos de complexa organização social, como abelhas e vespas. As formigas são abundantes e consideradas pelos cientistas um dos grupos mais significativos da fauna tropical. Curiosamente, elas compõem aproximadamente 20% da biomassa animal terrestre do planeta, o que supera o peso de toda a humanidade.

Impacto econômico das formigas-cortadeiras

Muitos estudos dedicados às formigas-cortadeiras dizem respeito ao impacto econômico que elas exercem sobre as atividades agrícolas, pois consomem usam as folhas que conseguem cortar para se sustentar. De acordo com os pesquisadores, as folhas recolhidas, por vezes em lavouras, servem como substrato para o cultivo de um fungo reproduzido no interior das colônias. É dele que as formigas se alimentam. Quando cortam as plantações, os insetos acabam por prejudicar o crescimento de novos brotos, impedindo o desenvolvimento correto.

Até 2020, as formigas-cortadeiras foram incluídas em dois gêneros: Atta, conhecido popularmente no Brasil como “saúva”, e Acromyrmex, as chamadas “quenquéns”. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das principais diferenças entre os grupos está na construção do ninho: enquanto as primeiras cavam inúmeras câmaras profundas sob a terra, as outras se contentam com ninhos superficiais de um único núcleo. 

Contudo, a pesquisa dos cientistas da UFOP e Museu Queensland permitiu a descrição apurada de um terceiro grupo. As evidências são baseadas em características morfológicas, avaliação de cromossomos, dados moleculares e biológicos de formigas-cortadeiras coletadas no Brasil, Argentina, Uruguai e Bolívia.

Características

Os cientistas provavam que Amoimymex é um gênero divergente na história evolutiva das formigas-cortadeiras. Os resultados deste estudo podem contribuir substancialmente para o conhecimento taxonômico das formigas, além de reafirmar a complexidade do grupo.

Gênero Características
Attadois espinhos no dorso do tórax e pelo abdômen liso;
11 pares de cromossomos
Acromyrmex três espinhos no dorso do tórax e tubérculos no abdômen;
19 pares de cromossomos
Amoimymex11 pares de cromossomos e abdômen liso;
três espinhos no dorso do tórax

O trabalho de descrição do novo gênero está no artigo Amoimyrmex Cristiano, Cardoso & Sandoval, gen. nov. (Hymenoptera: Formicidae): a new genus of leaf‐cutting ants revealed by multilocus molecular phylogenetic and morphological analyses publicado, em dezembro, na revista científica Austral Entomology.

Com informações da assessoria de imprensa da UFOP

Luana Cruz

Mãe de gêmeos, doutoranda e mestre em Estudos de Linguagens pelo Cefet-MG. Jornalista graduada pela PUC Minas. É professora em cursos de graduação e pós-graduação.

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