Professores da UFMG acompanham avanço da epidemia do Coronavírus e divulgam relatórios

Com base nos dados informados pela Secretaria de Saúde, os professores fazem projeção da evolução da epidemia

Representação

Professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão auxiliando o Governo do Estado e a Prefeitura de Belo Horizonte a acompanhar o avanço da epidemia do Coronavírus e no desenvolvimento de projeções da pandemia a partir dos dados coletados nas fontes oficiais do Governo. São aproximadamente 15 professores, alguns deles com ajuda de alunos da universidade, das mais diversas áreas, como Matemática, Física, Computação, Estatística, Engenharia, Demografia e Medicina.

A primeira etapa foi identificar a interação entre os grupos populacionais e ajustar os parâmetros a serem analisados. A partir daí foi identificada a técnica de análise de dados mais apropriada para a situação. Assim, seria possível “explicar o passado da epidemia, a crescente no número de casos e a elaboração de projeções. A partir deste histórico é possível analisar a expansão dos casos no dia a dia e ter a condição de prever o pico da epidemia e determinado dia e, também, o número de hospitalizações em um determinado momento no pico da epidemia”,  afirma Ricardo Takahashi, professor do Departamento de Matemática da UFMG e responsável por encaminhar os relatórios às secretarias.

Até o momento foram produzidos e encaminhados dois relatórios para as secretarias Estadual e Municipal de Saúde. O primeiro relatório, entregue em março, foi desenvolvido durante as discussões sobre a necessidade de implantar ou não medidas de combate ao coronavírus e quais ações deveriam ser tomadas de imediato. Sendo assim, o relatório inicial continha cenários em que nenhuma medida seria tomada versus um cenário que, hipoteticamente, as medidas tomadas seriam suficientes para abaixar as taxas de transmissão do vírus. Dessa forma, foi possível avaliar qual seria a evolução do número de casos de infectados e de internações hospitalares.

Segunda etapa

Já no segundo relatório, enviado no início de abril, havia uma avaliação de dados obtidos entre os dias 20 e 30 de março. Entretanto, neste relatório não foi possível precisar se as ações realizadas pelos governos surtiram efeito, um vez que, as medidas iniciaram no dia 23 de março e há um intervalo de até 15 dias para que o indivíduo comece a expor os sintomas.  Ademais há um tempo para que seja feita uma avaliação do indivíduo, coleta e resultado dos exames e a disponibilização destes dados no banco de dados, conforme explica Takahashi.

No próximo relatório a ser produzido, Takahashi aponta um desafio na análise dos dados, já que faltam elementos para mostrar a evolução da epidemia e a necessidade de formulação de estratégias mais efetivas. Uma dessas estratégias é a regularização do número de testes que estão sendo feitos e que sejam realizados visando um monitoramento com uma metodologia para o acompanhamento da evolução da epidemia e não só o monitoramento dos casos graves, como tem sido feito.

Metodologia usada

Para desenvolvimento dos relatórios e as projeções, foi utilizado o modelo compartimental, baseado em equações diferenciais. Este modelo procura representar a população de uma comunidade dividida em grupos de pessoas com propriedades diferentes; Por exemplo, quando não há nenhuma pessoa infectada, todos pertencem a um grupo, chamado susceptíveis. No entanto,  quando uma pessoa infectada é identificada e transmite para outras, inicia o processo do aumento de infectados. Já o modelo aplicado para a Covid previa um outro grupo, que é o de incubação e os grupos de infectado sintomáticos, não sintomáticos, cura e óbito, conforme explica o professor.

Os gráficos criados vão variando em cada grupo, de acordo com os parâmetros que fazem parte da descrição da epidemia. Um dos parâmetro utilizados é o número de dias médio que a pessoa fica incubando o vírus antes de apresentar a doença e outro parâmetro é a quantidade de dias que a pessoa apresenta os sintomas. De acordo com Takahashi, os parâmetros para as análises foram escolhidos a partir da literatura internacional, coletados em artigos internacionais e a partir da comparação com modelos utilizados em outros países, adaptados para a realidade brasileira.

Os relatórios produzidos estão disponíveis no site da UFMG.

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