Cheiro de estrelas no ar…

O espaço tem cheiro? Essa é a notícia que alguns astronautas trouxeram, recentemente, lá de cima. E a descrição da experiência pode ser ainda mais curiosa…

 

Quando falamos em espaço sideral, qual a primeira coisa lhe vem à mente? Provavelmente, estrelas, planetas e seus satélites dançando em círculos no vazio com milhares de pedregulhos viajando perigosamente entre eles, compondo um verdadeiro festival de brilhos e cores; buracos negros famintos, camuflados no breu e engolindo tudo ao seu redor ou quem sabe transportando coisas daqui pra lá; galáxias imensas, onde milhares de estrelas vivem em comunidade: algumas anciãs e se aposentando, disputando território com outras jovens, hiperativas e radiantes; e talvez até mesmo homenzinhos verdes ou qualquer outra forma de vida inteligente transitando por aí em naves de alta tecnologia, nos espreitando, tal como em tramas do cinema.

A complexidade e imensidão do universo dá margem a muita expectativa. Mas, em algum momento, já pensou que o espaço, ruidoso como em um cinema mudo, onde o som não se propaga, poderia trazer em contraste um odor extremamente marcante? Ele pode. Essa é a novidade comentada por astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional que, demonstrando surpresa, deram uma descrição confusa do que andaram cheirando por lá. E como era de se esperar, os relatos mais parecem coisas do imaginário de cineastas de Hollywood.

Misture uma boa porção de metal fundido com carne tostada, pólvora recém-utilizada, fumos de solda queimados, óleo de motor, finalize com uma pitada de ácido sulfúrico e terá algo parecido. Pelo menos foram esses os odores aos quais os cosmonautas relacionaram suas sensações olfativas, uma mistura que mais lembra uma área de testes industriais. “Quando eu me encontrava na EEI (Estação Espacial Internacional), sentia um aroma de bife bem passado, um cheiro semelhante a metal quente e a aerossóis de soldadura”, disse Tony Antonelli, um dos tripulantes da estação, em entrevista ao jornal britânico DailyMail.

Para completar a receita, o toque final – e mais curioso – foi dado pelo russo Alexander Skvortsov: “o cheiro se assemelha àquele exalado quando uma criança bate uma pedra contra a outra para produzir faísca”.  A julgar pelos ingredientes, é difícil imaginar alguma fragrância interplanetária tomando o lugar de colônias francesas nas prateleiras de perfumarias pelo mundo afora. Um tanto exótico até mesmo para os mais alternativos.

Mas eis a grande questão: como os astronautas descobriram este fato, se não é possível respirar no vácuo? E a reposta demonstra, inclusive, a intensidade do fenômeno.  Eles contam que quando regressam de um passeio espacial, os compostos odoríferos são carregados para o interior das naves, impregnados na superfície de equipamentos, veículos e trajes.  Skvortsov relatou que, ao retornar para a EEI após uma missão exterior, o companheiro americano Jeff Williams disse: “Aí está, esse é o cheiro do espaço!”

Aqui na Terra, a descoberta dividiu a opinião de estudiosos. Alguns acreditam que nosso sistema solar tem um cheiro especialmente acre porque é muito rico em carbono e bastante pobre em oxigênio. Defensores desta teoria supõem que nas zonas escuras do universo os cheiros possam ser mais interessantes: as nuvens moleculares, cheias de pequenas partículas de pó, poderiam conter múltiplos odores, desde aromas adocicados como o de um favo de mel até o repugnante cheiro de ovo podre proveniente da abundância de enxofre.

Outra vertente de estudos sugere que este cheiro seja provocado por moléculas de alta vibração energética presentes em todo o universo, denominadas hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. Trata-se de subprodutos da combustão gerada pela “morte” de estrelas, que explodem e os arremessam para todas as direções e em grandes quantidades.

Tudo ainda é hipótese a respeito do assunto, que poderá ser objeto de estudos nos próximos anos: a NASA anunciou que pretende incorporá-lo ao seu programa de treinamento para astronautas, a fim de familiarizá-los com o ambiente extraterrestre. O químico de aromas Steve Pearce, contratado para desenvolver o projeto, declarou: “adoraria ir até ao Espaço para cheirá-lo”.  E você? Também sentiu vontade de conhecer o intrigante “aroma”?

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