A Astronomia e os estudos que envolvem céu, planetas e astros são fascinantes! Imagine aprender características do sol, movimentos da terra e curiosidades sobre a lua com a ajuda da realidade virtual? “Navegar” nas imagens, interagir com os corpos celestes e ainda ficar fera nas aulas de ciências…

Uma estudante do Ensino Médio e Técnico do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) criou um aplicativo para auxiliar no aprendizado do sistema solar de forma interativa por meio de realidade virtual e realidade aumentada. O app ainda é um protótipo em fase de testes, mas já surge como uma das únicas opções em língua portuguesa para estudar Astronomia.

Isabela Santos Silveira com o troféu da META. Foto: Arquivo das pesquisadoras

Isabela Santos Silveira é aluna do 3º ano do curso de Eletrotécnica, do campus  Curvelo. Ela participa dos encontros do Grupo de Estudo e Divulgação  da Astronomia Intercampi (Gedai) do CEFET-MG e adora o tema, por isso se envolveu na criação do aplicativo.

A professora, Marielle Lage, orientadora do projeto, conta que o desenvolvimento surgiu a partir de um desafio:

“Em Curvelo, o Gedai faz encontros, palestras e oficinas para observações. O grupo começou a fazer um trabalho no sexto ano de escolas da cidade, levando conteúdo de Astronomia para estudar sistema solar, rotação e translação da terra, além das fases da lua. Pensamos em algo mais lúdico para levar nessas palestras. Usávamos vídeos e animações, mas não era suficiente. Queríamos algo para despertar mais interesse”.

A professora procurou algum aplicativo de realidade virtual que pudesse ser usado, porém não encontrou nada muito legal. “Não poderia garantir a fidelidade das informações e do conteúdo”, afirma Marielle Lage. Assim, propôs aos estudantes do CEFET a criação de um app próprio, em língua portuguesa, e que pudesse ajudar na missão de levar Astronomia às crianças do ensino fundamental.

Jornada imersiva

O aplicativo traz, no formato de vídeo, o sistema Sol-Terra-Lua com a  narração dos conceitos fundamentais sobre cada astro.

Orientadora e aluna com o troféu da META. Foto: Arquivo das pesquisadoras

No caso da realidade virtual, o vídeo  é transmitido pelos óculos, que podem ser dos modelos usados para  jogos ou até mesmo feitos de papelão e lentes, possibilitando ao  usuário entrar na jornada imersivamente. Mesmo para quem não tem os óculos, é possível assistir ao vídeo. Claro, que não será a mesma sensação de “navegar” na narrativa.

O aplicativo foi apresentado à comunidade acadêmica durante a 28ª Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META) no CEFET, na qual foi escolhido como primeiro lugar geral. No caso da realidade aumentada, as pessoas poderiam interagir com um objeto do mundo real – uma logomarca do grupo Gedai – que serviu como “chave” de entrada para o vídeo do sistema Sol-Terra-Lua. Bastava aproximar o celular da logomarca, usando o aplicativo, e ter acesso às imagens.

A aluna Isabela Santos encarou o desafio e mergulhou no projeto para aprender programação, disciplina que não é ensina no curso técnico dela. A orientadora montou os textos da narração e pediu a outro colega do CEFET para gravar os áudios, enquanto a aluna cuidava de todo desenvolvimento. Por isso, Marielle Lage destaca o mérito da estudante na execução do projeto.

Por enquanto, o aplicativo  está disponível apenas para o sistema operacional Android, mas deve ser expandido para Windows e iOS. Alguns problemas foram detectados para ajustes e, futuramente, outros conhecimentos sobre sistema solar serão inseridos.

“O protótipo ainda não foi aplicado, mas queremos deixá-lo o mais  perfeito possível. Assim que o aplicativo estiver pronto, iremos  levá-lo às escolas, pelo menos por meio do vídeo, já que a difusão com  o uso dos óculos é um pouco mais complicada. O queremos é trazer conceitos tradicionais de forma tecnológica e lúdica. O objetivo é que alunos se interessem por Astronomia e fiquem motivados a pesquisar ou, até mesmo, seguir carreira na área”, conclui Marielle Lage.