O caminho da água

De onde a água vem, como chega até as nossas casas e para onde vai? Conheça o caminho da água que bebemos todos os dias!

Vamos contar a história de uma das coisas mais importantes para a vida no nosso planeta. Sem ela a gente nem existiria. Conheça o caminho da água: de onde ela vem, como ela chega até as nossas casas e para onde ela vai!

Escute aqui!

Era uma vez…

Um chuveiro. E também uma torneira, um filtro e uma mangueira. Por ali, saía toda a água que Rafa precisava! E era infinita! Pelo menos a menina pensava assim. Até que acordou um dia e correu para o banheiro para lavar o rosto. Mas ela ficou surpresa! Porque nenhuma água saiu da torneira. Ixi. Devia estar estragada. Correu para outra pia da casa. Nada, nem uma gota.

A irmã logo explicou: “a água acabou”. Aquela informação deixou Rafa muito confusa! Como assim? A água podia ter um fim? A mãe da Rafa contou que não é que tinha acabado. Mas estavam mexendo nas tubulações ali perto. Então tiveram que cortar a água que chegava no bairro por um tempo. Ufa. Ela ia voltar.

E voltou! Rafa ligou o chuveiro e, enquanto lavava pé, cabeça e todo o resto, pensou: como assim cortar a água? De onde ela vem e por que alguém consegue cortá-la? E será que um dia não ia ter mais água?

A história recomeça com a chuva

Era uma vez uma nuvem bem cinzenta no céu. Era um dia quente e a nuvem logo se desfez, em chuva. Toda aquela água caindo lá de cima, molhou a grama, algumas casas, animais que corriam para se proteger e uma mata por perto. Parte da água foi embora, chão abaixo. Entrou no solo e correu fundo embaixo da terra. E outra parte foi absorvida pelas plantas. Água que dá vida a elas: transporta nutrientes e tudo mais. E, uma hora, volta para o ar, para a atmosfera, quando a vegetação transpira! É como se fosse um suor.

As plantas liberaram então um tanto de água de volta, mas como gás. E esse vapor subiu, foi lá para o alto e, mais uma vez, virou nuvem. Não demorou muito e caiu novamente, como chuva. Agora, também em alguns morros e em um pequeno riacho que passava por ali. Seguiu, junto de cada vez mais água, rio abaixo. Viu matas, desceu cachoeira, passou por peixes, animais e por casas. A água começou a ficar mais sujinha. Carregava algumas pedrinhas, terra, folhas e organismos bem pequenininhos. Viu algumas fábricas e ficou ainda mais suja. Continuou descendo e, de repente, entrou em um tubo!

Água de beber

Era um tubo grande, viajou um tempão dentro dele! Começou a se perguntar se aquilo ia ter fim… E teve! A água chegou a um lugar enorme! Caiu em um grande tanque. Era uma ETA. Uma Estação de Tratamento de Água. Passou por várias grades e se despediu de folhas, galhos e outras coisas maiores. Depois colocaram alguns produtos químicos que fizeram um tanto da sujeira que estava nela se juntar e ir lá para o fundo. Essa sujeira ficou então para trás, e a água continuou caminhando. Ou melhor, escorrendo!

E teve que escorrer entre pedrinhas, areia e carvão! Foi deixando mais e mais sujeira para trás, presa nesse filtro. Agora já estava bem mais limpa. Mas parece que não o suficiente! Porque de repente veio mais uma substância química: o cloro. E aqueles organismos bem pequeninos, como as bactérias, começaram a morrer.

É porque esses micro-organismos podem deixar os humanos doentes, então, nessa hora, a água é desinfetada! Ah! E tem mais uma coisa. Depois de tudo isso, a água também recebe flúor. E depois carrega esse flúor até a sua torneira. Sabe para que? Para que quando você escove os dentes ou beba água, esse flúor deixe seus dentes mais limpos e livre de cáries, que nem quando você vai ao dentista. Legal, né?

Jornada pela cidade

Depois disso tudo, lá veio outro tubo! A água viajou e viajou dentro dele. Começou a carregar umas bactérias novas. Ixi. De repente, caiu em outro tanque grandão. Era uma das caixas d’água da cidade. Lá, ganhou mais cloro. E os micro-organismos começaram a ir embora mais uma vez. Esperou, esperou. Esperou mais um pouco. E, de repente, mais um tubo! Viajou agora até uma outra caixa d’água. Dessa vez, em cima de um prédio. E era o prédio onde morava a Rafa!

A menina abriu o chuveiro, as primeiras gotas começaram a cair. E a água desceu, tubulação abaixo, da caixa d’água, por entre os pequenos furinhos e em cima da cabeça da Rafa! Levou sujeira, sabão e xampu pelo ralo.

Ao mesmo tempo, Seu Teodoro, o vizinho da Rafa encheu um balde para limpar a casa com nossa protagonista. Misturou um pouco de desinfetante e deixou o chão brilhando! A nossa amiga água passou também por um pequeno filtro e encheu o copo da Ju, a irmã da Rafa. Que a bebeu em algumas goladas! Que sede!

Engraçado, né? A água passou por tanta coisa até chegar ali, no prédio da Rafa. Tão limpa que serve para beber. E ao mesmo tempo, foi para o chão do Seu Teodoro. Não fazia muito sentido. Será que as pessoas ali não podiam usar uma água menos limpa para isso? Como a que vem da chuva!

A longa viagem da água

Mas a água passou pelo chuveiro da Rafa e continuou. Depois do encontro com a menina, o caminho da água não havia terminado. Não mesmo! Ela tinha uma longa jornada pela frente. Seguiu por mais e mais tubos, pela rede de esgoto! E foi longe, para uma estação de tratamento. Encontrou novos produtos químicos, mais filtros e telas, e passou por tudo aquilo, cada vez mais limpa, até voltar para um córrego!

E continuou pelo rio, vendo cidades, matas e animais. Até entrar, mais uma vez, por tubos, ser novamente limpa e visitar mais e mais casas. Aprendeu que isso era normal. Acabava sendo captada outra e outra vez, mais à frente, no curso do rio. Até que encontrou o mar. E a água, que era doce, se misturou a todo aquele sal e virou oceano. Mas o ciclo continua. Um dia, ela evaporou, virou nuvem e choveu em novas matas e rios por aí.

Água que tem fim

Enquanto isso, Rafa descobriu que a água não era infinita. Que o nosso planeta tem muito mais água que terra, mas que só um pedacinho dela serve para a gente beber, escovar os dentes e tomar banho. As cidades grandes cada vez mais precisam de fontes de água, que começaram a ficar mais raras. Antes de chegar na nossa casa, a água passa por muitas aventuras, até ficar limpinha. E a gente precisa lembrar disso toda vez que esquece uma torneira aberta ou toma um banho mais longo.

Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas é um podcast do projeto Minas Faz Ciência, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Roteiro de Luiza Lages, com consultoria científica da professora Silvia Maria Alves Corrêa Oliveira, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG.

Para saber mais sobre o tratamento de água, acesse nosso conteúdo de apoio a pais e professores, no portal Minas Faz Ciência.

Sobre o(a) autor(a)

Luiza Lages

Luiza Lages

Jornalista, radialista e mestre em Comunicação Social pela UFMG. Repórter da Minas Faz Ciência e editora dos podcasts Ondas da Ciência e Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas.
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