Caneta 3D para ajudar a saúde e o meio ambiente

Pesquisadores da UFU constroem, a partir de caneta 3D, sensores eletroquímicos que ajudam a identificar pesticidas e inseticidas na água
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Os orientadores Edmar de Melo, à esquerda, e Rodrigo da Silva, à direita, e o doutorando Fabiano de Oliveira, ao centro, com a caneta 3D. Foto: arquivo do pesquisador

Você já ouviu falar de caneta 3D? Saiba que ela está fazendo um tremendo sucesso e já está, até mesmo, tirando do papel tecnologias que poderão ajudar a nossa saúde e a do nosso planeta.

Acontece que um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está usando a caneta para desenhar sensores eletroquímicos. Os aparelhos, bem baratinhos, ajudam a identificar pesticidas, inseticidas e metais pesados na água.

Segundo o doutorando do Programa de Pós-Graduação em Química da UFU, Fabiano de Oliveira, o legal é que o sensor pode ser modificado com moléculas biológicas. Aquelas moléculas que estão nas células dos nossos corpos e que participam dos processos que ele faz para nos manter vivos.

Essa mudança, segundo o pesquisador, transformaria o sensor em um biosensor. Dando a ele o super poder de identificar também vírus, como o tão famoso coronavírus.

TIRANDO DO PAPEL

O que são esses tais sensores?

O pesquisador conta que sensores eletroquímicos são dispositivos que permitem determinar a concentração de uma substância química dissolvida em uma solução. “Podendo interagir ou reagir com a substância para análise através de uma medida elétrica”, informa.

As substâncias detectadas podem ser orgânicas como pesticidas e inseticidas, muito usados nas plantações, ou inorgânicos, como metais pesados. Lembra da Barragem de Mariana?

Esses materiais podem estar na água, drogas e até remédios.

Oliveira informa que a caneta 3D foi utilizada para fundir um filamento condutor de eletricidade para a construção do sensor eletroquímico. Processo importante, já que é preciso ter uma boa condução de eletricidade para que o sensor funcione e emita o sinal.

“Este filamento condutivo é importado e é formado por uma mistura de plástico isolante e partículas de carbono condutoras”, conta o pesquisador.

INOVANDO

O uso da caneta 3D para a construção de sensores é uma novidade. O pesquisador conta que o aparelho é mais simples, barato e mais fácil de levar para outros lugares do que as impressoras 3D, normalmente usadas nessa tarefa.

“Fomos pioneiros no uso de canetas 3D para a construção de sensores eletroquímicos”, destaca Fabiano.

Oliveira realiza o estudo desde o ano passado, 2019, sob a orientação dos professores Rodrigo Silva e Edmar Melo.

Atualmente, o pesquisador tem desenvolvido outros dispositivos eletroquímicos com a caneta e pretende aplicá-los em análises do meio ambiente, como água e solo. “Também pretendo testar os dispositivos em amostras de química forense – ciência que ajuda investigar e entender crimes – e farmacêutica”, conta.

CANETA 3D

A caneta 3D, ou caneta impressora, é um instrumento usado tanto para a diversão, como brinquedo, quanto para a criação de projetos profissionais.

A primeira caneta foi desenvolvida em fevereiro de 2013. Ela foi inventada por Maxwell Bogue, Peter Dilworth e Daniel Cowen, a partir da ideia de criar um dispositivo de impressão 3D mais simples e barato que a impressora.

Qual é a tinta dela? Bem, a caneta 3D funciona com fios de plástico chamados filamentos poliméricos.

Dentro dela, esses fios são aquecidos, derretidos e empurrados para fora. “Ao sair o material, mole e quente, encontra uma superfície mais fria. O que faz com que ele endureça no formato que se quer, dependendo apenas do movimento da pessoa”, informa Oliveira.

Sobre o(a) autor(a)

Tuany Alves

Tuany Alves

Jornalista, com pós-graduação em Jornalismo em Ambientes Digitais, apaixonada por descobrir coisas novas. Entre seus campos de pesquisa estão gênero e ciência.
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