Como a covid-19 afeta a saúde de cães e gatos?

Pesquisadores querem entender quais são os fatores de transmissão da Covid entre cães e gatos e como ela afeta a saúde dos animais

O coronavírus chegou e trouxe um monte de mudanças, não é mesmo? Por ser uma doença nova, a covid-19 fez com que pesquisadores do mundo todo se juntassem para aprender, mas ainda temos muito o que entender sobre esse vírus.

Por exemplo, no início da pandemia, nenhum animal tinha tido os famosos sintomas da doença, mas, com o passar do tempo, vimos que sim: eles também podem pegar Covid. Só não sabemos, ainda, é como esse vírus afeta a saúde dos nossos queridos cães e gatos e como essa transmissão pode acontecer.

Essas dúvidas podem estar com os dias contados. Acontece que um estudo está reunindo vários pesquisadores do Brasil, e de outros países, para tentar respondê-las.

SAÚDE DOS ANIMAIZINHOS

No Brasil o projeto vai testar, de forma gratuita, cães e gatos de pessoas, de cinco capitais brasileiras, que estão com covid-19. Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, é um dos municípios escolhidos.

Aqui o estudo conta com a ajuda do Laboratório de Epidemiologia de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG. Coordenado pelo professor David Soeiro o projeto vai testar 100 animaizinhos mineiros.

Segundo Soeiro, não há comprovação científica da transmissão do coronavírus do animal para o ser humano. Porém, acredita-se, que o animal, ao conviver muito próximo do ser humano em suas casas, possa contrair a doença da sua família humana.

A ideia, então, é investigar o efeito da covid-19 nesses animais. Além de pesquisar como acontece a transmissão de um bichinho para o outro, já que estudos mostraram que isso é possível. “Uma pesquisa já apontou que um gato transmitiu o vírus para outro”, exemplifica o professor.

MENOS PRECONCEITO E MAIS AMOR

Existe muitos animais com covid-19? O que devo fazer com meu cãozinho e meu gatinho?

Muita calma nessa hora! Soeiro conta que a infecção por covid-19 em animais é rara. “Porém, não existem estudos em larga escala que investigaram isso”, destaca.

Na maioria das vezes os animais ou tiveram sintomas leves ou não apresentaram nada.

“É importante que isso não gere qualquer ação de abandono ou de maltrato aos animais. Estamos focando na saúde do animal e no bem estar do convívio com os humanos”, ressalta o coordenador. 

Então, nada de abandonar ou maltratar os nossos amiguinhos de quatro patas.

TESTES

O estudo é liderado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), sob a coordenação do professor Alexander Biondo. Além de BH e Curitiba, a pesquisa também testará cães e gatos de Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Recife (Pernambuco) e São Paulo.

Ao todo serão testados 1000 animaizinhos no país. Sendo que cada cidade levará em conta os números de pessoas contaminadas em seu território.

A ideia é que o estudo ajude o poder público a tomar medidas de prevenção e controle da covid-19 em cães e gatos domésticos. Além disso, as amostras coletadas serão guardadas em um banco de amostras biológicas, que poderá ser usada em outros estudos.

COMO PARTICIPAR

Ficou interessado e quer testar o seu bichinho? Calma aí, para participar é necessário que:

  1. O cão/gato tem de viver em um lar onde o tutor esteja em isolamento domiciliar;
  2. O tutor deve ter diagnóstico laboratorial, feito pela técnica PCR ou resposta imunológica por IgM, mostrando que ele tem covid-19. O resultado precisa ter até sete dias;
  3. Também é preciso concordar com duas coletas de amostras biológicas, com intervalo médio de sete dias entre cada uma.

INSCRIÇÃO E RESULTADOS

Seus pais ou responsáveis têm isso tudo? Então, é preciso que eles enviem um e-mail para covidufmg@gmail.com informando: números de celular, e-mail, nome do tutor e do animal, e dizer se cão ou gato.

A equipe entrará em contato com os voluntários e aqueles que cumprirem todos os requisitos receberão informações sobre como os testes serão feitos. Os tutores também terão de assinar um termo de consentimento livre e responder a um questionário, que ajudará os pesquisadores a entender como o animal pode ter sido infectado.

Já sobre os resultados, o grupo informa que, após a análise, os familiares do animalzinho serão informados se deu positivo ou negativo. Se positivo, a equipe testará outros animais que existirem na casa.

Nesse caso, os familiares também serão orientados a realizar o acompanhamento veterinário do animal por 14 dias. Além de intensificar as medidas de higiene.

Com informações da Assessoria de Comunicação do ICB-UFMG

Sobre o(a) autor(a)

Tuany Alves

Tuany Alves

Jornalista, com pós-graduação em Jornalismo em Ambientes Digitais, apaixonada por descobrir coisas novas. Entre seus campos de pesquisa estão gênero e ciência.
frame3

Conteúdo Relacionado

Enable Notifications    OK No thanks