Vida de beija-flor

Conheça a história de uma pequena beija-flor, que voa, acelerada e agitada, de flor em flor, sempre em busca de néctar!

Vamos contar a história de uma pequena beija-flor, que voa tão rápido que consegue até parar no ar! Coloridos e agitados, esses pássaros vão de flor em flor em busca de néctar.

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Era uma vez…

Um reino de muito verde, entre o pé da Serra e uma grande cidade. Quem passa por ali, nos pontos mais altos, tem uma vista linda do horizonte. E também caminha entre candeia, caviúna, guabiroba, murici e um tanto de outras árvores que nascem no Cerrado! Já nas partes mais baixas, nos fundos de vale e nas encostas, crescem outras árvores: o guanandi, o jacarandá, o jequitibá e o pau-jacaré! É a Mata Atlântica.

E ali na mata existem muitos moradores. Tem quati, mico-estrela, esquilo, tem também rãs e um tanto de pássaros. Mais de cem espécies de aves vivem por lá: voam, se alimentam, cantam e fazem seus ninhos. É um reino muito rico!

Uma pequena beija-flor

No meio da mata mais densa, batendo bem rápido suas asas e com o coração muito, muito acelerado, uma passarinha voava de flor em flor. Não era um dia especial e nem estava mais estressado que o normal. Era só o jeitinho dela! Sempre agitada. A pequena beija-flor era de cor marrom, com as asas mais escuras e uma pequena faixa preta nos olhos. Ganhou o apelido carinhoso de besourinho-da-mata. Ela era mesmo muito pequenina, cabia na palma da mão.

Rubro nasceu não muito longe de onde estava. E, desde que voou pela primeira vez, descobriu que sua fome era tanta, mas tanta, que precisava comer sem parar! Quase não tinha tempo para conversar com outros bichos, brincar ou descansar. Quando outros animaizinhos viam um beija-flor, como ela, pensavam “lá vai aquele bichinho frenético que vive procurando comida!”. E não era mentira. Ela acordava comendo, ia dormir comendo. Que apetite era esse!

De vez em quando, Rubro comia insetos e até aranhas por aí. Mas o seu prato favorito era mesmo o néctar das flores. Não se cansava daquele sabor docinho, docinho. As asas dela batiam tão rápido que ela conseguia até para no ar, como um helicóptero. E o néctar funcionava como um combustível! Ela gostava de ir atrás de flores bem coloridas, principalmente das mais avermelhadas.

Ladra de néctar!

Outros beija-flores, um pouco maiores, costumam usar seus longos bicos para beber o néctar das flores mais alongadas e fechadas, pela pequena abertura delas. Mas como tinha um bico menor, muitas vezes Rubro não conseguia alcançar o fundo do copinho das flores. Então, ela tinha uma técnica especial! A danadinha fazia um mini buraco na base da flor e chegava no néctar por ali!

As plantas ficavam inconformadas! Chamavam Rubro de ladrazinha, acredita? Porque, para elas, aquilo era uma troca. O beija-flor vem, come um pouco do néctar e, junto, leva o seu pólen para a próxima flor. Como as plantas não se mexem, elas dependem disso para reproduzir, para que novas plantas nasçam. Abelhas e outros insetos também fazem isso. Em troca do néctar, voam com o pólen para lá e para cá. Mas, como roubava o néctar pelo buraquinho, Rubro nem chegava perto do pólen das flores. Ela tentava se justificar, afinal, seu bico não dava conta desse trabalho. E seguia voando, de flor em flor, atrás do seu combustível favorito.

Pequenos e brigões

De vez em quando, encontrava uma árvore bem florida. Aquilo deixava Rubro muito feliz! Porque significava todo o néctar que ela podia comer, praticamente sem sair do lugar. Era o sonho. Mas muitas vezes, outros beija-flores maiores já consideravam ali seus territórios. Achavam que a árvore era deles, vê se pode! Vigiavam as flores e não deixavam outros passarinhos chegarem perto. Rubro tinha que ser rápida e muito esperta. Passar despercebida para beber um pouco daquele néctar docinho!

E ela tinha que ser assim, sorrateira, para evitar uma briga daquelas! Não é à toa que alguns chamam os beija-flores de gladiadores do ar. Que brigões! Rubro já se meteu em cada briga por causa de néctar. Batia no ar, rolava no chão. Pequenina e valente. Mas quando a luta era com beija-flores maiores, Rubro fazia o possível para evitar. Já tinha perdido algumas batalhas antes.

Ninho de beija-flor

As brigas eram um dos poucos momentos em que Rubro interagia com outros beija-flores. Ela vivia sozinha na mata, assim como os outros pássaros da sua espécie. Era disso que gostava. Viver só ela, de flor em flor. Vez ou outra, algum macho chamava a sua atenção, e ela decidia que era hora de se reproduzir! De ter filhos.

Quando isso acontecia, Rubro fazia um ninho e colocava seus ovos. Se ela já era pequenina e cabia na palma da mão, imagina aqueles ovinhos, pouco maiores que um feijão. Ela esperava que eles nascessem e cuidava dos pequenos passarinhos, sozinha, até que os filhos batessem asas e partissem para as próprias aventuras. Sempre inquietos, acelerados e em busca de néctar, igual a mãe.

Que sono!

No final do dia, mesmo sempre agitada, Rubro precisava dormir. Se cansava como qualquer outro bichinho. Procurava um cantinho onde se sentia segura e fechava os olhos. Se de dia seu coração batia acelerado e sua energia era infinita, à noite era o contrário. Enquanto dormia, o coraçãozinho de Rubro ficava tranquilo e devagar. Até a temperatura do seu corpo caía. Ela entrava em um sono profundo, tão profundo, que praticamente desligava.

E ligava de uma vez! Abria os olhos e já pensava no café da manhã! Frenética, logo nos primeiros segundos do dia. Mais uma vez, correndo atrás da próxima flor.

A companhia de um beija-flor

A pequena beija-flor da nossa história é conhecida como eremita, tipo uma pessoa que vive isolada, no meio do mato. Ela não gosta de sair dali. Por isso, besourinhos-da-mata, como a nossa protagonista, sofrem muito com queimadas e desmatamento. Ficam sem casa, e a vida se torna muito difícil. Mas Rubro tem a sorte de viver em uma mata preservada, dentro de um parque, que os humanos chamam de Parque das Mangabeiras.

Mas logo fora daquela pequena mata, onde já é cidade, vivem outros beija-flores, que gostam de espaços abertos. Moram nas árvores, entre prédios e casas. Muitas vezes, visitam quem coloca bebedouros que lembram flores em suas janelas. As pessoas fazem isso só para ter, por breves instantes, a companhia de um beija-flor. E, se você quiser ver um, é só olhar por tempo suficiente para uma flor, dessas bem coloridas, como esses pequenos passarinhos gostam!

Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas é um podcast do projeto Minas Faz Ciência, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Roteiro de Luana Cruz e Luiza Lages, com consultoria científica de Pietro Kiyoshi Maruyama Mendonça, pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, da UFMG.

Para saber mais sobre beija-flores, acesse nosso conteúdo de apoio a pais e professores, no portal Minas Faz Ciência.

Sobre o(a) autor(a)

Luiza Lages

Luiza Lages

Jornalista, radialista e mestre em Comunicação Social pela UFMG. Repórter da Minas Faz Ciência e editora dos podcasts Ondas da Ciência e Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas.
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