A descoberta da Evolução e outras histórias de Darwin

Vamos falar sobre como a vida surge e se transforma no planeta. Esta é a história sobre como Darwin descobriu a evolução das espécies

Esta história começou há 4 bilhões de anos. Vamos falar sobre como a vida surge e se transforma no planeta. O assunto é evolução! Para isso, vamos contar a história de um personagem muito importante.

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Era uma vez…

Um homem muito curioso chamado Charles Darwin. A curiosidade de Darwin veio desde quando ele era criança. E ele foi criança há mais de 200 anos. Ele nasceu na Inglaterra em 1809. Então não matava a curiosidade no Google ou em outros cantos da internet. Também não tinha celular, não assistia TV, ouvia rádio e nem fazia grande parte das coisas que a gente está acostumado hoje. A vida era muito diferente.

Darwin gostava mesmo era de bichos. Ele colecionava tudo quanto é bicho! Em algum momento da sua vida, virou fanático por besouros. Ele tinha praticamente todas as espécies de besouros da Inglaterra. Mas um dia, em uma viagem grande de navio, ele chegou no Brasil e descobriu nossas florestas e animais. Logo desistiu de terminar a coleção, porque percebeu o tanto de besouros diferentes que tinha por aí!

Não foi só isso que ele percebeu nessa viagem, que começou em 1831 e durou uns cinco anos. Ele conheceu ilhas e países da América do Sul, observou e estudou vários animais e a natureza por ali. Por causa desses estudos, Darwin mudou para sempre como a ciência vê a vida.

Nem médico, nem pastor

Antes disso tudo, vou contar que Darwin cresceu amando bichos e a natureza. Mas era de uma família muito rica e tradicional da Inglaterra. O avô era médico, o pai era médico e o irmão foi fazer medicina. O destino de Darwin parecia certo. Seu pai queria muito que ele também fosse médico. E Darwin até tentou. Começou a estudar. Mas a verdade é que era uma coisa muito forçada, porque ele não gostava, nem mesmo suportava ver sangue. Dizem que quando ele foi pai, mal conseguia fazer os curativos dos filhos!

Darwin desistiu dessa carreira que não ia dar muito certo. E a família, mais uma vez, resolveu colocar ele para estudar. Dessa vez, para ser pastor da igreja. Só que Darwin sempre muito interessado em história natural, em colecionar e estudar animais e plantas, acabou sendo convidado para ser um naturalista do navio Beagle. Ou seja, ele ia ser o responsável por observar a natureza: as plantas, os bichos e a geografia dos destinos da viagem!

A viagem que mudou tudo

O jovem Darwin não podia perder essa oportunidade de ouro! Na verdade, foi uma oportunidade que só alguém muito rico poderia aceitar. Porque ele não ia ganhar um centavo para trabalhar. Pelo contrário, teve que pagar (muito caro) por todo o longo tempo que ficou a bordo do navio. Darwin tinha vinte e dois anos de idade e partiu junto da tripulação, no dia 27 de dezembro de 1831, para a viagem da sua vida!

Em janeiro, o navio ancorou em seu primeiro destino, em Cabo Verde, na África. E pouco mais de um mês depois, a tripulação chegou a Fernando de Noronha, aqui no Brasil! Passou pela Bahia, pelo Rio de Janeiro, foi para o Uruguai, para a Argentina e as Ilhas Malvinas, conheceu o Chile, o Peru e, em 1835, chegou ao Arquipélago de Galápagos. Talvez você já tenha ouvido falar de Galápagos. E talvez o motivo seja justamente o Darwin! Vamos parar nessa parte da viagem junto com nosso protagonista.

As Ilhas Encantadoras

Galápagos é um conjunto de ilhas que fica a uns mil quilômetros das praias da América do Sul. Mas elas não estão do lado de cá, do Brasil, no Oceano Atlântico. Elas ficam do outro lado do continente, no Oceano Pacífico, e fazem parte do Equador (o país, não a linha). O nome significa Ilhas das Tartarugas. Então você pode imaginar o tanto de tartarugas que moram por lá.

Mas não são só tartarugas. São aves, répteis, mamíferos, peixes… É uma grande biodiversidade, ou seja, muitos seres vivos diferentes no mesmo lugar. Darwin viu com os próprios olhos toda a incrível vida que tinha por lá. E ficou encantado! Porque além de tudo, os animais eram muito dóceis, não tinham medo de gente. Isso, porque desde que as ilhas foram descobertas, nenhum humano tinha ido morar lá.

Cientista da vida

É importante entender uma coisa. Darwin tinha decidido que não queria ser médico e nem pastor da igreja. Nessa viagem, ele finalmente entendeu o que queria ser: cientista! Durante todos aqueles anos viajando pelos oceanos, e onde passava, Darwin coletava e estudava dados e amostras de plantas e bichos do mar, das florestas, das praias, dos mangues. E não foi diferente em Galápagos. Ele queria estudar toda aquela vida!

Em Galápagos existem treze ilhas principais e mais um tanto de ilhas pequenas. Darwin visitou quatro. E uma coisa legal que ele notou é que em cada ilha ele via espécies parecidas, mas diferentes. Alguns dos bichos que ele estudou foram os tentilhões. São pássaros pequenos e cheios de cor. Darwin observou os tentilhões nas diferentes ilhas que visitou, fez anotações cheias de detalhes sobre as características e o comportamento desses pássaros e também do ambiente onde viviam.

Foi longe de Galápagos que ele uniu todos os pontos e entendeu o que significava o que tinha visto. Isso aconteceu depois que voltou para a Inglaterra. A viagem acabou em outubro de 1836. Darwin retornou para casa e algum tempo depois voltou a estudar todo aquele material.

A evolução das espécies

Agora eu quero que você preste muita atenção. Porque o que Darwin descobriu nesse momento mudou muita coisa. Ele estava conversando com um ornitólogo, um estudioso de aves. E então começou a entender que tudo aquilo que tinha observado nas Ilhas Galápagos tinha um significado bem importante. Os Tentilhões que ele viu por lá tinham várias características diferentes. Alguns tinham bicos maiores, outros menores. Muitos comiam coisas diferentes uns dos outros. Por exemplo, tipos diversos de grãos: maiores, menores, duros ou mais moles. E viviam em lugares diferentes também.

Então ele viu que as aves que tinham em Galápagos eram parentes próximas das aves que ele também encontrou no continente da América do Sul, na costa do Equador e do Peru. Ele imaginou que há muito tempo essas aves lá do continente tinham voado até Galápagos. Ficado por lá, tido filhos. Então, a partir dessas primeiras aves, várias novas espécies surgiram nas ilhas, depois de muito tempo.

Depois ele começou a explicar que a mesma coisa tinha acontecido também com as tartarugas e com outros animais que tinha estudado por lá. Os ancestrais eram os bichos que tinham vindo do continente, da América do Sul. E a partir deles aconteceu a diferenciação das espécies. Ou seja, novas espécies tinham surgido a partir destes ancestrais que vieram do continente.

E esse processo aí é o que a gente chama de evolução das espécies!

Como a evolução acontece: a seleção natural

Tá. Darwin entendeu que a evolução existia. Mas como ela acontecia? Ele pensou nos tentilhões. Aquelas primeiras aves do continente chegaram nas ilhas. Tiveram filhos, começaram a viver por ali. Mas nem todas nos mesmos lugares. Moravam em ilhas diferentes ou até em locais diferentes dentro das ilhas! Isso significava também que elas encontravam formas diferentes de comida e de ambientes. Lembra? Darwin notou isso, que umas comiam grãos maiores, outras menores.

O que aconteceu então? Uma coisa chamada seleção natural. Darwin explicou que as diferenças entre os passarinhos surgiam assim… Por acaso, um deles nascia com o bico um pouco maior que outros. E aí esse pássaro com bico um pouco maior conseguia comer um tipo de alimento que outros tentilhões de bicos menores não podiam. Por isso, esse passarinho com bico diferente acabava comendo melhor e gerando mais descendentes que outros passarinhos: filhos e filhos dos filhos e mais filhos dos filhos. Todos com esse bico um pouco maior.

Darwin pensou: os tentilhões com bico maior e que comiam um grão maior e mais duro que os outros pássaros não comiam deixavam mais descendentes, porque tinham vantagem sobre os que tinham o bico menor. E esse bico diferente que funcionou melhor no ambiente em que as aves viviam era o motivo de uma nova espécie se formar pela seleção natural. Outras espécies de bichos e de plantas se formaram assim, com tipos diferentes de asas, de cores, de tamanho, de folhas. Incrível, né? Darwin também achou. Mas ao mesmo tempo, ficou preocupado…

O livro que mudou tudo

Ele sabia que na época essas ideias não iam colar muito bem. A Biologia naquela época era diferente. Algumas pessoas achavam que a vida surgia do nada. Outras achavam que as espécies tinham sido criadas como são, sem mudar com o tempo. Darwin sabia que suas ideias iam ser revolucionárias. Então ele as guardou. Resolveu até deixar um livro escrito e um dinheiro para que sua esposa publicasse suas descobertas só depois da sua morte.

Mas um episódio inesperado aconteceu em 1858. Outro naturalista inglês, Alfred Wallace, escreveu uma carta para Darwin. Ele compartilhou a teoria em que estava trabalhando. Depois de observar animais nas ilhas da Indonésia, ele também descobriu o surgimento das espécies pela seleção natural. Darwin ficou em choque! Era tudo tão, mas tão parecido com o trabalho dele… Decidiu que era finalmente hora de levar suas descobertas a público. Um ano depois, ele publicou o livro A Origem das Espécies.

Depois que lançou seu livro, não foi diferente do que Darwin tinha imaginado. Suas ideias não foram bem recebidas na época pela igreja anglicana e pela igreja católica, e recebeu muitas críticas. Mas não foi só isso. A sua teoria transformou para sempre como pensamos a vida. Darwin foi o primeiro cientista biólogo. Ele inaugurou a biologia como ciência de experimentos. Até hoje, a teoria da evolução é a base que explica toda a diversidade dos fenômenos biológicos, na genética, na medicina, na veterinária, na farmácia, em todas as disciplinas que tratam da vida.

Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas é um podcast do projeto Minas Faz Ciência, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Roteiro de Luiza Lages, com consultoria científica dos professores Fabrício Rodrigues dos Santos, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, e Henrique Paprocki, da PUC Minas.

Para saber mais sobre a evolução das espécies e a vida de Darwin, acesse nosso conteúdo de apoio a pais e professores, no portal Minas Faz Ciência.

Sobre o(a) autor(a)

Luiza Lages

Luiza Lages

Jornalista, radialista e mestre em Comunicação Social pela UFMG. Repórter da Minas Faz Ciência e editora dos podcasts Ondas da Ciência e Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas.
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