A vida da Terra

Conheça a história que está em todas as histórias! Saiba mais sobre como foi o nascimento e a evolução do planeta Terra

Vamos começar uma nova temporada do Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas com a história que está em todas as histórias: do cenário de tudo que qualquer humano já viveu. Poucos de nós conhecemos qualquer outro lugar no universo. É a história da nossa casa, da Terra.

Escute aqui!

Era uma vez…

A Terra.  Ela nasceu há mais ou menos 4,5 bilhões de anos. Naquela época a gente não existia. Não tinha o ar que respiramos, o solo em que pisamos, nem a água do mar. A temperatura média era de 12 mil graus Celsius. Você sabe o tanto que isso é quente? Pensa só que a água ferve a cem graus Celsius. Ou seja, a Terra era umas 120 vezes mais quente que a água fervendo.A Terra era um grande mingau de aveia preparado no fogão.

Com o tempo, o planeta passou a se resfriar, mas ainda não era um lugar bacana para viver. Isso porque aconteciam chuvas de meteoros o tempo todo. Durante 20 milhões de anos, nosso planeta foi bombardeado por meteoros e meteoritos. Mas não pense que isso foi algo ruim. De certa forma, esses asteróides carregavam dentro deles um elemento vital para a vida na Terra: a água.

Quando a temperatura começou a cair, a superfície do grande mingau de aveia chamado Terra começou a endurecer. Assim surgiu a crosta terrestre e as outras camadas do planeta, como o manto e o núcleo. Foi nessa época também que a nossa atmosfera foi formada, mas ela era bem diferente do que é agora.

A água dos meteoritos começou a se acumular nos solos. Aconteciam também chuvas e tempestades que nunca terminavam. Foi assim que os oceanos nasceram, mas ainda não tinham peixes, estrelas do mar, nem nada do que a gente conhece. Era só água.

Mas, como eu disse, a água, por si só, já era um dos elementos mais importantes para que as primeiras formas de vida aparecessem por aqui. Vulcões entravam em erupção o tempo todo. A chuva de meteoros continuava e há quem diga que essas rochas que vêm do espaço trouxeram pra cá carbono e proteínas que se acumularam no fundo dos grandes oceanos.

E surgiu a vida!

Agora pronto! Já tínhamos todos os elementos favoráveis para o surgimento da vida: atmosfera, água e materiais orgânicos que se organizaram e aproveitaram os elementos que existiam ali, como o nitrogênio e o carbono, para sobreviver.

Assim, apareceram as primeiras bactérias do nosso planeta. Elas eram muito, mas muito pequenininhas e tinham apenas uma célula. Essas bactérias não eram capazes de fazer muita coisa e ficavam só ali, no fundo do mar. E por bilhões de anos foram os únicos seres vivos do nosso planeta.

Ao aproveitar os elementos que existiam por aqui, essas bactérias primitivas foram se tornando diferentes e criando novas habilidades, como a de realizar fotossíntese e de se aglomerar.

As bactérias primitivas evoluíram para um formato, digamos, mais especializado: as cianobactérias. Graças à capacidade de realizar fotossíntese, elas transformaram o planeta. Por causa delas, a Terra passou a ter um novo elemento muito importante: o oxigênio.

Agora, respire

Eu quero que você agora comece a prestar a atenção na sua respiração. Sinta o ar entrando pelo nariz, enchendo seus pulmões e depois saindo do seu corpo. Esse simples ato de respirar é algo que nos conecta com esse passado de bilhões de anos atrás. E nos conecta também com o mar! Foram as cianobactérias que possibilitaram a aparição do oxigênio que enche os nossos pulmões.

Mas agora vamos parar de falar da gente e continuar contando da jornada da Terra.

Lembra que eu falei que o nosso planeta antigamente era parecido com um mingau de aveia que se resfriou e aí ficou com uma casca mais dura? Agora imagine que essa superfície fosse toda rachada e formada por vários pedacinhos dessa casquinha de mingau. Cada um desses pedacinhos é o que a gente chama hoje de placas tectônicas. Elas são capazes de se mover pela superfície da Terra e foram muito importantes para a construção do nosso relevo. Antigamente, essas placas ficavam todas juntinhas, e por isso não existiam os continentes que existem hoje. Tudo era uma coisa só.

Que frio!

Pegue os cobertores, pois agora a aventura da Terra está prestes a ficar fria! Muito fria. Tudo isso pelo que a Terra passou, fez com que as temperaturas por aqui caíssem muito, até que ela virou uma bola de gelo.

Mas os vulcões continuavam em erupção. E eles liberavam muito gás carbônico na atmosfera. Por causa desse gás carbônico, o calor que vinha do Sol passou a ser retido com mais facilidade. Isso fez com o gelo derretesse, e as temperaturas da Terra subissem. As cianobactérias que moravam por aqui se multiplicaram. Assim, os níveis de oxigênio subiram cada vez mais.

E, com o aumento da quantidade de oxigênio por aqui, ao longo de milhões de anos, as bactérias começaram a se transformar em diferentes criaturinhas. Assim, começaram a surgir formas de vida um pouco mais complexas, com mais células e novas funções. Essas formas eram os protozoários, algas, musgos e plantas marinhas.

Durante alguns milhões de anos, por conta de todo esse processo de adaptação, a Terra passou a ser casa de novas formas de vida ainda mais complexas que as que existiam até então. Conchas, moluscos, esponjas e crustáceos passaram a ser moradores do nosso planeta naquela época. Todos esses seres viviam no mar! Mas aos poucos, aproveitando todos os recursos que a natureza oferecia, alguns deles começaram a morar nos continentes.

Vamos recapitular!

Nesse período a gente tinha muita vida nos oceanos, um grande continente, e bichos vivendo também fora da água. Tinha oxigênio e a camada de ozônio tinha se formado. Parecia que tava tudo certo. Mas viciada em mudanças, um acontecimento fez com que a Terra iniciasse um novo capítulo da sua história.

O frio apareceu de novo. Novas glaciações aconteceram. Isso significa que durante anos, a Terra virava gelo, depois se esquentava. Mas depois virava gelo de novo. E foi assim por muito tempo: esquenta, esfria, esquenta, esfria…

Enquanto isso, as placas tectônicas continuavam se movimentando, sem parar. De pouquinho em pouquinho, o grande continente começou a se dividir, dando origem aos continentes que conhecemos hoje.

A Terra nesse momento era casa de seres enormes, alguns carnívoros e outros que se alimentavam de folhas. Você já deve imaginar de quem eu estou falando, né?

Sim, dos dinossauros!

Os dinossauros viveram aqui por 165 milhões de anos! Até que um asteroide bateu na Terra e eles deixaram de existir. Mas outras formas de vida continuavam morando no nosso planeta.

Depois de 4 bilhões de anos em que a Terra ficou rodando em volta do Sol (e também em torno de si mesma, do próprio eixo), o movimento das placas tectônicas fez com que algumas montanhas que hoje são muito famosas aparecesse na paisagem terrestre. A Cordilheira dos Andes, que fica na América do Sul, e o Himalaia, lá na Ásia, a casa do Monte Everest, se formaram por conta do choque entre duas placas tectônicas. Como uma placa era mais “mole” que a outra, ela acabou se dobrando e formando grandes montanhas.

Essa mudança no ambiente foi importante também para que os seres que existiam aqui se adaptasse novamente. Algumas espécies foram extintas, ou seja, deixaram de existir. Outras evoluíram e deram origem a novas espécies.

Finalmente somos persongens dessa história

Depois de passar milhões de anos esquentando e esfriando, aconteceu a última era do gelo na Terra. Só agora nossos ancestrais aparecem na história da nossa protagonista. Há mais ou menos 100 mil anos, a nossa espécie, o Homo sapiens começou a povoar o planeta.

Outras espécies com características semelhantes às nossas viveram por aqui por muitos milhares de anos. Algumas delas, inclusive, moraram no planeta ao mesmo tempo que nós. Mas elas não se adaptaram e foram deixando de existir. Hoje sabemos que o Homo sapiens é a espécie dominante na Terra.

A nossa história está chegando ao fim. É estranho pensar que a Terra é tão antiga que o grande acontecimento mais recente de toda a sua vida é a nossa chegada por aqui. Se toda a história da Terra fosse resumida em um dia a gente só ia aparecer no último segundo!

A nossa espécie desenvolveu uma inteligência que nenhuma outra alcançou. A Terra, sedenta por mudanças, se transformou tanto em bilhões de anos que espécies surgiram e deixaram de existir. Relevos se formaram. Solos, árvores, rios e oceanos foram ao poucos aparecendo.

Mas só os seres humanos conseguiram desenvolver ferramentas, produzir remédios, tecnologias e tantas outras coisas. Essa é uma característica única que deve ser usada para que a Terra ainda tenha muita história para contar, porque a nossa protagonista fica entediada facilmente e, neste exato, momento ela está se transformando novamente. E, desta vez, nós também estamos contribuindo para isso.

Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas é um podcast do projeto Minas Faz Ciência, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Roteiro de Mariana Alencar, com assessoria científica da professora Eneida Eskinazi Sant’Anna, de Ecologia Aquática da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Para saber mais sobre a evolução do planeta Terra, acesse nosso conteúdo de apoio a pais e professores, no portal Minas Faz Ciência.

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Minas Faz Ciência

Projeto de Divulgação Científica da FAPEMIG. #CiênciaFeitaEmMinas e explicada para crianças e adolescentes!
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