Jogo ajuda a exercitar o cérebro

Desenvolvido em universidade mineira, game ajuda tanto crianças quanto idosos no desenvolvimento cognitivo
Foto: Divulgação/UFTM

Todos falamos sobre a importância de fazer exercícios físicos. Seja jogar bola, pular corda ou brincar de pega-pega, movimentar o corpo sempre foi uma boa ideia para nos mantermos saudáveis. Mas você sabia que também é preciso exercitar o cérebro?   

Assim como as atividades físicas são boas para a nossa saúde, ‘movimentar’ o cérebro ajuda a manter a saúde mental. Para dar uma forcinha nessa tarefa um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), com apoio da FAPEMIG, desenvolveu o Memorex.

O game, pensando para ser jogado tanto no computador quanto nos celulares Android, busca ajudar as pessoas a desenvolverem suas habilidades mentais de uma forma divertida e interativa.   

Segundo a professora e coordenadora do programa de pós-graduação de Psicologia da UFTM, Sabrina Barroso, o jogo tem diferentes tipos de tarefas: fazer contas, identificar imagens, cores, itens e sequencias de sons.

“Ele também tem vários níveis de dificuldade e à medida que você vai progredindo ela vai aumentando”, conta.

Bastante colorido, o Memorex foi feito para estimular os usuários. Por isso, conta com diversos sons e imagens interativas.

“Por exemplo, um troféu vai enchendo à medida que você vai passando os níveis e quando desliga ele agradece. Outra função legal é que ele mostra os acertos e erros dos jogadores durante o jogo”, informa a professora.

Foto: Divulgação/UFTM

Como surgiu a ideia?

Inicialmente, o jogo foi pensado para os vovôs e vovós, porém, ao longo do desenvolvimento do aplicativo, o grupo percebeu que o game seria um ótimo aliado para trabalhar as habilidades cognitivas das crianças.

“Fora do Brasil esses jogos são muito comuns, principalmente, para tratar o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)”, conta a psicóloga.

Pensando nisso, os pesquisadores fizeram um estudo, antes do Memorex, com jogos comerciais, como Mario Bros., Guitar Hero, Príncipe da Pérsia. O grupo viu que, mesmo esses jogos, que só buscam divertir, têm impacto cognitivo nos universitários e idosos. “Então pensamos: e se fizermos jogos específicos para treinar o cérebro?”

Daí, surgiu o jogo, que pode ser usado tanto por crianças que já saibam, quanto idosos. O game ainda não está disponível no Play Store, mas pode ser baixado e jogado por aqui.

Protegendo o cérebro

Sabrina coordenou o desenvolvimento do jogo. Foto: Acervo pesquisador

Mas afinal qual a importância de jogos como esse?

Sabrina explica que é preciso pensar nas oportunidade que as crianças têm para desenvolver alguma capacidades ou, até mesmo, se recuperar de algum problema. “Como a criançada passa muito tempo em frente as telas (computador, celular), temos que aproveitar essas janelas de oportunidade”.

Além de desenvolver habilidades mentais, exercitar a “massa cinzenta” ajuda a criar proteções mentais.

“O cérebro cria caminhos, se você tiver algum problema no futuro, essas estradas ajudam que as consequências desses problemas sejam menores. Dessa forma, você constrói uma rede de proteção”, destaca a inventora do Memorex.

Já com os idosos, como esse caminho não foi construído, então a saída é tentar ajudar o cérebro a recria-los, como se fizéssemos um novo caminho. Porém, é um trabalho bem mais difícil.

Recado para os pais

E a tecnologia? Como fica nisso tudo?

Barroso explica que realmente as crianças passam cada vez mais tempo em frente às telas e que os pais estão certos em se preocuparem, mas é preciso entender que ela não é o inimigo e que existem muitas formas boas de as utilizarmos.

“Acredito que se houver uma aproximação de quem estuda essa área e os pais pode ser que encontremos um caminho legal, principalmente, se tiver o respaldo dos profissionais de saúde”, conta a psicóloga.

Sobre o(a) autor(a)

Tuany Alves

Tuany Alves

Jornalista, com pós-graduação em Jornalismo em Ambientes Digitais, apaixonada por descobrir coisas novas. Entre seus campos de pesquisa estão gênero e ciência.
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