[Palavra de Cientista] Natural e sobrenatural

No Papo com Cientista deste mês, vamos falar sobre o natural e o sobrenatural.

Natural é tudo que existe e que pode ser percebido pelos nossos sentidos, como por exemplo, o tato e a visão.

Também existem coisas que não são percebidas mas existem. Por exemplo, os buracos negros, os vírus e os pensamentos existem sem serem realmente vistos pelos nossos olhos.

A ciência tem ferramentas para ampliar nossos sentidos e comprovar a existência de muitas coisas. Então, tudo que convivemos no mundo tem, ou um dia terá, uma explicação “natural” ou científica.

Já o sobrenatural é aquilo que não admite ou permite uma explicação científica. Alguns exemplos de coisas sobrenaturais seriam as fadas, os dragões e os fantasmas.

A ciência através dos nossos sentidos e das ferramentas que os expandem, sempre procura as explicações dos fenômenos, processos e coisas da natureza. Se aquilo extrapola a natureza, e não permite a explicação científica, torna-se sobrenatural!

Mas, professor Paprocki, como eu posso saber se uma explicação é realmente científica?

Hoje em dia, existem tantas “fake news”. Qualquer pessoa pode inventar uma notícia e postar para viralizar ou ganhar curtidas. Bom, vamos ter que falar de coisas um pouco estranhas, chamadas de teoria da conspiração.

As teorias da conspiração são explicações não necessariamente baseadas em evidências e sempre carregam consigo algum mistério, por meio do qual pessoas ou grupos de pessoas estão tentando te enganar para te dominar.

Em psicologia estas teorias frequentemente são tratadas como um padrão de percepção ilusório que pode se tornar coletivo.  

Uma das teorias da conspiração que ganhou popularidade recentemente foi a teoria da terra plana com seus defensores autodenominados terraplanistas.

Para eles todo o conhecimento que demonstra que o nosso planeta tem o formato aproximado de uma esfera participando do sistema solar não passa de uma grande conspiração ou um esquema para nos enganar.

Assim, eles se organizam em sociedades, compartilham palestras e até mesmo executam experimentos para provar sua teoria “alternativa” à teoria do sistema planetário.

Parece estranho? Mas tem coisas ainda piores, como por exemplo, o movimento antivacinas. Este grupo de pessoas acredita que as vacinas são não somente desnecessárias como também nocivas.

Acreditam que doenças como a poliomielite não existem, foram inventadas em uma conspiração contra a população. Eles também divulgam e disseminam a informação de que vacinas causam autismo, fato repetidamente demonstrado como falso pela ciência da imunologia.

Enquanto acreditar em fadas, gnomos e dragões pode ser bem divertido e não fazer mal a ninguém, não podemos dizer o mesmo sobre os antivacinas.

Então meus leitores, rapazes e moças, concentrem-se nas diferenças entre um livro maravilhoso de conto de fadas e um site de teorias conspiratórias.

Vamos falar do que é real, científico e honesto, sendo que já entendemos que teoria conspiratória ou é coisa de louco ou coisa de gente desonesta.

O método científico

O método científico tem algumas características importantes para compreensão dos seus resultados, uma delas é que resultados científicos não são a opinião do pesquisador, mas sim, a tradução de um fenômeno natural através da matemática!

Vamos passar rapidamente por cada um dos passos do método científico.

1º passo: esse normalmente é o motivador de tudo. Uma pergunta! Por exemplo, nossos ancestrais se perguntaram. O que é um raio e um trovão? Por que eles acontecem? Como eles acontecem?

2º passo: aqui a gente faz uma afirmação sobre a pergunta, a qual, também é chamada de formulação de hipótese. Por exemplo, o raio é uma descarga elétrica entre a terra e as nuvens.

3º e 4º passos: podemos pensar nesses juntos, são as observações e os experimentos. Por exemplo, fazemos como Benjamin Franklin fez, em 1752, ao soltar uma pipa durante uma tempestade, com uma chave de ferro pendurada. NUNCA FAÇAM ISSO! VOCÊS PODEM MORRER ELETROCUTADOS. Mas de qualquer forma, foram etapas do método científico que Franklin utilizou. Através deste experimento ele obteve algumas evidências.

5º e 6º passos: a partir dos resultados do experimento e das observações, fazemos uma análise e tiramos conclusões. Aqui entra a matemática, onde a opinião não importa; o que importa é o que os números nos dizem e o quanto eles se aproximam da realidade.

Um princípio fundamental do método científico é a reprodutibilidade, ou seja, o experimento e as observações podem ser repetidos por pesquisadores diferentes.

Para que assim, na maioria das vezes, a nossa hipótese lá do 2º passo possa ser aceita como explicação para o fenômeno. Quando ela é rejeitada também ficamos felizes como cientistas e já passamos para tentar outra explicação, sendo aquela descartada. Ou seja, estando ou não de acordo com as previsões iniciais, há avanço no conhecimento.

Toda essa conversa para dizer… você não precisa de ciência para acreditar nas fadas, você não precisa provar que elas existam ou não existem. Você apenas acredita.

Caso a sua abordagem seja científica, o que ficava no campo do sobrenaturalismo, naturalmente vai se tornando apenas uma das invenções da nossa cultura e sociedade.

Portanto, podemos permitir algum sobrenaturalismo nas nossas vidas, mas não podemos deixar as crenças afetarem nossa saúde e segurança.

Pensando nisso, o escritor Richard Dawkins escreveu um livro direcionado ao público infanto-juvenil que eu como adulto gostei muito! O nome é “A magia da realidade: como sabemos o que é verdade.”

Este é um ótimo presente de aniversário para os amigos. Como eu sempre digo, “gente inteligente dá livro de presente”. Neste livro Dawkins percorre desde a diferenciação da “magia” e da “realidade”, até as possibilidades dos alienígenas visitarem nosso planeta, passando pela evolução humana e até mesmo a formação do arco íris. Diversão garantida no maravilhoso mundo das coisas naturais!

Agora chegamos às nossas conclusões. O mundo online está repleto de fake news!

Quando uma coisa é escrita de forma ameaçadora, mas também oferece a solução ou a “cura” ela tende a ser disseminada, mesmo que não seja verdade.

A própria organização mundial de saúde teve de criar um desmistificador de fakenews sobre o corona vírus. Parece que algumas pessoas têm um certo prazer, perverso, de ver suas bobagens viralizando.

Então, segure o impulso de repassar uma mensagem recebida, por apenas alguns instantes. Certifique-se de que a informação passou por todos os passos que aprendemos hoje, e aí sim… divulgue e compartilhe conhecimento científico.

Por isso meus amigos, vamos viver os fatos, procurar a informação de qualidade, obtida através do método científico e não vamos acreditar em tudo que recebemos em nossos celulares e computadores.

Com ciência, as nossas decisões são mais bem informadas, portanto melhores. Abaixo fica a dica de alguns verificadores de fake news que temos disponíveis em português e inglês.

e um dos maiores e mais confiáveis do mundo, em inglês o Snopes

Divirtam-se checando se as mensagens que vocês recebem são verdadeiras!

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Abraços a todos e até o próximo “papo com cientista”

Sobre o(a) autor(a)

Henrique Paprocki

Henrique Paprocki

Biólogo e professor
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