Fotos revelam “fogueiras” no Sol

Sonda solar europeia conseguiu captar imagens feitas a “apenas” 77 quilômetros de distância da superfície do Sol.

Todos nós, seres humanos, habitantes do planeta Terra, temos grande admiração e curiosidade em relação misterioso Sol não é mesmo?

Mas é sempre muito difícil observá-lo, ainda que por sondas espaciais.

Pois uma destas sondas (Solar Orbiter – SolO),  lançada pela Agência Espacial Europeia acaba de fazer as mais imagens mais próximas já captadas do nosso astro-rei!

A sonda conseguiu registrar estas imagens a “apenas” 77 milhões de quilômetros de sua superfície.

Entre as novas descobertas da imagem estão pequenas explosões apelidadas de “fogueiras de acampamento”.

Elas têm um milionésimo de tamanho das grandes explosões do Sol observadas rotineiramente com telescópios na Terra.

Mas, segundo um dos pesquisadores responsáveis pelas imagens da SoIO, David Long, não  está claro se essas versões em miniatura são geradas pelos mesmos mecanismos das grandes erupções.

“Espalhadas ao longo da superfície, essas pequenas erupções podem desempenhar um papel importante em um fenômeno misterioso conhecido como aquecimento coronal, em que a camada exterior do Sol, ou corona, fica de 200 a 500 vezes mais quente do que as camadas abaixo dela”, disse Long em entrevista à rede de televisão BBC. “Estamos ansiosos para investigar isso mais profundamente na medida em que a Solar Orbiter se aproxima do Sol e nossa estrela fica mais ativa.”

A sonda da Agência Espacial Europeia foi lançada do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, em fevereiro. Sua missão é revelar alguns dos segredos do comportamento dinâmico do Sol.

A SolO poderá ajudar os cientistas a entender e prever melhor as emissões do Sol que têm impactos profundos na Terra e que vão muito além de apenas gerar calor e luz, e podem até causar problemas em sinais de satélites ou  comunicações via rádio.

“A situação recente com o coronavírus provou o quão importante é nos mantermos conectados, e satélites são parte dessa conectividade”, diz Caroline Harper, chefe de ciência espacial da Agência Espacial do Reino Unido, também em entrevista à BBC. “Então é muito importante que aprendamos mais sobre o Sol para que possamos fazer uma previsão de seu tempo, de seu clima espacial, da mesma forma como aprendemos a fazer com a Terra.”

A Solar Orbiter está dando uma série de voltas ao redor do Sol, e ela vai se aproximando a cada volta, até chegar a uma distância de menos de 43 milhões de quilômetros.

As fotos apresentadas nesta quinta-feira, dia 16,  são registros da passagem mais recente, em um ponto conhecido como periélio (ponto mais próximo de um corpo do Sol). Isso aconteceu em meados de junho, dentro da órbita de Vênus.

Para esclarecer: as novas imagens são os registros mais de perto feitas do Sol, mas não são os de melhor resolução. O maior telescópio solar da Terra sempre conseguirá resultados melhores que a SolO neste quesito.

O conselheiro sênior para Ciência e Exploração da agência europeia, Mark McCaughrean, disse à BBC:

“A Solar Orbiter não está se aproximando do Sol apenas para obter imagens de alta resolução: ela está se aproximando para entrar em uma parte diferente e menos turbulenta do vento solar, estudando partículas e campos magnéticos nesta distância mais próxima, enquanto simultaneamente capta dados remotos na superfície do Sol e imediatamente ao redor dele, com contexto. Nenhuma outra missão ou telescópio consegue fazer isso.”

*Com informações da BBC e Agência Espacial Europeia

Sobre o(a) autor(a)

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Lorena Tarcia

Jornalista e professora apaixonada por ciências!
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