Diálogos imprevistos

Conheça melhor o ofício dos publicitários, profissionais capazes de ampliar nossas conversas – e relações – diárias com empresas, ideias e produtos

Você já reparou que, todos os dias, além de conversar com parentes, vizinhos, colegas e amigos, a gente bate longos papos – às vezes, silenciosos, divertidos e surpreendentes – com empresas, marcas, artistas, objetos ou ideias?

“Ahn?! Como assim?!”

Calma, calma! Já vou explicar melhor… Começo por uma pergunta “vapt-vupt”: ao ligar seu videogame, ao abrir uma revista ou ao clicar naquela página hiperlegal da internet, imagens e mensagens sobre produtos e pessoas costumam saltar a seus olhos?

Tais peças e discursos são imaginados, elaborados e oferecidos – a públicos diversos – por especialistas em Publicidade & Propaganda, área do conhecimento também carinhosamente conhecida, por muitos, como “PP”.

Legal, né?! Mas de onde vem a inspiração para escolher tal ofício?

Desde criança, além de brincar, Juarez Guimarães Dias – que é professor e pesquisador do Departamento de Comunicação Social da UFMG – gostava de desenhar, pintar, ler e escrever. Adorava, ainda, ouvir música e assistir a filmes, programas de TV e desenhos animados.

“Quando precisei escolher uma faculdade, o curso de Publicidade e Propaganda era a possibilidade de reunir vários gostos e talentos, por se tratar de área em que a criatividade e o pensamento criativo atravessam todos os fazeres”, lembra.

Apesar de bastante conhecida pelos comerciais e propagandas de produtos e serviços que se encontram nos meios de comunicação, a área se revela bastante ampla, complexa e diversificada. Afinal, por trás dos anúncios, há muitas e muitas etapas de trabalho.

“É preciso ter conhecimento sobre quem é o cliente ou a marca a anunciar. Além disso, deve-se elaborar o planejamento de ações e estratégias, negociar espaços nas mídias, para exibir os anúncios, fazer pesquisas com os públicos e analisar resultados. Muitos profissionais de Publicidade trabalham com produção cultural, de entretenimento e de jogos”, explica Juarez.

Da tela ao voto

No cotidiano, a parte mais “visível” de PP diz respeito, mesmo, aos anúncios comerciais e às propagandas em diversos meios de comunicação, como TVs, rádios, jornais, outdoors, redes sociais, plataformas digitais, aplicativos, fachadas de lojas, placas de edifícios e outros tantos suportes.

“A Publicidade cumpre a função de mostrar, aos consumidores, os produtos e serviços de que necessitamos. É importante, porém, sabermos diferenciar aquilo que não precisamos, por mais interessante que pareça. No Brasil, há leis que controlam a produção e a exibição de propaganda para crianças, por exemplo, pois se entende que o consumo é uma atividade do mundo adulto, e deve ser feita pelos pais e responsáveis”, explica o professor.

Afinal, na visão de Juarez Guimarães Dias, a infância é, em verdade, tempo para brincadeiras, experimentações, aprendizados e crescimentos.

“O Brasil é um país com muita desigualdade social, e muitas pessoas – muitas, mesmo! – mal conseguem consumir o básico para sobreviver. Isso, contudo, é história para outra pauta”, destaca.

Sob outro aspecto, a propaganda é responsável por dar visibilidade a múltiplos temas, a exemplo das campanhas de prevenção de doenças.  

“Agora, isso está bem visível, devido à pandemia do novo Coronavírus, né?. Tais campanhas também podem abordar a preservação do meio ambiente, o bem estar-social, o respeito à diversidade, o combate ao machismo e ao racismo, além de outras tantas questões de interesse coletivo”, esclarece o pesquisador.

Ah! Ele lembra que também não se pode esquecer das campanhas dos governos, tanto municipais quanto estaduais e federais, para comunicar, a cidadãs e cidadãos, o que tem sido feito para melhoria da vida.

“Há, ainda, as campanhas políticas, elaboradas nos períodos de eleição, quando precisamos conhecer e escolher nossos representantes”, explica.


Pesquisa

Por fim, vem a questão que não quer calar: o que professores e pesquisadores de PP estudam no dia a dia? Segundo Juarez, o campo de pesquisa, nas universidades brasileiras, está em crescimento, já que se trata de área bastante recente.

“As primeiras escolas oficiais datam dos anos 1960 e 1970. Parece muito tempo, mas não é. As análises mais frequentes dizem respeito a propagandas e anúncios de marcas, questões relativas ao consumo e às necessidades – ou não – de produtos, representações de pessoas e ações que atravessam conteúdos de entretenimento. Ou à própria publicidade voltada às crianças, algo também muito discutido e pesquisado”, completa.

Foto: PixaBay

Sobre o(a) autor(a)

Maurício Guilherme Silva Jr

Maurício Guilherme Silva Jr

Jornalista, professor, doutor em literatura e apreciador, dia a dia, dos versos de Manoel de Barros: “Poesia é voar fora da asa”.
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