Um museu vivo

Macaco-prego é uma das espécies encontradas no Museu. Foto: Facebook/MHNJB

Conhece a “maria-boba”? Talvez você não esteja ligando o nome à espécie, mas é aquela borboleta colorida de branco, preto, amarelo e laranja, que pode ser vista em jardins e matas durante o ano todo. Ela voa baixinho e devagar. Por isso mesmo, ganhou esse apelido.

E a “perereca de banheiro”? Para quem ainda não se deparou com ela, esse provável encontro pode render um baita susto! Tem ainda o cágado-de-barbicha, a formiga-leão, o piolho-de-cobra, o sapo-martelo, o macaco-prego…

Estes bichos com nomes engraçados, e muitos outros, são encontrados no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (MHNJB). O espaço é uma área verde com 600 mil metros quadrados, bem no coração de Belo Horizonte. Fica no bairro Santa Inês, na região Leste da capital, perto da estação de metrô.

Livros

Visitado por mais de 30 mil pessoas por ano, o local está fechado desde o dia 18 de março, assim como vários espaços de ciência e cultura, para controlar o avanço do novo coronavírus. A boa notícia é que dá para conhecer os habitantes de lá no livro 50 animais do Museu. A versão eletrônica foi lançada no final de maio e está disponível gratuitamente para download.

“O Museu é um refúgio para a fauna silvestre. Ele atrai espécies que já foram mais comuns na cidade”, conta a biológa Flávia Santos Faria, uma das autoras da publicação, em parceria com o biólogo Alexandre Ferreira Righi . Os dois trabalham no MHNJB.

Divulgação

O livro apresenta fotografias, curiosidades e o nome científico de cada um dos bichos. São espécies como a cutia, carinhosamente apelidada pela equipe do Museu de “jardineira da floresta”, revela Flávia. É que o bichinho se alimenta das sementes de uma árvore chamada sapucaia e costuma enterrá-las para comer depois. Mas, como nem sempre volta para buscar a comida guardada para mais tarde, as sementes acabam germinando e transformam-se em novas plantas.

Aliás, quem tiver interesse em conhecer as espécies vegetais encontradas no MHNJB pode baixar também o livro 50 árvores do Museu. O lançamento foi em 2019, para comemorar os 50 anos deste importante centro de pesquisa, onde fica guardado um tesouro da cultura mineira: o Presépio do Pipiripau. A história do acervo reunido ao longo de mais de meio século no Museu é contada neste episódio do programa Outra estação, da Rádio UFMG Educativa.

Incêndio

Na segunda-feira passada, 15 de junho, um incêndio destruiu parte das instalações do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. Parte do acervo que não estava em exposição foi atingida. Coleções da zoologia, área da biologia que estuda os animais, estão entre as que tiveram as maiores perdas. São caixas de insetos e outros animais conservados, como peixes, roedores e aves. Também foram afetados objetos de paleontologia (estudo de seres vivos que habitaram a Terra em tempos remotos, por meio de fósseis) e arqueologia (ciência que estuda os costumes e a cultura de povos antigos).

A investigação das causas do incêndio já começou. Uma equipe especializada da UFMG vai acompanhar tudo de perto, na tentativa de resgatar as peças. Pesquisadores do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais (Cecor) da Universidade irão avaliar o que pode ser recuperado. Uma equipe do Museu Nacional, também atingido por um incêndio em 2018,  irá colaborar com os trabalhos.

Sobre o(a) autor(a)

Alessandra Ribeiro

Alessandra Ribeiro

Jornalista, mestra em Comunicação Social pela UFMG e mãe do Kenzo. :-)
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