Construtores de sonhos

Preciso muiiiiito perguntar algo a você: no aconchego do lar, qual seu lugar predileto? Seria o quarto, onde dorme e sonha com um tantão de coisas bacanas? Ou aquele cantinho depois do corredor, entre a sala e a cozinha, lugar bom para pensar na vida?

Confesso que adoro as varandas, de onde posso observar o tempo, naquele vai-e-vem sem fim! Ah! Tudo isso me leva a outra pergunta, bem importante: já parou para pensar no profissional que pensa, desenha e projeta cada parte de nossa casa?

Como ele se chama? Já ouviu falar? Quer pensar?! Então, “tá”! Um, dois e… trêeeeees! Já sabe me dizer? Lá vem a resposta: o profissional responsável por construir projetos de casas, prédios e outras edificações é o… ar-qui-te-to!

Legal demais, né?! Mas o que levaria alguém a fazer Arquitetura?

“Essa pergunta não é fácil, pois não sei, exatamente, a resposta. Desde criança, falava que queria ser arquiteto. Lembro-me de ver plantas de apartamento em anúncios de jornal e imaginar quem vivia ali. Muitas vezes, eu mesmo desenhava plantas ou casas, sempre pensando nas famílias e nas pessoas que morariam naqueles espaços”, lembra Eduardo Andrade – ou Ed, como é conhecido pelos amigos –, que é arquiteto e professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG.

Ele conta que imaginar tanta coisa era, na verdade, um modo de brincar, criar espaços, e, também, de inventar personagens. (Tudo por meio do desenho!)

“Aliás, sempre gostei de desenhar e sempre adorei Matemática. Isso também me levou a decidir pela Arquitetura, pois achava que a profissão lidava com essas duas habilidades – o que, de certa forma, não deixa de ser verdade. O arquiteto se expressa pela linguagem do desenho, e, ao mesmo tempo, lida muito com números, ao trabalhar com as medidas das dimensões”, diz Ed.

Isso não quer dizer, porém, que os arquitetos precisem ser óoooootimos desenhistas e/ou matemáticos.

“Conheço ótimos arquitetos que não desenham bem à mão, e fazem tudo pelo computador. Eu sempre gostei de desenhar, de Matemática, de fuxicar e analisar plantas e fachadas. Isso me levou a optar pela Arquitetura. Foi uma ótima escolha”, conta.

 

Objetos e cidades

 

Que tal conhecer, agora, as áreas de atuação dos arquitetos? Estes talentosos profissionais têm, em verdade, rico e vasto campo de trabalho. Afinal, é possível lidar em diversas frentes.

“Normalmente, os cursos formam bacharéis em Arquitetura e Urbanismo, as duas grandes áreas de atuação do arquiteto. Embora elas tenham lógicas um pouco diferentes, ambas dizem respeito à criação de espaços e estão muito interligadas”, explica o professor Eduardo.

Segundo ele, a Arquitetura lida com projetos, construções e reformas de edificações – ou de partes delas –, enquanto o urbanismo se aproxima do “fenômeno urbano”: o planejamento e o estudo das cidades e de seu funcionamento.

“Mas essas áreas abarcam formas de atuação diferentes. O arquiteto pode, por exemplo, trabalhar com Arquitetura de Interiores, em que participa de cada detalhe da revitalização dos espaços internos, escolhendo, inclusive, os móveis e objetos”, esclarece Ed.

Tal profissional também pode trabalhar com “arquitetura efêmera”, ao projetar cenografia de eventos ou espetáculos. Há, ainda, especialistas em tipologias diferenciadas, como projetos de hospitais ou hotéis, restauro e estudo de patrimônios imóveis.

No campo do urbanismo, pode-se trabalhar, por exemplo, em projetos de revitalização de bairros ou comunidades, no estudo de vias urbanas ou na elaboração de planos diretores de cidades.

“O campo de atuação, portanto, é vasto e plural, e sempre se relaciona à busca pela melhor qualidade do espaço, em escala micro ou macro. A escolha de uma torneira ou a definição do conjunto de vias de uma cidade inteira podem ser atribuições do arquiteto. Além de trabalhar com diferentes escalas, a profissão lida com diferentes áreas do conhecimento, como Sociologia, Engenharia ou Artes”, completa.

 

Dia a dia

 

Para observar as “obras” e as possibilidades da Arquitetura, basta que a gente olhe pela janela! Afinal, ela aparece, na vida das pessoas, durante todo o tempo.

“Acordamos num espaço pensado por alguém, e, ainda que esse alguém não seja arquiteto, esse espaço é Arquitetura. Ao sairmos de casa, lidamos com a Arquitetura, que nos atravessa a todo instante. Em larga medida, somos, inclusive, moldados por ela. Se a Arquitetura é fruto da visão de mundo de determinada comunidade, também é capaz de orientar, ou mesmo determinar, aspectos do modo de vida dessa comunidade”, destaca Ed.

Sobre o(a) autor(a)

Maurício Guilherme Silva Jr

Maurício Guilherme Silva Jr

Jornalista, professor, doutor em literatura e apreciador, dia a dia, dos versos de Manoel de Barros: “Poesia é voar fora da asa”.
frame3

Conteúdo Relacionado