As pesquisas sobre emoções ainda são um mundo a ser descoberto. Para se ter uma ideia, um dos primeiros estudos que abordam essas sensações, que sentimos durante toda a nossa vida inclusive quando somos bebês, a chamada Lei das Emoções só tem 40 anos. Ou seja, é capaz que sua avó seja mais ‘velhinha’ do que esse conhecimento.

Para entender mais sobre as emoções, diversos investigadores estão explorando os nossos sentimentos, como é o caso da pesquisadora Carmem Meira Cunha. Formada no curso de Ciências Econômicas do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Carmem é mestre nas emoções.

A pesquisa foi premiada. Foto: Divulgação Unilever

A pesquisadora brasileira até ganhou o Prêmio Unilever Research, no final de 2019, pela sua pesquisa desenvolvida na Holanda, na Universidade de Tiburg, durante o seu mestrado.

Mas que raios de emoção ela estuda? Nada menos que a inveja.

Segundo Cunha, a ideia era entender se as pessoas sentem a inveja benigna e maliciosa de forma diferente. “Então eu investiguei dois temas, primeiro se o alvo da inveja ser um objeto ou algo que a pessoa viveu resulta em sentimentos diferentes. O outro passo foi ver se uma pessoa, ou várias, terem o objeto desejado também faz diferença na hora de sentir a inveja”, explica.

O QUE É INVEJA?

Mas calma. Antes de continuar é bom entendermos o que é a inveja.

Primeiro você precisa saber que essa emoção, também chamada de dor de cotovelo, está presente nos seres humanos a milhões de anos. Além disso, as pessoas só sentem inveja de coisas que são importantes para elas.

“Então ela tem uma função evolutiva que é nos dizer: olha nesse quesito que você considera importante tem gente fazendo melhor. Então levanta e vamos correr atrás do prejuízo!”, conta Cunha. 

Segundo a pesquisadora, existem duas formas de ‘correr atrás desse prejuízo’. Lembra da história de inveja benigna e maliciosa? Então, na benigna ao sentir a inveja você tem vontade de se esforçar para conseguir possuir também a coisa invejada. Já na maliciosa você sente o desejo de que a pessoa perca aquela vantagem.

Para ficar mais fácil de entender vamos imaginar que um de seus amiguinhos ganhou um jogo de vídeo game muito bacana. Se ao saber que ele ganhou o jogo você sentiu vontade de se comportar melhor para que seus pais também lhe deem de presente, quando tiverem condições, isso foi uma inveja benigna. Mas, agora, se sentiu o desejo de que ele perdesse aquele presente, você sentiu a maliciosa.

EXPERIMENTO

Então sempre que eu sentir inveja de alguma situação que a pessoa passou, como encontrar com um cantor famoso, ela vai ser benigna? Afinal eu não posso tirar isso dela. E se mais de uma pessoa tiver aquele objeto? É impossível que todos os meus coleguinhas percam os seus jogos!

Bem foi em cima dessas perguntas que a pesquisadora desenvolveu o seu estudo. A pesquisa levou em conta também a Lei da Menor Carga que diz que quando podemos entender mais de uma forma uma situação, preferimos ver aquilo como algo que não vai nos machucar. Ou seja, a gente prefere sentir algo bom, já que os sentimentos ruins nos causam dor.

Mas a verdade é que na prática do sentir nem sempre isso acontece.

INVEJA DE QUE?

Segundo Cunha, na primeira pergunta eles concluíram que as pessoas não tem uma visão tão

definida de um bem ser material ou ser experiência. “Então essa visão confusa impede que as pessoas definam o que é bom ou não sentir”, conta.

Já na segunda teoria os pesquisadores usaram os produtos da Apple (aquele da maçã). Eles virão que as pessoas que tinham necessidade de serem exclusivas – vips – sentiam mais inveja benigna dos produtos independente de quantas pessoas o tinham.

A pesquisadora explica que isso mostra que há um componente social no sentimento da inveja.

“Não é apenas o produto que me causa inveja, mas também quem tem e se eu quero, ou não, fazer parte daquele grupo”, diz.

O MONSTRO DA INVEJA

Conversar é o melhor remédio. Foto de Ketut Subiyanto no Pexels

Agora você já sabe que a inveja não é um monstro verde e gosmento, mas que faz parte do nosso conjunto de emoções. Segundo Carmem, sentimento a gente não controla, então se bater uma inveja maliciosa não podemos controlar e não sentir.

No entanto, podemos controlar a forma como agíamos em relação a ela. Então converse com o papai, com a mamãe ou algum adulto que você confie e se sinta confortável, o importante é entender de onde esse sentimento vem e tentar torna-lo em algo construtivo, sem julgamentos.

Sobre o(a) autor(a)

Tuany Alves

Tuany Alves

Jornalista, com pós-graduação em Jornalismo em Ambientes Digitais, apaixonada por descobrir coisas novas. Entre seus campos de pesquisa estão gênero e ciência.
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