Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) descobriram uma nova espécie fóssil de peixe-boi que viveu entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás. Ele recebeu o nome científico Trichechus hesperamazonicus e o apelido de peixe-boi do oeste da Amazônia.

É uma descoberta muito rara, conforme explicaram os cientistas envolvidos na pesquisa dos Laboratórios de Evolução de Mamíferos e de Paleozoologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB0. Outros fósseis até então conhecidos são de espécies que ainda estão vivas.

No entanto, o peixe-boi do oeste da Amazônia já é uma espécie extinta. Ou seja, a descoberta dele ficará com um rico registro para a ciência, mas não veremos bichinhos como este nas águas dos rios amazônicos.

Para ter certeza de que se tratava de uma espécie nunca registrada, os cientistas analisaram mandíbulas e pedaços de crânio fossilizados. Perceberam que são bem parecidos com características das três espécies de peixe-boi já conhecidas.

Mas, os pesquisadores viram que o Trichechus hesperamazonicus tem uma série de características únicas. Constataram, por exemplo, que ele apresenta músculos mais desenvolvidos para mastigação. Análises estatísticas também confirmaram que a nova espécie é distinta das existem atualmente.

peixe-boi do oeste da Amazônia
Professor Fernando Perini fez uma montagem dos fósseis com silhueta reconstruindo o crânio da nova espécie, Ambas as imagens seguem em anexo. Foto: Arquivo dos pesquisadores

Onde e quando viveu o peixe-boi do oeste da Amazônia?

Segundo o especialista em mamíferos fósseis, Mario Cozzuol, que participou da pesquisa, o animal viveu em Rondônia, na bacia Amazônica, em uma região de corredeiras. Este local não é mais um ambiente para a vida dessa espécie de peixe-boi.

De acordo com o professor Fernando Perini, que também trabalhou nos estudos, o Trichechus hesperamazonicus viveu há cerca de 40 mil anos, no final do período Pleistoceno – era geológica situada no período Quaternário da era Cenozóica.

O peixe-boi do oeste da Amazônia habitava lagos e rios de águas calmas que atravessavam a floresta. Porém, quando o regime de águas do rio mudou, ainda no final do período Pleistoceno, e as águas calmas foram substituídas por águas mais caudalosas, a espécie desapareceu.

(Com informações da assessoria de imprensa da UFMG)

 

Sobre o(a) autor(a)

Luana Cruz

Luana Cruz

Jornalista, professora e pesquisadora. É mãe dos gêmeos Martin e Heitor.
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