Para ficar bem informado nessa pandemia, os papais e as mamães usam os jornais para saber o que está acontecendo no mundo. Entre as brincadeiras, os desenhos e até entre as aulas à distância, você, também, já deve ter visto alguma notícia sobre o tal coronavírus, não é?

Reparou que, muitas vezes, são usados desenhos para falar sobre esse tal de corona? Cheios de números, alguns parecem torres de lego; outros parecem uma pizza. Eles são os famosos infográficos.

Muito utilizados no jornalismo, tais desenhos, gráficos e ilustrações acompanham as notícias. Segundo o professor do departamento de Comunicação Social da UFMG, Daniel Ribeiro, eles nos ajudam a entender o que o jornalista está dizendo, principalmente se é um assunto complicado. “O efeito é parecido com os desenhos de um livro: quando tem uma imagem junto com o texto, a gente entende melhor”, conta.

No entanto, isso nem sempre acontece e, muitas vezes, não conseguimos entender o que aquele desenho quer dizer.

Pensando nisso, o professor se juntou a um grupo de pesquisadores para ajudar as pessoas a ler e compreender infográficos. “Nem todo mundo tem facilidade para entender esses números, tabelas, gráficos. Por isso que criamos esse projeto”.

A ideia do grupo é criar um site e usar as mídias sociais mais populares como canal de comunicação sobre os infográficos. “Estamos no começo do projeto, ainda não deu tempo de mostrar os resultados, mas acreditamos que essa será uma maneira bem fácil de dar dicas bem legais para um monte de gente”, diz.

Imagem ilustrativa. Arte: Siouxsie Wiles and Toby Morris / Wikimedia

Além do Daniel, participam do projeto os professores Geane Alzamora e Carlos D’Andréa. O grupo conta com a ajuda dos estudantes de jornalismo Fabio Oliveira, Luigy Hudson, Enaile Almeida e Gabriela Francine.

SAI PRA LÁ, FAKE NEWS!

Daniel Ribeiro conta que em uma pandemia, como a que estamos vivendo, todo mundo fica muito nervoso e preocupado (e com razão!). “Por isso, às vezes as pessoas não conferem as notícias que recebem e acabam repassando informações falsas. Acho que vocês já devem ter ouvido falar de fake news”.

Segundo o pesquisador, essas notícias falsas se espalham muito rápido, como uma fofoca, e além de provocar uma baita confusão, podem ser perigosas. “Imagine repassar uma notícia falsa dizendo que todo mundo já pode voltar para a escola. Isso iria causar um grande problema e, até mesmo, colocar em risco a vida das crianças!”.

“Acreditamos que é preciso educar as pessoas a desconfiar de certas informações, ajudando-as a interpretar o que é uma informação séria e o que é um boato”, explica o professor.

QUE CURVA É ESSA?

 Além de nos proteger, entender as informações dos infográficos também nos ajuda a saber o que está acontecendo com o vírus. E mais! Explica até por que você não pode sair para ir brincar no parquinho ou ir para a escola.

As ‘montanhas’ representam o número de pessoas contaminadas com o vírus. Foto: Pixabay

Você já deve ter visto aquele desenho famoso de duas montanhas: uma grande, do lado esquerdo, e outra pequena (achatada) do lado direito. Se não viu, se liga na imagem aqui do lado.

Segundo Daniel, esse desenho que mais parece o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, é chamado de gráfico do “achatamento da curva”. “Essas ‘montanhas’ representam o número de pessoas contaminadas com vírus”, informa.

O professor explica que se todo mundo sair de casa, o vírus irá se espalhar rápido, contaminando uma ‘montanha’, bem grande, de pessoas. Mas, se todo mundo ficar em casa, o vírus irá se espalhar mais devagar. “Assim, haverá mais lugares nos hospitais para quem ficar doente. Já imaginou se todo mundo ficar doente, de uma só vez?”.

A ideia, segundo o professor do Departamento de Matemática da UFMG, Ricardo Takahashi, é que com esse distanciamento social a gente diminua essa ‘montanha’. Dessa forma, os hospitais conseguem receber as pessoas que estão doentes, cuidar delas até elas sararem e irem embora para que outras pessoas também possam se tratar.

Isso é o ‘achatar a curva’ que os adultos tanto falam.

NÚMERO AMIGO

Agora você já sabe o motivo de não estarmos saindo de casa, mas você sabe por que as pessoas precisam chamar os matemáticos para descobrir o que está acontecendo? Afinal não são os médicos e enfermeiros que cuidam da saúde?

Ricardo Takahashi explica que, no dia a dia, a gente entende bem o que está acontecendo no mundo a nossa volta. Porém, em uma pandemia, as coisas são muito diferentes do nosso normal. “Para conseguirmos entender esse fenômeno tão esquisito, é preciso utilizar uma técnica matemática que seja capaz de compreender como ele funciona”, explica.

Mas só os matemáticos entendem esses tais fenômenos? Não!

Na verdade, quem desenvolveu as fórmulas que usamos para fazer a tal curva do achatamento nem foram os matemáticos. Segundo Takahashi, foram dois cientistas escoceses que trabalhavam com epidemiologia (disciplina básica da saúde pública) que descobriram como os vírus funcionam. “É preciso entender que as equipes que fazem esse trabalho possuem matemáticos, como eu, mas também pessoas da medicina, da computação. É um trabalho em conjunto!”.

Sobre o(a) autor(a)

Tuany Alves

Tuany Alves

Jornalista, com pós-graduação em Jornalismo em Ambientes Digitais, apaixonada por descobrir coisas novas. Entre seus campos de pesquisa estão gênero e ciência.
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