Hoje vamos falar de uma coisa muito básica. De uma força. Ela mantém a gente grudado no chão, faz as coisas caírem, a Lua girar em torno da Terra e a Terra girar em torno do Sol. Vamos contar a história de como descobrimos que a gravidade existe!

Confira, no Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas:

Era uma vez…

… Um moço chamado Isaac Newton. Em um dia agradável, na Inglaterra do século 17, ele se deitou embaixo de uma árvore, de uma macieira. Enquanto descansava, teve uma experiência terrível… Mas também, já era de se esperar: uma maçã caiu em cima da sua cabeça! Ai! Deve ter doído.

Na verdade, não doeu nada, porque se essa história aconteceu, não aconteceu exatamente assim. Mas ela é conhecida em todo o mundo, como o momento em que uma pessoa teve uma ideia revolucionária: que o que faz as coisas caírem e se manterem presas ao chão é uma força! Chamada gravidade.

Mas todos os dias maçãs caem no chão

Foi o próprio Newton quem deu origem ao boato de que a gravidade foi descoberta desse jeitinho. Ele contou a história a um amigo, muitos e muitos anos depois, já em sua velhice. E o amigo contou ao mundo! Encheu páginas de um livro com as palavras do físico. Não interessa muito se a história não é bem assim, porque a essência é verdadeira. Todo dia maçãs caem no chão.

E Newton notou que sempre caem retinhas. Assim como você poderia se perguntar, ele pensou… Por que não fazem uma curva? Por que não se movem para o lado, para cima ou ficam flutuando? Por que o tempo todo em que está caindo, a maçã vai em direção ao centro da Terra? E a resposta pareceu tão óbvia. Só pode existir uma força de atração. Uma força que faz as maçãs caírem e nós ficarmos presos ao chão.

E essa força também vale para corpos que estão bem lá no alto, como a Lua! A Terra atrai a Lua e a Lua atrai Terra, por isso estão juntas. A mesma força explica porque a Terra não está solta por aí, viajando pelo espaço, mas orbitando o Sol.

Foi assim que Newton explicou uma coisa que estava começando a incomodar vários cientistas e astrônomos na época. Eles não conseguiam entender muito bem as órbitas dos planetas, da Lua e dos cometas.

Vamos voltar ao começo

Mas se a história não começa exatamente com uma maçã, como ela começa? Do começo!

Newton nasceu há 377 anos! Em 1643, em uma fazenda na Inglaterra. Ele nunca conheceu o pai, que morreu antes do menino nascer. Quando era bem novinho, a mãe se casou de novo, com um pastor chamado Barnabas Smith.

Hannah, a mãe de Newton, se mudou e o deixou para trás, na casa da avó. Não foi uma infância muito feliz para o nosso pequeno protagonista, que sentia falta da mãe.

O jovem Isaac não gostava do padrasto e brigou com a mãe por se casar com ele. Tinha tanta raiva que ameaçou colocar fogo na casa dos dois! Newton também não era fácil… Era um menino mais fechado, introspectivo e rancoroso. Nunca quis seguir os caminhos que a mãe apontava.. Não queria cuidar da fazenda, dos negócios da família, e nem virar pastor da igreja.

Mas era muito curioso, inventivo e gostava de aprender! Um tio o incentivou a estudar na Universidade de Cambridge. E o jovem Newton foi! Era um autodidata. Sozinho, gostava de se aventurar pelos livros e descobrir teorias, conceitos e formulações que vieram antes. Queria entender a fundo os problemas que o deixavam tão curioso sobre o mundo.

As inovações de Newton

Lá em Cambridge, ele teve várias ideias inovadoras! Inventou matemáticas, estudou a luz e as cores. Fabricou o primeiro telescópio refletor do mundo, que é um tipo de telescópio usado até hoje. E escreveu sobre suas descobertas! Mas algumas das coisas que Newton falou geraram confusão e até mesmo briga. Nem todo mundo gostou. E Newton, que não era muito sociável e queria fugir de polêmica, menos ainda.

Depois disso, ficou um pouco mais quieto… Estudava muito, mas só para ele. E mesmo longe da universidade, não deixou de ter ideias incríveis!

Em 1666, uma doença bem séria deixou várias pessoas doentes e levou muita morte à Europa: a peste negra. Para não piorar a situação, muitos lugares foram fechados, inclusive a Universidade de Cambridge. As pessoas mais ricas voltavam para o campo, ficavam em casa, isoladas, para diminuir o risco de pegar a doença.

Nesse ano, Newton teve que voltar para a casa da sua família. Ficou lá, bem recluso. E foi ali, longe das grandes bibliotecas, das salas de aula e dos colegas, que transformou nossa visão sobre o mundo e o universo. Nesse ano de retiro, construiu suas principais descobertas, inclusive a lei da gravitação universal, que explica a força da gravidade! Com ou sem a maçã.

Um pouco de intriga

A história conta que um outro cientista, chamado Robert Hooke, foi quem instigou Newton para chegar até a gravidade. Hooke tinha algumas ideias transformadoras sobre o movimento dos planetas. Mas não era muito bom em matemática.

Então levou seus pensamentos e dúvidas para Newton, esperando que ele o ajudasse com as contas. Newton começou a pensar sobre essas questões todas, mas nem mesmo continuou a conversar com Hooke. Afinal, ele estava bem isolado. Não queria trabalhar junto com ninguém.

E a história também conta que Hooke não ficou nada feliz quando as descobertas de Newton foram divulgadas, anos depois… Para ele, o físico tinha roubado suas ideias! Não era bem por aí, mas esse Newton não era nada fácil mesmo.

E ninguém sabia sobre as descobertas de Newton

Newton fez todas aquelas descobertas incríveis, sozinho, na casa da família! Ele deve ter corrido para contar para todo mundo! Nada disso… Lembra? Ele estava isolado, querendo fugir de polêmica e era uma pessoa muito fechada e difícil.

Pois é. Ele fez essas descobertas sensacionais, mas não publicou nada! Não mostrou para ninguém. E alguns anos depois, ele voltou a Cambridge, como professor de matemática.

Mas a história não acaba aí! Aquele telescópio que Newton havia inventado, algum tempo antes, fez com que seu nome ficasse conhecido entre os astrônomos. Mesmo enquanto ele não estava muito preocupado em escrever livros e divulgar as suas ideias.

É aí que outro personagem entra na história. Halley trabalhava no famoso observatório de Greenwich, e era um dos astrônomos favoritos do rei da Inglaterra! Como outros cientistas, ele queria entender as órbitas dos planetas. E escutou falar do nome de Newton, e que ele poderia ajudar.

Um mundo sem Halley não conheceria as ideias de Newton

Halley foi atrás do físico! Era o ano de 1684. E Halley fez suas perguntas a Newton. Não só conseguiu as respostas como ficou muito impressionado! Depois disso, o astrônomo continuou conversando com Newton. Queria convencer o físico que ele deveria publicar as suas descobertas.

Ele tinha um jogo de cintura… E uma hora, deu certo. Conseguiu instigar Newton a escrever sua maior obra! Três volumes de um livro chamado Principia. Halley trabalhou quase como um editor.

Conseguiu algum dinheiro de patrocínio e também pagou do próprio bolso a publicação dos livros. Mais que isso, ele divulgou na Inglaterra e na Europa o trabalho do físico! Se não existisse Halley, muito provavelmente a gente nunca saberia das ideias de Newton.

Poucos livros foram tão importantes e também tão difíceis de ler. Newton não usou nada simples. Explicou suas descobertas com muita geometria e uma matemática bem complicada. Outros grandes matemáticos e cientistas que vieram depois ajudaram a tornar o que Newton escreveu mais compreensível.

E eram ideias tão importantes, que viraram a base de muita coisa da ciência, em todo o mundo! Ele conseguiu fazer uma coisa que ninguém tinha feito antes: juntou a ciência da Terra e do espaço. Por isso, chama-se Lei da Gravitação Universal. Universal, de tudo.

 

O Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas é um podcast do projeto Minas Faz Ciência, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Roteiro de Luiza Lages, com assessoria científica do professor Eduardo de Campos Valadares, do Departamento de Física da UFMG.

 

Para saber mais sobre a vida e o trabalho de Isaac Newton, acesse nosso conteúdo de apoio a pais e professores, no portal Minas Faz Ciência.

Sobre o(a) autor(a)

Luiza Lages

Luiza Lages

Jornalista, radialista e mestre em Comunicação Social pela UFMG. Repórter da Minas Faz Ciência e editora dos podcasts Ondas da Ciência e Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas.
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