A professora e pesquisadora Silvia Ventorini, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), começou a pesquisar cartografia tátil quando cursava Geografia na faculdade, há 17 anos.

Você já ouviu fala em cartografia tátil?

A cartografia tátil é a arte de fazer mapas em alto relevo. Você pode tocar para entender o espaço que está sendo representado.

É uma linha de ensino (faz material didático, mapas, gráficos, maquetes) e orientação para mobilidade (mapas que ficam em metrôs e repartições públicas para orientação e mobilidade das pessoas cegas).

A cartografia tátil não faz materiais para o uso exclusivo de pessoas cegas: uma das preocupações de quem trabalha com esse tipo de mapa é torna-lo acessível para as pessoas que enxergam também. Por isso, material é feito em cores e tem instruções na escrita convencional, além do Braille.

“Quando você faz um material desses, é para ser usado por todos. Essa é a ideia do desenho universal: atender às necessidades das pessoas com deficiência visual, com baixa visão e também das pessoas que enxergam”.

Material didático para tocar

A professora Silvia trabalha com a produção de material didático e adaptação de ferramentas de ensino para que estudantes cegos e videntes possam compartilhar das informações em sala de aula.

Ela também ensina técnicas de produção desse tipo de material para professores. “Como você usa esse material quando tem um aluno cego e outro que enxerga na sala de aula? Esse é um grande desafio e nós fazemos pesquisas para desenvolver metodologias que auxiliem o professor nessa tarefa”.

Nas maquetes desenvolvidas pela professora Silvia, além de poder tocar, os alunos podem também ouvir informações em áudio que explicam o que a maquete está representando. Para o aluno que enxerga, o uso não depende do toque, mas a informação tátil e em áudio também contribui para o entendimento.

“Nós, que enxergamos, pegamos a informação primeiro pelo canal visual, mas também tocamos para compreender melhor os objetos. No material tátil, embora a criança que enxergue tire um pouco de informação visual, ela também toca o material, isso é prazeroso e auxilia no aprendizado”.

Mapa Mundi em cartografia tátil
Registro do trabalho de Cartografia Tátil realizado com alunos com deficiência visual total da professora Débora Zórnio. Ela leciona na Escola Estadual Pedro Brandão dos Reis em José Bonifácio, SP. Foto: Reprodução IBGE

Mais de um sentido

Para crianças que enxergam e que não enxergam, a experiência do material tátil é enriquecedora, e colabora para a inclusão: um ajuda o outro, quando o material atende as necessidades dos dois. O trabalho em grupo é muito importante!

O termo técnico para essa experiência da cartografia tátil é “didática multissensorial”, que quer dizer que a gente é capaz de aprender informações a partir de diferentes sentidos, como o tato, a audição e a visão.

“Precisamos usar mais todos os outros sentidos na escola, não só a visão. Brincar com massinha, construir maquetes, colar e cheirar objetos são também experiências de aprendizado em que usamos todos os nossos sentidos”, explica a professora.

Estudante cego e estudante vidente aprendendo com maquete
Estudantes cegos e videntes trabalham em conjunto para aprender com as maquetes e a cartografia tátil. Registro do trabalho realizado com alunos com deficiência visual total da professora Débora Zórnio. Ela leciona na Escola Estadual Pedro Brandão dos Reis em José Bonifácio, SP.

No site do IBGE você pode ver mais fotos de um projeto desenvolvido na Escola Estadual Pedro Brandão dos Reis em José Bonifácio, SP, como o exemplo da foto acima.

Exploramos o mundo através da mediação do outro e também pelo nosso corpo. É brincando juntos, usando todos os sentidos, que a gente aprende e descobre várias coisas sobre a natureza e o lugar em que a gente vive.

Sobre o(a) autor(a)

Verônica Soares

Verônica Soares

Jornalista e curiosa! Gosto de ler e estudar sobre comunicação, história e ciências.
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