Um das coisas mais legais de trabalhar com ciência é poder descobrir e redescobrir. Na área da biologia, por exemplo, grandes e pequenas descobertas fazem toda diferença para o conhecimento da natureza. Os biólogos trabalham observando, catalogando e descrevendo animais e plantas em floresta do mundo todo.

Recentemente, cientistas mineiros descreveram um novo gênero de caramujo (nome científico: minaselates paradoxa) encontrado na região do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no Norte de Minas. Além disso, outro grupo de cientistas registrou uma nova espécie de beija-flor: o asa-de-sabre-da-mata-seca (nome científico: campylopterus calcirupicola), encontrado em matas secas do Brasil.

Quer conhecer esses dois bichos? Embarque nessa descoberta com a gente!

Caramujo

O nome do novo caramujo descrito é uma homenagem ao estado de Minas Gerais, por isso se chama Minaselates. Ele é um molusco, ou seja, um animal invertebrado (sem espinha dorsal) que tem o corpo mole.

Novo caramujo minaselates paradoxa visto bem de perto. Foto: reprodução da Revista Zoologia
Novo caramujo minaselates paradoxa visto bem de perto. Foto: reprodução da Revista Zoologia

Possui uma concha calcária que protege o corpo e dá sustentação. O casco do minaselates paradoxa tem uma aparência granulada, fica grudado ao corpo do animal e parece uma verdadeira escultura.

Detalhes da conha do minaselates paradoxa. Foto: reprodução da Revista Zoologia
Detalhes da conha. Foto: reprodução da Revista Zoologia

Ele faz parte de uma família chamada epiphragmophoridae. É bem semelhante aos seus parentes, mas tem algumas características especiais como, por exemplo, um rim comprido e fino que ocupa um bom espaço no corpo.

A descrição do molusco foi um trabalho das pesquisadoras Meire Silva Pena, da PUC Minas, Maria Gabriela Cuezzo, da Universidad Nacional de Tucumán (Argentina).

Elas coletaram várias conchas de caramujos presas em rochas dentro do parque nacional e também alguns bicinhos vivos. Os caramujos foram levados para estudos em laboratório.

“A descoberta mostra o quanto ainda precisa ser feito para desvendar o conhecimento da nossa diversidade, principalmente sobre os animais invertebrados”, afirma Meire Silva.

Beija-flor

A nova espécie de beija-flor foi descrita com base em estudos feitos nos últimos 18 anos em campo e museus nacionais e internacionais. Mais de 1.000 beija-flores foram analisados para diferenciação com espécies parecidas.

O asa-de-sabre-da-mata-seca ganhou este nome porque gosta de viver em florestas de mata seca, que possuem rochas calcárias. No Brasil, este beija-flor pode ser encontrado no norte de Minas Gerais, além dos estados de Goiás e Bahia.

O novo beija-flor é menor e tem cauda mais leve que seus parentes. As penas são geralmente verdes metalizadas, com manchas pretas e brancas. O asa-de-sabre-da-mata-seca se alimenta do néctar de flores nativas e exóticas das florestas onde vive.

O asa-de-sabre-da-mata-seca pode ser encontrado no norte de Minas Gerais, além dos estados de Goiás e Bahia. Foto: Reprodução Revista Zootaxa
O asa-de-sabre-da-mata-seca pode ser encontrado no norte de Minas Gerais, além dos estados de Goiás e Bahia. Foto: Reprodução Revista Zootaxa

A descrição do beija-flor foi um trabalho dos pesquisadores Leonardo Esteves Lopes, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Marcelo Ferreira de Vasconcelos, do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, e Luiz Pedreira Gonzaga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os especialistas consideram que o asa-de-sabre-da-mata-seca é uma espécie vulnerável por causa das ameaças enfrentadas em seu habitat.

“Por apresentar distribuição restrita a um habitat específico que vem sendo rapidamente degradado por desmatamento e exploração de calcário, a espécie já é descrita com a sugestão de que esteja ameaçada de extinção. Este é um exemplo de como estudos de biologia (taxonomia) podem auxiliar na conservação de espécies e seus habitats”, explica Marcelo Ferreira.

050Fontes das informações: Assessoria de imprensa da PUC Minas e artigos originais dos pesquisadores: Minaselates, a new genus and new species of Epiphragmophoridae from Brazil (Gastropoda: Stylommatophora: Helicoidea) e A cryptic new species of hummingbird of the Campylopterus largipennis complex (Aves: Trochilidae).

Sobre o(a) autor(a)

Luana Cruz

Luana Cruz

Jornalista, professora e pesquisadora. É mãe dos gêmeos Martin e Heitor.
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