Esta não é a história do encontro (de verdade) entre dois simpáticos insetos, mas sobre como a própria reportagem foi planejada e escrita. Nossa ideia inicial era conhecer melhor um certo Ctenomorphodes chronus, o nome científico do famoso e misterioso bicho-pau (Fala, sério! Esse “apelido” popular também é bem engraçado, né?!).

Para tal, procuramos um pesquisador apaixonado pelo assunto, que já realizou muitas palestras e até escreveu um livro inteiro sobre o tal bichinho. Estamos falando do professor Ângelo Barbosa Monteiro Machado, que é entomólogo, nome que se dá a quem estuda os insetos.

Ao chegarmos ao lar, doce lar do cientista, logo entendemos o seu gosto pelos animais. Afinal, ele tem um quintal enorme, cheio de árvores grandes, com muitos passarinhos e pequenos bichos.

Além disso, dentro de casa – imaginem! –, ele montou um laboratório particular, onde guarda mais de 35 mil libélulas (a coleção foi doada em 2015 para a UFMG), além de besouros, borboletas e aranhas de diferentes espécies.

Tudo fica guardado em gavetas identificadas, e muito bem organizadas, para facilitar os estudos.

Durante a entrevista, Ângelo Machado falou sobre as expedições que fez à Amazônia em busca de libélulas, descreveu algumas espécies da África e nos confessou que quase foi atacado por marimbondos em um rio.

Enquanto contava essas histórias incríveis, os olhos dele brilhavam! (E brilharam ainda mais quando ele se lembrou daquele que despertou seu gosto pelos insetos, o professor de ciências Otávio Marques Lisboa). 

A primeira libélula…

Com tanta história legal, o tempo passou devagar na casa-laboratório de Ângelo Machado, que nos contou, ainda, as peripécias de quando descobriu o nome da primeira libélula vista por ele, aos 15 anos, com a ajuda do professor Newton Santos.

Bastante curioso, o jovem precisou pesquisar muitos dias, em um documento escrito à mão, sobre o nome correto da espécie, pois seu mestre não quis lhe contar tudo assim tão rápido.

Depois disso, Ângelo percebeu que, quando a gente investiga, pesquisa, estuda e procura, é muito mais gostoso aprender.

Por causa da pesquisa que fez a pedido de seu professor, ele escolheu estudar libélulas por toda a vida – e, ao longo da carreira, descreveu nada menos do que 48 novas espécies e quatro gêneros do inseto.

Para os estudos de Taxonomia, como aqueles desenvolvidos pelo professor, as libélulas se mostram muito importantes.

No ecossistema, elas são predadoras e se alimentam de outros insetos – principalmente, de mosquitos e moscas. Ao fazer isso, garantem o equilíbrio biológico do ecossistema de forma natural.

Mas não foi só por isso que Ângelo Machado começou a estudá-las. A beleza das espécies e a alegria dele ao pesquisar fizeram com que continuasse nesse caminho. Além do mais, há coisas muito legais sobre as libélulas. Você sabia, por exemplo, que, quando elas parecem lavar o bumbum na água, estão, na verdade, botando seus ovos?

Cadê o bicho-pau?

Imagino que, agora, você esteja pensando: “Cadê o bicho-pau nessa história toda?”. Pois é, durante a conversa, a felicidade do professor ao falar sobre libélulas nos fez falar sobre o bicho-pau só ao final da entrevista.

Foi aí que descobrimos um pouco mais sobre esse curioso inseto, que tem o poder do disfarce. Sim! Ele é um verdadeiro mágico do mundo animal, pois sabe se adaptar à natureza.

Se ele está em perigo, ou perto de algum predador, fica parado por muito tempo, como se fosse um graveto, até que a situação fique mais tranquila. E, para nós, seres humanos, ele não faz mal algum.

“O bicho-pau se alimenta, basicamente, de ervas e pequenas folhagens e bota ovos para se reproduzir”, explica Ângelo Machado.

Por sempre ter achado o inseto muito curioso, o professor escreveu o livro O dilema do bicho-pau,  que conta, exatamente, a dificuldade do bichinho em compreender que, em certas horas, é bicho, e, em outras, um pedaço de pau.

Para saber mais

bicho-pau

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