Pesquisadores produzem álcool em gel feito à base de cachaça para doações

Álcool em gel foi estudado, analisado e padronizado para que a produção ficasse dentro das normas que atendem à higienização

O álcool em gel é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como forma de higienização das mãos, a fim de evitar a transmissão do novo coronavírus. ‘Queridinho’ da população, o produto até chegou a faltar nas prateleiras no início da pandemia e é, atualmente, um item indispensável nas poucas saídas para realizar atividades essenciais.

Buscando ajudar a sociedade nesse momento, pesquisadores dos laboratórios de Análise de Qualidade da Cachaça e Química Orgânica/Óleos Essenciais da Universidade Federal de Lavras (Ufla) estão produzindo e doando álcool em gel feito à base de cachaça. O grupo já produziu quatro remessas que foram doadas às entidades filantrópicas, asilos, presídios, polícias Civil e Ambiental, além de todos os funcionários da universidade.

Atualmente a iniciativa, que contou com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) e de professores dos departamentos de Química e Ciências dos Alimentos da Ufla, pretende fazer de 2 mil a 2.500 litros de álcool em gel para serem distribuídos.

“Fala-se muito em pandemia, mas esses novos hábitos deverão continuar por muito tempo. Afinal não sabemos o que vem por aí”, explica professora Cardoso.

FABRICAÇÃO: UM PROCESSO CIENTÍFICO

A professora explica que os produtores de alambique quando vão fazer a cachaça recolhem três frações. “A primeira é rica em componentes voláteis, a segunda é a alma da bebida, a própria cachaça, e na terceira temos os componentes mais pesados. Tanto a primeira quanto a terceira possuem componentes indesejáveis e não devem estar na bebida”, afirma a pesquisadora.

Foto: acervo pesquisador

Os produtores descartam essas frações ou, o mais comum, as destilam em uma coluna própria e aproveitam o álcool obtido para usar na sua propriedade.

Para produzir o álcool em gel a equipe adquiriu o álcool, obtido da primeira e terceira fração da cachaça com os produtores de alambique da região. “Adicionamos pasta de carbopol, estabilizante, antibactericida, gotas de óleo essencial e preparamos uma mistura baseada em cálculos estequiométricos. Também fizemos a medida do pH e do grau alcoólico, tudo padronizado para não ter problema e nem irritar a pele”, ressalta a professora que também é especialista em óleos essenciais.

Resultado

O resultado é um álcool em gel viscoso, fruto de pesquisa acadêmica. Cardoso frisa que o produto foi estudado, analisado e padronizado para que sua produção ficasse dentro das normas que atendem à higienização.

“Apesar de ser produzido de resíduos de cachaça, o produto teve base em cálculos feitos em laboratório, ressaltando a importância da pesquisa atrelada a extensão. Ou seja, não é para nenhum produtor tentar fazê-lo, pois corre o risco de se queimar ou queimar alguém, além de irritar a pele”, destaca a especialista.

Cardoso ressalta, ainda, a importância de ações como essa, não apenas no período de pandemia. “É muito bom ajudar, sem olhar a quem, essas atitudes de ajuda ao próximo fazem bem para a vida das pessoas”.

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