Entenda o que é linguagem de programação e a importância dela para computação

Informações sobre a criação de uma linguagem de programação que torna possível, hoje, usarmos celulares, tablets e notebooks

Por Luana Cruz e Luiza Lages

Nos primórdios da computação, nos anos 1940, os computadores eram imensos e ocupavam salas inteiras. O comando dessas máquinas era feito ligando e desligando fios. Mas, afinal, como chegamos ao universo da tecnologia da informação que vivenciamos hoje? Criou-se uma linguagem de programação, invenção que teve grande contribuição da matemática Grace Hopper, e que você vai conhecer no quinto episódio do podcast infantil Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas. A produção dá sequência a uma temporada com oito áudios que apresentam histórias sobre a vida de grandes nomes das Ciências, conceitos, teorias e acontecimentos científicos.

Leia o conto aqui e escute o podcast:


Grace Hopper era militar da marinha americana e trabalhava em um projeto de computação na Universidade de Havard. Por causa da sua formação em matemática, teve a oportunidade de criar mecanismos para promover a comunicação com computadores.

Na época, não existia a programação como conhecemos hoje. As máquinas eram operadas manualmente, na maioria das vezes, por mulheres, conforme explica a professora Kécia Ferreira, do Departamento de Engenhara de Computação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), que foi consultora para o episódio. “Hopper contribuiu, junto a uma equipe, para a criação de uma linguagem chamada Cobol. O Cobol é usado até hoje, principalmente em bancos, pois facilita cálculos muito comuns na área financeira”, explica.

Interagindo com os computadores

Foi necessário criar essa linguagem porque a operação manual ficava cada vez mais inviável para resolver problemas complexos. “Precisava-se de uma forma de interação entre seres humanos e o computador. A máquina é formada por uma série de equipamentos por onde transita energia. Na computação, a gente traduz essa energia em bits e bites. A informação é interpretada em zeros e uns. A presença de energia é representada pelo um e a ausência, pelo zero”, explica a professora do CEFET-MG.

Seria muito difícil fazer um programa complexo como Facebook, por exemplo, ligando e desligando fios o tempo todo. Por isso existe a linguagem de programação, uma forma de nós interagirmos e comandarmos as máquinas. “A gente escreve um texto usando tipo um dialeto, que denominamos linguagem de programação. Algumas das mais comuns hoje são Java, C++ e Python”, afirma Kécia Ferreira.

Trajeto da programação

Uma linguagem de programação é usada para dar comandos, como fazemos ao escrever uma receita de bolo, indicando o passo a passo para chegar no objetivo. “Se preciso que o computador faça uma conta para mim, funcionando como calculadora, preciso programar essa máquina. Então, escrevo um texto numa linguagem de programação composta por palavras que nós chamamos de lexema”, detalha.

O programa de computador é uma sequência de palavras, porém não é na língua humana e sim, uma língua caracterizada como baixo nível. “Se eu entregar um texto digitado no Word para um computador ele não vai entender o que está escrito ali. Precisamos partir da linguagem humana, até chegar num nível de energias (zeros e uns). É um caminho longo”.

Nesse trajeto, é fundamental o trabalho de um “ajudante” que traduz a linguagem de programação para a máquina: o compilador.  “Ele faz um link entre o que o humano escrever e o que o computador vai entender. O computador só é capaz de compreender em baixo nível”, conclui a professora.

Matemática, computação e guerra

Na época de Grace Hopper não havia cursos de computação como existem hoje, por isso os que trabalhavam com as tecnologias eram, majoritariamente, matemáticos e matemáticas. Além disso, muitas evoluções da computação surgiram de necessidades ligadas à guerra e ao trabalho dos exércitos.

“A questão da criptografia, por exemplo, evoluiu muito em função de um país precisar se comunicar sem que outro conseguisse compreender o que era falado. A linguagem de programação surgiu também nesse contexto”, conta.

Como militar, Hopper conviveu com esse cenário. Encarou o desafio de ser uma mulher no papel de mentora de uma equipe e deixou uma marca importante na história. “Era um contexto de Exército, em que até hoje mulheres têm pouca visibilidade”, destaca Kécia Ferreira. Por esse e outros feitos, quem trabalhava com Hopper a chamava de Amazing Grace, ou seja, incrível Grace.

Cobol

Até hoje existem programadores que trabalham com Cobol, mas é uma linguagem que, praticamente, ficou para trás. De toda forma, foi um “embrião” importante para a história da computação. “Existem alguns programas escritos em Cobol que operam bancos e companhias aéreas, atualmente. Essas empresa optaram por manter os programas em funcionamento porque reconstruí-los ficaria caro e talvez não funcionassem tão bem”, diz Kécia Ferreira.

Se não existisse essa transformação lá no início, da qual fez parte Grace Hopper, não teríamos o uso de máquinas que existe atualmente. “Havia alguém preocupado em desenvolver formas melhores, mais eficientes, mais adequadas de comandar a máquinas”, conclui a professora do CEFET-MG.

Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas

Este texto sobre Grace Hopper é um conteúdo de apoio ao quinto episódio do podcast infantil Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas. O objetivo desta postagem é explorar os conceitos científicos, dando suporte a pais, responsáveis e professores. Assim, fica mais fácil ouvir o episódio com a criançada.

Episódios anteriores:

1 – Uma batalha interna, no Mundo de Rafa

2 – A vida de uma estrela

3 – Vida de libélula

4 – Um conto sobre o crescimento da população

Conteúdo Relacionado