Entender o ambiente natural onde vivemos, explorar a fisiologia das espécies e o uso que se pode fazer das plantas são algumas das missões da Botânica. Em Minas, Gerais, especialmente, a presença de biomas como o Cerrado, Caatinga, Mata Seca e Mata Atlântica instigam cientistas a discutir diversidade e uso da flora. Em 17 de abril, é comemorado o Dia Nacional da Botânica, por isso conversamos com a professora Isla Azevedo, da Unimontes, para entender debates prioritários para essa área.
De acordo com cientista, os estudos em Minas – principalmente na Região Norte – partem para as pesquisa considerando cenário de desertificação, uma composição de paisagem semiárida e alvo de ações do homem que agravam o quadro modificação ambiental.
O Norte do estado é faz parte das Áreas Susceptíveis à Desertificação e as perspectivas de alteração dos ambientes naturais, além da susceptibilidade às mudanças globais do clima, expõem a fragilidade da região, de seus ecossistemas e dos povos tradicionais associados.
Diante desse cenário, é importante a consolidação e divulgação de projetos e pesquisas que abordem os impactos e medidas de conservação e valorização da biodiversidade, bioprospecção e o conhecimento tradicional da utilização das plantas na região.

Descrição e aplicação
Há duas linhas essenciais de estudos em Botânica desenvolvidas por pesquisadores da Unimontes. O recém-criado Mestrado Acadêmico em Botânica Aplicada tem como objetivo formar e aperfeiçoar recursos humanos com capacidade de conhecer e utilizar a diversidade vegetal dos biomas presentes no estado.
Uma das linhas é de descrição e organização da flora em que se busca entender o contexto dos biomas, levantar espécies, além de coletar informações sobre reprodução, anatomia e fisiologia das plantas. O segundo viés é de uso da flora com foco em extração de vegetais para controle de parasitos (ou ações antimicrobianas, larvicidas), aplicação para manejo e conservação da diversidade vegetal, bem como na restauração ambiental do semiárido.
A professora Isla Azevedo desenvolve pesquisas na área há mais de 10 anos. “Temos trabalhos de descrição da flora e ambientes de mata seca e na matar ciliar do Rio Pandeiros, importante afluente do São Francisco. Também são importantes nossos estudos com a descrição das veredas, muito importantes ao cerrado e relacionadas à questão da água. Há investigações sobre biologia reprodutiva, anatomia e fisiologia das plantas para entender como se adaptam ao ambiente de aridez”, detalha.
Outro estudo relevante é a “Bioprospecção de espécies-chave de Veredas”, coordenada pela professora Yula Roberta Ferreira Nunes e fomentada pela Fapemig. “Nessa pesquisa, destacamos duas espécies, o Buriti e o Xiriri. São palmeiras importantes que caracterizam o ambiente da região norte e são usadas pelos veredeiros, população tradicional do entorno. Estudamos a ocorrência de flor e fruto na espécie e a anatomia interna. Também avaliamos o potencial de uso contra parasitos. Elas foram testadas contra carrapatos com resultados muito bons”, explica a professora Isla Azevedo.
Simpósio
Na próxima semana, o Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Botânica Aplicada da Unimontes promove o II Simpósio Botânica Aplicada. Palestras, conferências, minicursos e exposições vão tratar do múltiplo uso das plantas do semiárido. A conferência de abertura vai debater: “Botânica Para Quê e Por Quê”, com a professora doutora Rosy Mary dos Santos Isaías, do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Minas Gerais.
“Importante trazermos no simpósio esta ideia da Botânica não só para pesquisa, mas para cotidiano das pessoas. Estamos preocupados em dar retorno para a sociedade sobre os resultados das nossas pesquisas”, finaliza a professora Isla Azevedo.
SERVIÇO
II Simpósio de Botânica Aplicada
Data: 15 a 17 de abril
Local: Auditório da OAB Subseção Montes Claros
Informações: (38) 3229-8187
Site: https://simposiobotanicaap.wixsite.com/ppgbot