A gente já falou aqui sobre o processo de domesticação dos gatos. Contamos até que os bichanos já foram tratados como deuses no Egito Antigo, mas que também já foram vistos como vilões por serem associados a bruxaria e a doenças, como a toxoplasmose.

E acontece que, em tempo de coronavírus – sim, aquela doença que fez com que você e seus familiares ficassem em casa – com as pessoas sem entenderem muito bem de onde esse ‘serzinho’ vem, muitos estão pensando que os pets, como gatos e cachorros, também podem ter a doença. E mais! Que podem passá-la para os humanos.

Mas vamos com calma! Você precisa saber que não há nenhuma comprovação científica sobre isso. Além  do mais, apesar de um cachorro ter testado positivo para o novo coronavírus em Hong Kong, na China, o próprio comitê científico e de saúde única da Associação Mundial de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que não há evidências de que esses animais, possam ser infectados ou transmitir a doença.

Tenho animais, o que devo fazer então? Lavar as mãos!

química felina

Lavar as mãos com sabão, não evitam apenas o coronavírus, mas várias outras doenças. Foto: Pixabay

A verdade é que esse simples gesto não te protege apenas dessa nova doença. A OMS (lembra dela?) recomenda lavar as mãos com sabão após o contato com animais, mas como proteção contra outras doenças como aquelas causadas por bactérias.

Comportamento animal

Mas se mesmo assim, você acha que o seu gatinho está estranho é simples: se comunique com ele. Não está entendendo? Calma, é tudo questão de química.

Se você tem gato já deve ter reparo que os felinos costumam acariciar as pessoas e objetos com um envolvente roçar de seu corpo, que começa com a cabeça e termina com a cauda. Mas você sabe o que significa isso?

Segundo o professor do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Sérgio Bambirra, especialista em bem-estar e comportamento animal, ao fazer isso o gato comunica seu pertencimento social. Ou seja, é uma forma dele demarcar um ambiente familiar, produzindo a sensação de tranquilidade e bem-estar.

Química felina

E o que a química tem a ver com isso? Acontece, que essa forma de comunicação, está associada ao funcionamento de glândulas situadas em diferentes partes do corpo do animal, que liberam os famosos feromônios. Essas substâncias aderem às pessoas e à superfície dos objetos e são reconhecidas apenas pelos próprios gatos.

Então ele está me cheirando? Não.

Acontece que os feromônios estimulam um órgão especial conhecido como vomeronasal localizado entre a parte interna da boca e o nariz do gato. Dessa forma, o caminho percorrido para chegar ao cérebro do bichano pelo feromônio é diferente do que ele cheira (percepção olfativa), o que faz que elas sejam vistas pelo animal de forma separada.

coronavírus e gatos

Imagem meramente ilustrativa. Foto: Pixabay

Miau-miau

Confira outras formas que o bichano usa para se comunicar e que estão ligadas aos feromônios.

  • Massagem com as patas: o filhote massageia sua mãe durante o aleitamento para estimular as glândulas mamárias, mas também para deixar seu cheiro na mãe e ser impregnado pelo cheiro dela. Esse comportamento é repetido durante a vida com pessoas e objetos, quando o animal se encontra em situações muito relaxantes e confortáveis.
  • Arranhadura: consideradas marcações visuais, também é uma forma natural de remover uma cutícula que cresce debaixo das garras do felino.
  • Borrifada ou spray de urina: forma de demarcação territorial por meio da pulverização de pequenas quantidades de urina contendo feromônios, sobre superfícies – geralmente verticais – e objetos.

Com informações do DCOM / UFLA e Gláucia Mendes