“Poesia é voar fora da asa”.

Diante de frase tão recheada de mistério, nascida da imaginação do poeta Manoel de Barros, o que, exatamente, você sente? Já pensou em voar para além da asa?!?!

Aliás, o que os livros significam para ti? Ao ler ou ouvir uma história cheia de aventuras, por exemplo, você costuma viajar para beeeeem longe, só com a mente e o coração?

Pois vou te contar uma coisa: sabia que certos cientistas se dedicam a estudar, justamente, o estilo e os muitos enigmas por trás da obra de nossos autores e autoras prediletos?

O professor Mário Alex Rosa é um deles! Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), ele diz que há muitas e muitas maneiras de estudar as obras literárias.  

“O pesquisador pode analisar documentos originais, deixados por um escritor. Grande parte desse material esse guardada em bibliotecas e universidades”, conta.

Para ter acesso a esses papéis incríveis, é preciso ter autorização. Dó assim o estudioso poderá averiguar correspondências, recortes de jornais, livros e outras tantas anotações deixadas pelo escritor.

“Esse tipo de pesquisa a descoberta de inéditos ou a comparação dos originais com a versão final, publicada em livro. Serve, também, para organizar, por exemplo, a correspondência entre dois escritores”, destaca Mário Alex.

Além disso, os cientistas dedicam-se às análises de livros. Trata-se de obras dos gêneros romance, poesia, conto ou crônica etc.

“Pesquisar Literatura, enfim, é tentar desvendar os mistérios e os motivos possíveis na criação de cada autor”, completa.

 
Descobrir… versos!

Segundo Mário Alex Rosa, muitas pessoas associam o cientista ao homem ou à mulher que descobre coisas – e trabalha em laboratórios, sempre a experimentar fórmulas. 

Ou seja: o pesquisador seria aquele que precisa comprovar algo em processo de experimentação.

“Pense, agora, em um cientista da área de estudos literários! Ele não precisa, necessariamente, comprovar verdades, mesmo porque seu objeto de estudo são as criações literárias, inventadas por algum escritor ou poeta”, explica.

Isso não significa, porém, que o especialista em Literatura não use teorias para “cientificar”, digamos assim, o que pesquisa ou analisa.

“Há teorias nas áreas da Literatura e da Linguística. Elas seriam as ferramentas de tal cientista, para avaliar e estudar romances, contos, crônicas, teatro, poesia etc.”, explica o professor.


Dia a dia

Ops! Pintou, agora, outra curiosidade: como deve ser a rotina de um professor de Literatura?!

Mário Alex Rosa explica: “O cotidiano dele é, essencialmente, ler, ler, ler, anotar, anotar, anotar”.

E o que, exatamente, lê tal pesquisador dessa área?!

“As obras dos escritores, as teorias sobre Literatura, os textos sobre as obras dos escritores. Ser professor nessa área é passar a vida a ler e reler tudo – ou quase tudo – que se refere ao universo literário”, completa.