As belas asas das borboletas podem parecer apenas um enfeite sem vida já que são quase transparentes.

Muitos acreditavam que eram compostas apenas por células mortas.

Mas não é bem assim. Agora, os pesquisadores sabem que elas possuem na verdade até mesmo um “coração”, que bate algumas dezenas de vezes por minuto para controlar o fluxo sanguíneo.

Com muita dificuldade, por causa da estrutura tão delicada, pesquisadores conseguiram utilizar câmeras térmicas de infravermelho para medir a temperatura das asas de mais de 50 espécies de borboletas.

O estudo revelou que as asas tinham características distintas que ajudavam os insetos a se refrescarem.

A primeira característica identifica foi uma substância espessa chamada quitina, que cobre veias nas asas. O sangue de inseto (chamado hemolinfa) flui através dessas veias. 

A quitina é mais espessa sobre as veias. E libera excesso de calor. A quitina também é o que dá ao resto da borboleta seu exterior resistente.

Outra parte da asa identificada foram os nanotubos. Estes tubos ficam nas estruturas das asas, conhecidas como “almofadas de perfume”. Essas almofadas emitem certos cheiros que os machos podem usar para atrair parceiros.

Os tubos ajudam a manter as almofadas ocas. Quanto mais ocas ou espessas as estruturas, melhor a irradiação de calor, explica o cientista Nanfang Yu, físico da Universidade de Columbia, em Nova York. 

Para recriar o ambiente natural das borboletas, os pesquisadores simularam a luz do sol usando uma lâmpada. Eles descobriram que as células vivas nas asas dos insetos podem identificar a direção e intensidade da luz, reagindo manter uma temperatura ideal – por exemplo, fechando-se ou inclinando-se.

Uma câmera térmica registrou esse processo de resfriamento das asas, destacando os locais pelos quais o calor era dissipado.

A câmera foi fundamental para observar as estruturas frágeis das asas sem perturbá-las.

No final do estudo, os cientistas produziram mapas coloridos da distribuição de temperatura nos insetos. Os mapas de calor mostram a faixa estreita de temperatura na qual as borboletas sobrevivem melhor – suas asas ficam rapidamente superaquecidas no sol, enquanto o frio pode diminuir o fluxo sanguíneo e limitar seus movimentos.

O estudo dele foi publicado na revista Nature Communications em janeiro deste ano.

De acordo com Adriana Briscoe, bióloga evolucionária da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA) que também estuda a termorregulação em borboletas, a elevação das temperaturas no mundo todo pode impor dificuldades de adaptação a esses animais.

Próximos passos

Segundo os pesquisadores, as técnicas de regulação da temperatura nas asas das borboletas podem nos ajudar a desenvolver melhores aeronaves resistentes ao calor.

Isso seria muito útil, uma vez que aviões comerciais já foram forçados a pousar devido a altas temperaturas.

“Esta é uma inspiração para projetar as asas de máquinas voadoras. Talvez o design das asas não deva basear-se apenas em considerações da dinâmica de voo”, disse Nanfang Yu.

*Com informações da revista Nature e da Science News