Por Luana Cruz e Tuany Nathany 

É possível sim definir se o seu cãozinho é entusiasmado, cheio de energia, deprimido, ansioso ou corajoso. Algumas pesquisas científicas usam questionários, aplicados aos donos de cachorros, para entender o mundo emocional dos bichos.

E você, já parou para observar o comportamento do seu animal de estimação? Uma pesquisa recente, publicada em revista internacional e com participação de cientistas de Minas Gerais, reforçou a importância de compreender o comportamento dos cães em diferentes culturas.

O estudo mostrou dados curiosos:

  1. Cães de tutoras mulheres são mais medrosos. O mesmo se aplica aos cachorros castrados e aos que são os únicos bichos da casa.
  2. Cães mais velhos apresentam menor energia e risco maior de desenvolver depressão.
  3. Os animais sem raça definida são, ao mesmo tempo, mais medrosos e entusiasmados do que os cães de raça.

“Avaliar temperamento pode melhorar a qualidade de vida dos animais”, explica Angélica Vasconcellos, do Programa de Pós-graduação em Biologia de Vertebrados da PUC Minas, que participou de um estudo multinacional, com pesquisadores do Brasil e do Reino Unido, que resultou nessa publicação.

Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay

Melhor amigo do homem

A bióloga Anindita Bhadra, do Instituto de Educação e Pesquisa Científica de Calcutá, na Índia, pesquisa há anos a população de cães de rua para provar que o cão é mesmo o melhor amigo do homem. O último trabalho da pesquisadora testou a reação dos animais a comandos de humanos desconhecidos.

O teste foi realizado em duas etapas nas ruas da região indiana de Bengala Ocidental. Na primeira fase, chamada de familiarização, uma pessoa mostrava ao cachorro de rua um pedaço de frango cru.

Depois de deixar o animal cheirar a carne, o petisco era colocado em um potinho, ao lado de um recipiente vazio. Depois disso, entrava em ação um instrutor que, sem saber onde estava o alimento, apontava para uma vasilha qualquer.

Mas atenção, o estudo apesar de ser engraçado contou com muito rigor científico. Tudo foi milimetricamente medido, com distâncias pré-estabelecidas entre os potes, o instrutor e o cachorro. Além disso, a equipe produziu relatórios sobre os 120 animais testados e filmaram os experimentos.

E o resultado?

Praticamente metade (59) dos doguinhos se aproximaram de algum dos potes — os outros ficaram parados ou saíram em outra direção, o que os cientistas associam com um estado de ansiedade e, possivelmente, resultado de experiências ruins anteriores.

Dos que se aproximaram, cerca de 80% (47 cães) foram na direção apontada pelo instrutor, independentemente do que havia lá.