Provavelmente você já ouviu a frase ‘tá nervoso, toma um suquinho de maracujá’. Essa fruta – redonda, azedinha e amarelinha com caroços pretinhos – é famosa por seus efeitos calmantes. Além de ser uma ótima opção de sobremesa, ou vai negar que um mousse de maracujá é tudo de bom?

Mas você sabia que Minas Gerais é o quinto maior produtor de frutas tropicais como o maracujá? E que, apesar da prática ser mais comum no Norte do Estado, diversos produtores das regiões Sul e Zona da Mata mineira têm tentado, com muito esforço, cultivar essa gostosura?

Por que será que eles enfrentam tanta dificuldade? Segundo o pesquisador e professor que coordena o Programa de Melhoramento Genético do Maracujazeiro da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Carlos Santos, esses problemas ocorrem graças ao clima das regiões, “uma vez que nesses locais a temperatura não é boa para o desenvolvimento do maracujá e frutas tropicais em geral”, explica.

Mudas de maracujazeiro. Foto: Carlos Santos.

Essa dificuldade acaba deixando o custo de produção da fruta alto. O que impacta, e muito, o preço do maracujá no hortifrúti o deixando bem ‘salgado’.

Para tentar resolver esse ‘problemão’ Carlos Santos desenvolveu, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), uma pesquisa sobre a Influência da temperatura do ar no desenvolvimento de mudas de maracujazeiro azedo.

O estudo levantou informações sobre a interferência da temperatura do ar na germinação e crescimento da planta. De acordo com o pesquisador, a ideia foi selecionar os genótipos (termo usado na genética para definir o conjunto de genes herdados por um indivíduo) mais adaptados ao clima da região.

Super maracujazeiros

E como isso foi feito? Por meio da seleção de plantas mais resistentes. “A escolha levou em consideração dois critérios: ser tolerante a baixas temperaturas e apresentar um rápido crescimento inicial das plantas durante a formação das mudas”, conta.

Flor do maracujazeiro azedo. Foto: Carlos Santos

No estudo, a equipe conseguiu verificar genótipos resistentes a temperaturas.  “Conseguimos também determinar a época mais adequada para produção das mudas de maracujazeiro para essa região”, conta Carlos Santos.

ESTRELA DO NORTE

No Norte de Minas Gerais as coisas podem ser mais fáceis, uma vez que a região tem uma condição climática melhor para o plantio da fruta. Mas se engana quem pensa que os produtores de lá não têm problemas com o maracujá.

Por isso, uma pesquisa do Estudo do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG, desenvolvida pela Juliana Fagundes, buscou entender quais espécies de maracujazeiro são boas para o Norte mineiro.

A pesquisadora analisou o crescimento de diferentes espécies e conseguiu apontar quais se desenvolvem melhor na região. Essas informações ajudarão os agricultores a tomarem decisões durante o plantio dos maracujás.

*Com informações do Cedecom/UFMG