O bem-estar dos animais é hoje uma grande preocupação de boa parte da humanidade. A forma como os bichos são tratados, alimentados e preservados. Na semana passada, demos dicas para cuidar do seu animal de estimação durante o calor, com ações simples e caseiras. Segundo o professor e veterinário Leonardo Boscoli, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), há muitos cientistas empenhados em entender as necessidades dos animais para que eles tenham conforto, principalmente aqueles que vivem em parques, aquários, zoológicos ou ambientes selvagens.

Vamos conhecer essas ideias que nos ajudam a entender as demandas físicas, funcionais e comportamentais dos animais?

Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay

Liberdades x domínios

De acordo com o professor, desde 1965, cientistas se dedicam ao estudo de comportamento dos animais. A partir dessas pequisas, sugiram ideias de que os bichos deveriam ter garantidas cinco liberdades, entre elas não ser privado de água e comida. Os zoológicos e parques se se alinharam a essa filosofia naquela época, mas muita coisa mudou até hoje.

“Hoje as pequisas apontam para a noção de cinco domínios. O animal não pode ser privado de alimento, mas também não pode ficar sem controle de obesidade. Ele precisa ter conforto na alimentação”, explica.

Atualmente, a Associação Mundial de Zoológicos e Aquários  – em inglês World Association of Zoos and Aquariums (WAZA) – adota o modelo dos cinco domínios, assim como o Conselho Federal de Medicina Veterinária no Brasil.

Conhecendo os domínios

O modelo foi criado a partir de duas grande experiências mentais dos animais:

A) os afetos: sentimentos e sensações que motivam animais a realizarem comportamentos considerados essenciais para sobrevivência.

B) percepção das circunstâncias externas: que incluem exemplos negativos como ameaça, medo, isolamento levando à solidão e baixo estímulo ao tédio; além de exemplos positivos como segurança engajando confiança e prazer dando origem a uma sensação de recompensa.

Dessa forma, os cientistas perceberam que era preciso garantir aos bichos cinco domínios:

  1. Nutrição: o consumo adequado de alimentos nutritivos sendo uma experiência agradável e permanente;

  2. Ambiente: boas condições que oferecem conforto e segurança;

  3. Saúde física: cuidados que garantem robustez e vitalidade;

  4. Comportamento: atividades variadas e desafios que sejam gratificantes;

  5. Estado mental ou afetivo: evitar experiências negativas relacionadas com a sobrevivência e priorizar conforto, prazer, interesse, confiança.

Foto: Reprodução do Manual Cuidando da Vida Selvagem (WAZA)

Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay

Respeito ao comportamento animal

Segundo Leonardo Boscoli, os pesquisadores percebem a cada dia o quanto os animais são inteligentes, por isso sentem a necessidade de respeitar ainda mais o comportamento das espécies. “Há grande dificuldade de comunicação entre seres humanos e animais, no entanto, sabemos que muitas espécies têm cérebros bem desenvolvidos, como o caso das orcas e golfinhos”.

O veterinário conta que os golfinhos são tão espertos que têm uma língua própria nos grupos que convivem. Pesquisas indicaram que eles dão até nomes para os componentes da família.

O veterinário afirma a necessidade de continuarmos estudando os animais. “É preciso investimento nas pesquisas sobre comportamento, pois a forma como os animais vivem influencia a sociedade. Eles fazem parte da sociedade”, conclui.

Com informações do Manual Cuidando da Vida Selvagem (WAZA)