Neste calorão, você sabe exatamente como lidar com seus animais de estimação? Quais os cuidados especiais são necessários para aliviar as altas temperaturas?

Belo Horizonte está tomada por uma onda de calor neste verão. Cães, gatos, passarinhos, peixes e outros bichinhos criados em casa sentem os efeitos do tempo. Se você está derretendo, seu animalzinho também pode estar.

Conversamos o veterinário e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Leonardo Boscoli, um especialista no assunto. Ele deu dicas importantes sobre os cuidados com os pets no calor.

A dica essencial é conhecer as demandas especiais de cada animal e raça, pois há muitas diferenças de comportamento e sensação térmica entre os bichos!

Um pouquinho de ciência para começar…

Segundo o professor, os animais sentem a variação de temperatura de um jeito variado:

Peixes e répteis são animais ectotérmicos: obtêm calor no meio ambiente, ou seja, dependem da temperatura externa. Se comem e querem digerir logo o alimento para obter energia, eles vão para uma pedra quentinha ou ficam no sol para aumentar a temperatura. Se está difícil achar comida, ficam em local frio para economizar energia.

Aves e mamíferos são são animais endotérmicos:  mantêm a temperatura corporal por meio de mecanismos internos, sem depender do meio ambiente. O próprio metabolismo consegue controlar a temperatura do corpo. Mesmo assim, pássaros se comportam de forma muito diversa dos cães e gatos, por exemplo.

Escolhemos falar mais desses dois últimos bichos…

Cães x gatos

De acordo com Leonardo Boscoli, os comportamentos diferentes influenciam na sensação de calor. “Os cães priorizam ficar junto com a matilha, antes de se preocuparem com o conforto próprio. Só abandonam um lugar, quando está extremamente desconfortável”, afirma. Isso quer dizer que seu cachorro vai preferir sempre ficar perto de você, pois interpreta que é a família dele.

Por isso, é preciso ter atenção: o cão vai ficar colado em você e pode ter uma insolação por não querer sair de pertinho. “É importante dar carinho, mas deixá-los mais independentes.  Você vai à praia e usa protetor solar, mas o seu o cão vai querer ficar ao seu lado e ele está desprotegido”, explica o professor.

O gato não insiste em ficar nos locais quentes. Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay

Com o gato, a preocupação é menor. Conforme o veterinário, o gato não insiste em ficar nos locais quentes. Se sentir desconforto, vai mudar de lugar procurando um espaço mais fresco, mesmo que isso signifique perder o carinho do dono naquele momento. “Um gato, provavelmente, só morrerá de insolação se ficar preso no sol, o que seria considerado maus tratos”, exemplifica Leonardo Boscoli.

Dicas para aliviar o calor

Você nunca deve passear com seu cachorro no sol quente. A melhor opção é escolher o início da manhã ou fim de tarde. “Na natureza, cães saem para caçar no crepúsculo, por isso é um bom horário para o passeio”, indica o veterinário. É preciso lembrar que, o fim de tarde é o horário predileto de mosquitos causadores de doenças aos cães. Não esqueça de usar repelente no animal!

Sempre escolha ficar em locais com sombra e frescos com o cachorro. Veja se ele está dando sinais de desconforto. “O cachorro não tem suor, como nós. Ele troca temperatura na respiração ou por meio da pele. As orelhas também o ajudam a resfriar o corpo”.

Se o cãozinho estiver ofegante, com a língua para fora e babando, é um sinal de alerta. Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay

Se o cãozinho estiver ofegante, com a língua para fora e babando, é um sinal de alerta. Ele pode estar com muito calor. “Toda vez que ele respira, joga muito vapor de água para fora. A baba é água quente saindo do corpo. Ou seja, ele está desidratando, por isso precisa beber muita água para se recuperar”, afirma o professor.

O gato também dá sinais de calor exagerado. Ele pode ficar respirando forte e ofegante. Se isso acontecer, é porque a situação está crítica, pois como já falamos, o gato não perde tempo em locais quentes.

Muitas raças, muitos costumes

Um erro comum, segundo Leonardo Boscoli, é tosar o cachorro no calor achando que ele vai ficar mais “fresquinho”.

O macete é manter o cão sempre tosado de acordo com o corte ideal para a raça.

“O Golden Retriever tem aquela juba e esses pelos no ombro dele servem para resfriar o corpo. Se medirmos a temperatura na barriga do Golden, vamos encontrar cerca de 38 graus no sol. Na região dos ombros, onde é mais peludo, a temperatura vai estar cerca de 10 graus mais baixa. Funciona como uma cama de ar isolante térmica”, exemplifica o professor.

O veterinário informa que existem 480 raças de cães reconhecidas, além das misturas. “Cada seleção genética propicia temperaturas, ambientes, metabolismo e fisiologias diferentes. Para o cão sem raça, é mais difícil determinar o comportamento. Se não for compatível com o estilo de vida do dono, o animal pode ficar prejudicado”

O São Bernardo e o Malamute do Alaska, por exemplo, ficam confortáveis a 5 graus. Acima de 16 graus é uma ambiente desconfortável para eles. “No Brasil, em boa parte do ano registramos temperaturas acima de 16”, alerta o professor.  Há também o caso do cão Terra Nova e o Husky Siberiano, ambos animais de regiões frias. “Para eles, é ideal ter uma pedra bem fria – como ardósia – para que possam se resfriar”, indica.

Sintomas

Os pets desidratados por causa do calor, geralmente, vão ficar quietos, apáticos e moles. Casos extremos podem causar desmaios e precisar de internação para tomar receber um líquido parecido com soro.

“O mais importante é os donos sempre consultarem veterinários, alguém que estudou para cuidar dos animais e fazer as melhores indicações para cada um”, conclui Leonardo Boscoli.

O gato também dá sinais de calor exagerado. Ele pode ficar respirando forte e ofegante. Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay