Animais que moram nos zoológicos são muito diferentes daqueles que estão soltos na natureza. Quando ficam sob cuidados humanos, os bichos agem de um jeito especial e, às vezes, ficam menos preparados para os perigos da vida selvagem. Por isso, cientistas do Zoo de BH estão estudando o comportamento de tamanduás-bandeira que vivem por lá. Os pesquisadores estimulam os tamanduás dentro do recinto onde vivem para entender como vão responder aos incentivos.

Os cientistas promovem estímulos sensoriais de um jeito muito curioso. Colocam dentro da casinha dos tamanduás fezes de um predador feroz, que no ambiente natural, pode ser uma ameaça. Eles inserem as fezes de onças-pintadas para que tamanduás sintam o cheiro e fiquem em total alerta.

Foto: Suziane Fonseca/FPMZB

De modo geral, os tamanduás-bandeira evitam ambientes que tenham a presença de onças-pintadas e cães, e como têm uma visão e audição pouco eficientes, usam o olfato apurado para identificar a possível presença de predadores.

No Zoo de BH, os cientistas estão fazendo os testes com três fêmeas e dois machos de tamanduá-bandeira. O estímulo com fezes da onça-pintada está funcionando muito bem porque os bichos já mudaram o comportamento dentro do recinto. Segundo os especialistas, as fêmeas estão mais ativas e ficam patrulhando a casinha para verificar se não há predador por perto. Antes, se mantinham mais quietas.

Já os machos, começaram a apresentar comportamentos de marcação de território, como arranhar as estruturas do recinto e esfregar o próprio corpo contra as árvores e paredes. Os dois pararam de brigar entre si, provavelmente, para se manter em estado de alerta diante de um perigo.

Por que é interessante estimular os tamanduás-bandeira?

A pesquisa tem como foco promover o bem-estar dos animais cuidados no Zoo de BH, tendo em vista que a espécie – nativa brasileira – está ameaçada de extinção. A capacidade de se adaptar a situações estressantes são considerados bons indicativos de bem-estar animal, que é hoje uma das maiores preocupações de todas as instituições que mantêm bichos sob cuidados humanos.

Foto: Suziane Fonseca/FPMZB

O comportamento de animais silvestres sempre instigou a curiosidade de cientistas no mundo todo, que tentam compreender melhor a dinâmica no habitat natural e, assim, conseguir traçar estratégias de conservação para as espécies.

No caso dos que vivem em zoológicos, é importante estar atento ao comportamento e histórico de cada um.

A ideia dos pesquisadores é proporcionar aos tamanduás-bandeira situações de enfrentamento que ele teriam se estivesse em seu ambiente natural.

Isso pode ajudar nos estudos sobre o retorno de animais ao habitat, pois permite mapear os riscos.