Nós, humanos, dividimos espaço com seres minúsculos, que formam, a nosso redor, um ecossistema invisível.

Muitas são as pequeninas criaturas – popularmente conhecidas como micróbios ou germes – que formam tal “microfauna”. Sem que nossos olhos percebam, bactérias, fungos, protozoários e vermes relacionam-se conosco em todos os ambientes.

O convívio entre humanos e seres microscópicos é uma das coisas que a ciência estuda. Bem… Mas, se falamos de bichos invisíveis a olho nu, de que maneira foi possível descobri-los?

Segundo o professor Ricardo Toshio Fujiwara, sabemos, há muito tempo, que ambientes com mau cheiro, acúmulo de esgoto e lixo provocam doenças.

“Antigamente, todo mundo chamava isso de ‘mal aire’, ou ‘ar ruim. Tanto é que o nome da doença malária vem dessa expressão. Achava-se que os ambientes sujos transmitiam doenças, mas ninguém entendia qual era o agente transmissor”.

Até que o cientista Louis Pasteur, e outros pesquisadores de sua época, mostraram que existiam seres invisíveis, por meio do uso do microscópio, equipamento que permite ampliar e enxergar os microrganismos.

O aparelho é fruto do ajuste de duas lentes poderosas, que ajudam a mostrar o que não se vê a olho nu.

Um tempo depois, os cientistas retiraram bactérias de pessoas doentes, transferiram para animais de experimentação e observaram que os bichos também ficavam debilitados. Assim, perceberam que as causas de algumas doenças eram, justamente, os microrganismos.

Não podemos ter tanto medo desses seres microscópicos, pois convivemos bem com eles – que, aliás, nem sempre são prejudiciais.

“Há o lado bom dos microrganismos. O pão cresce por causa da presença de fungos. As bactérias fazem a fermentação em queijos, vinhos e iogurtes. Até o vírus, um organismo mínimo, pode ser usado como ferramenta para transformar células e desenvolver remédios”, explica o professor.

Bactéria ambulante

Nosso corpo é repleto de bactérias. Se a gente pudesse contá-las, veríamos que os números de sua “população” são maiores, até mesmo, que o de nossas células.

“Somos praticamente uma bactéria andando”, brinca Ricardo.

Algumas dessas bactérias estão em nossa pele para proteger; outras ficam dentro do intestino e ajudam na digestão dos alimentos.

Mas nem todo ser é tão bonzinho assim! Existem, também, os parasitos, que roubam energia de outro organismo para sobreviver, e, por isso, podem causar doenças.

O professor dá o exemplo da Salmonella, bactéria encontrada na maionese contaminada:

“Ela produz toxinas que nos fazem passar mal. Há bactérias extremamente agressivas, que entram nas secreções do pulmão e causam pneumonia. Os vírus também provocam infecções nas vias aéreas. Eles usam nosso corpo para se proliferar e, às vezes, se espalham demais”.

Prevenção

É preciso muita atenção para evitar o contato com micróbios ou germes que fazem mal. Frutas e verduras podem conter protozoários, como a giárdia, que acaba entrando em nosso intestino.

Ela gruda e destrói o músculo do intestino, chamado de “parede intestinal”. Há vermes que aproveitam a estadia no corpo humano para se alimentar do sangue, e outros que roubam os nutrientes que ingerimos.

“Vamos lavar as mãos e os alimentos, beber água filtrada ou fervida. Todas essas recomendações são mesmo as melhores soluções para ter qualidade de vida. Limpar resolve bem, pois, se eliminamos 99% de microrganismos, nosso corpo consegue combater 1% do que poderia causar doenças. O problema é se a quantidade de microrganismos for maior do que nossa resposta de defesa”, alerta o cientista.

É claro que a organização das cidades ajuda a higiene geral da população.

“Imagine o Brasil de 1920, quando menos de 5% das pessoas tinham rede de esgoto e banheiros com vaso sanitário. O ser humano infectado, ao fazer suas necessidades, libera bactérias, fungos e ovos de vermes. Se não há tratamento de esgoto, pode acontecer contaminação de rios e animais, o que ajuda a espalhar parasitos no ambiente”, explica.

Em um país tropical, com clima quente e úmido, do que, exatamente, os microrganismos precisam para se desenvolver? O Brasil funciona como uma estufa para seres invisíveis.  E quanto mais apropriado o ambiente, mais eles crescerão. As bactérias, por exemplo, multiplicam-se rapidamente.

Os vermes não se duplicam, mas cada adulto pode liberar de 20 a 200 mil ovos por dia.  Existem seres microscópicos (e invisíveis) no mundo todo – e até em ambientes extremos, como o Alasca, nos EUA. Lá, vivem organismos resistentes, os extremófilos.