Já pensou em juntar a turma da sala e construir um museu?

Alunos do ensino médio e técnico do Centro Federal de Educação tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), campus Varginha, criaram um espaço virtual para unir arte, ciência e tecnologia. Eles produziram o “Meu Museu de Bordo”, portal de acervos artísticos produzidos pelos estudantes.

O museu virtual funciona como repositório de atividades desenvolvidas na disciplina de Artes. Para gerar material foram realizadas exposições e instalações físicas que contemplam textos, edições de áudio e vídeo, curadoria e criação de narrativas estéticas. De acordo com o professor que orienta o projeto, Heverton Ferreira, atividades interativas e em grupo foram desenvolvidas para motivar a relação dos alunos com as artes, considerando que o acesso deles à museus no interior do estado é restrito.

Tudo começou quando os estudantes participaram de uma intervenção experimental, proposta pelo professor. Eles cercaram espaços do CEFET com fita crepe para que as pessoas pudessem olhar e ocupar aqueles locais de formas diferenciadas. O trabalho chamou atenção e deixou curiosos os usuários do campus. Percebendo a boa repercussão, os próprios alunos propuseram a criação de um museu virtual para fazer os trabalhos extrapolarem o ambiente escolar.

Imagem ganhadora do concurso de fotografia “Olho Vivo”. Aluna: Julia Abreu 1º Informática. O concurso foi composto de fotografias criadas a partir do tema “procurando arte”. Cada trabalho traz uma narrativa do cotidiano do artista/estudante

“A ideia veio com a preocupação dos alunos em trazer a linguagem da arte para fora do CEFET. Quando cheguei aqui o conceito de artes era silenciado, mas eles começaram a viver a arte na prática. Postei os resultados da intervenção em redes sociais e a repercussão foi grande”, conta o professor, que é recém-chegado à unidade de ensino.

Desenho com borra de café. Foto: Reprodução site www.meumuseudebordo.com

A partir daí, todo o material de artes produzido por três turmas – Edificações, Mecatrônica e Informática – virou acervo do museu virtual, sob a liderança de quatro alunos. “Começamos a reunir acervo de artes plásticas, audiovisual e fotografia. Primeiramente, o museu nasceu como uma página interna, que somente alunos do CEFET acessavam. Depois cresceu”, explica Heverton Ferreira.

Os estudantes fizeram desenhos em borra de café, concurso de fotográfica, entre outros trabalhos. Além da produção artística, tiveram que pesquisar sobre o desenvolvimento, design e manutenção do site. Com poucos recursos – como celulares, aplicativos e internet – a turma fez acontecer e hoje colhe frutos do projeto. O professor Heverton Ferreira foi convidado a aplicar a metodologia e levar as ideias de instalações a outra unidade do CEFET-MG, em Betim. O intercâmbio é resultado da boa aceitação da comunidade acadêmica ao trabalho com artes dentro de uma instituição em que predominam disciplinas técnicas.

“O maior desafio é vencer esta ideia da escola técnica em que a formação está muito voltada para o resultado, quando na verdade, a disciplina de Artes traz a noção de processo. Não quer dizer que o site e as exposições ficaram prontas e acabadas. A gente traz a ideia de processo artístico na construção de cada galeria do museu virtual. Eles aprendem a olhar, pesquisar, pensar no público. No caso da fotografia, por exemplo, conseguem vê-la muito além de um registro, mas como objeto de arte feito para refletir e provocar”, conclui o orientador.