Uma luta entre máquinas até parece cena de filme de ficção científica, mas realmente acontece nas competições de combate de robôs.

Cada vez mais populares entre os universitários no Brasil e no mundo, as lutas entre robôs são disputas nas quais duas ou mais máquinas se enfrentam em um campo de batalha. A batalha só acaba quando resta apenas um robô funcionando.

No Brasil, existem equipes de diversas universidades. Elas constroem máquinas de diferentes pesos e modelos para disputar os campeonatos nacionais e internacionais.

Nós, da equipe Minas Faz Ciência, conversamos com alguns integrantes da Equipe Uai!rrior de Robótica, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Confira a entrevista!

Uai!rrior 

 “A sensação de criar algo, projetar e ao final ver funcionando, disputando uma luta, não tem comparação” – Luana Brandão da Silva

Arquivo pessoal

Com um total de 43 membros ativos divididos em três áreas de atuação (gestão, eletrônica e mecânica), a equipe já possui história e tradição nas competições. Recentemente, conquistou três colocações na competição internacional Robogames 2018, no fim de abril, na Califórnia, Estados Unidos. O robô Beetleweight Ricota conquistou o bronze, enquanto o Federal M.T, o ouro da categoria Lightweight, e o General também ganhou o ouro, sendo o grande vencedor da categoria Middleweight. 

Atualmente, e equipe possui doze robôs de combate, um time de hockey, e mais seis robôs autônomos. Todos necessitam de peças reservas, eletrônicas, motores e, às vezes, modificações de projeto. Para Vinicius de Lima, o Peter, aluno do curso de Engenharia de Controle e Automação, “manter uma equipe do tamanho da Uai!rrior, com sua história, reputação e por se tratar de um projeto de uma universidade, é uma tarefa muito difícil”.

Outra grande dificuldade é o dinheiro. Totalmente dependentes dos patrocinadores para conseguir tirar os projetos do papel e viajar para os campeonatos, foi necessário meses tentando arrecadar financiamento “porque nossos patrocinadores são, em sua maioria, de materiais, componentes e serviços. São poucos os que contribuem com dinheiro, e uma viagem para os EUA com dez membros da equipe tem uma despesa alta”, explica a estudante de Engenharia Civil, Luana Brandão da Silva.  

Arquivo pessoal

TODOS OS INTEGRANTES SEMPRE SONHARAM EM TRABALHAR COM ROBÔS? 

 Não!! Alguns desenvolveram a curiosidade e a vontade na adolescência ou na faculdade mesmo. Luana, quando criança, queria ser veterinária. Só quando estava no ensino fundamental, que resolveu fazer Engenharia, mas ainda não sabia qual. Quando decidiu pela Engenharia Civil, optou pela Unifei para ter a chance de fazer parte da Equipe Uai!rrior. 

“Quando estava no ensino médio, conheci a equipe em uma exposição de faculdades da cidade, e foi amor à primeira vista. Fiquei conversando com o membro da equipe que estava no local, vendo vídeos, e decidi que quando entrasse na Unifei, eu entraria na Uai!rrior. Esta meta acabou se tornando um grande motivo para eu querer mais que nunca estudar unicamente na Unifei”, diz Luana.

Em Vinícius, a vontade apareceu durante a adolescência. Como sempre teve mais intimidade com as matérias de exatas, quando o assunto era qual curso prestar no vestibular ou com qual profissão gostaria de trabalhar, sempre teve a Engenharia como primeira opção. “A vontade de cursar Engenharia de Controle e Automação veio mais devido ao interesse na robótica, no dinamismo e na variedade proporcionada pelo curso, de opções em qual área seguir depois de formado”. 

O estudante Gabriel Gomes Maia, do curso de Engenharia Mecânica, desde criança era fascinado, assim como outras crianças. “É muito claro quando recebemos visita em nossa oficina ou durante algum estande que fazemos, como as crianças ficam deslumbradas por terem contato com a robótica, apesar de ainda ser algo pouco explorado por algumas.” Todo o esforço é sempre motivado por uma empatia pessoal que eles recebem, e é isso que mantém a equipe sempre ativa e sempre buscando melhorar. 

Arquivo pessoal

DICAS DOS CONSTRUTORES 

Com a robótica, é possível desenvolver conhecimentos matemáticos e físicos, ver a aplicação e funcionamento de algo que se aprende em sala de aula, e de uma maneira emocionante.  

“É muito bom, e incrível! É possível construir robôs com peças de Lego, e até mesmo com objetos recicláveis, como recentemente fizemos em um projeto social em que projetamos com as crianças um robô com Arduíno e garrafas PET, com sensores à luz, que o faziam andar.” Luana

“Eu particularmente diria que um grande futuro lhes aguarda nesse esporte que tem crescido cada dia mais, acrescentaria também que o aprendizado com tudo que isso envolve é enorme e que tudo no final valerá a pena se elas insistirem nesse sonho. Não deixem esse sonho morrer.” Gabriel.

 “Eu tentaria incentivar a criança enxergar o lado “mágico” da robótica de forma a instigar a criança querer saber mais sobre aquilo. Diria também que o futuro é a tecnologia, que está muito presente em nossas vidas e é a mesma tecnologia que usamos nos robôs.” Vinicius