Um grupo de estudantes da Escola Estadual Padre Alfredo Kobal, de Caputira, Minas Gerais, desenvolveu um projeto inovador de bengala eletrônica para auxiliar pessoas com déficit de visão.

O trabalho foi apresentado na última edição do UFMG Jovem, no campus Pampulha da UFMG, momento em que conversamos com três representantes do projeto: Isadora Carvalho, estudante do 2º ano do ensino médio, e Wanessa Larissa Souza e Jeferson de Paula Araújo, ambos do 3º ano.

Além deles, fizeram parte do grupo os estudantes Davi Araújo Carvalho, Érica Morais Abreu, Kamila Souza Paiva, Maria José de Lima, Sandy Daiane Souza, Sara Eliza Lopes Ottonicar e Vitória Aparecida Calegar.

Isadora nos contou que estudantes de diferentes turmas se uniram após o diretor da escola promover uma mostra científica na cidade:

“Tivemos uma palestra de orientação sobre o que são trabalhos científicos e os estudantes puderam se unir para trabalhar em um projeto comum. Reunimos um grupo de amigos e pensamos em desenvolver essa bengala eletrônica. O termo déficit visual inclui não apenas as pessoas totalmente cegas, mas também aquelas com baixa visão. O trabalho foi muito importante pra gente e a amizade ficou mais forte depois da mostra científica!”, conta.

O trabalho foi selecionado dentre vários apresentados na região de Caputira e levou os estudantes a Belo Horizonte, para a mostra promovida anualmente pela UFMG.

Acessibilidade com energia sustentável

A ideia da bengala eletrônica é inovadora porque alia melhor custo-benefício com aspectos que não existem nas versões à venda no mercado, como sensores na altura da cintura e recarga por energia solar.

Wanessa conta que, a princípio, não tinham ideia de como começar o protótipo, mas queriam uma bengala que abrangesse as necessidades das pessoas com déficit visual e baixa renda.

“Vimos que era possível comprar bengalas eletrônicas pela internet, mas elas eram muito caras, de R$3 mil a R$5 mil”, conta a estudante.

A bengala eletrônica dos estudantes de Caputira

Ao longo da pesquisa, o grupo descobriu que era possível construir uma bengala similar, mas com materiais mais baratos, como PVC, que é isolante.

O primeiro protótipo custou R$126 e tinha melhorias em relação às bengalas já existentes. Além do preço mais em conta, a equipe conseguiu desenvolver uma novidade no quesito energia, conforme explica Jeferson:

“A gente acoplou à bengala um sistema de recarga com célula fotovoltaica, então, a energia é sustentável. Foi uma grande evolução do projeto e esse protótipo final tem um custo de cerca de R$300“.

Diário de bordo e futuro na pesquisa

Todo o trabalho desenvolvido pelos jovens pesquisadores está registrado em um diário de bordo coletivo, em que os participantes anotaram as etapas de estudo e desenvolvimento do protótipo da nova bengala eletrônica.

O projeto contou com a supervisão de Rosane Dornelas Pessoa Reis, professora de Ciências, e outros profissionais da escola, como Maiara Rodrigues, Sandro Luiz, Samara Ribeiro e Gabriel da Silva.

A professora Rosane nos contou que a escola investe muito em iniciação cientifica:

“Trabalhamos com a iniciação científica desde as séries iniciais até o ensino médio. Percebemos a importância de estimular os alunos para a prática da pesquisa e investigação científica. Voltar o olhar para este aspecto fez a escola evoluir não apenas em conteúdos específicos como Ciências, Biologia, Química e Física, mas também contribuindo para os estudos de forma geral, evoluindo em todos os conteúdos. Alunos que se envolvem na Iniciação Científica, apresentam desenvolvimento satisfatório em todos as disciplinas por se dedicarem mais e apresentarem maior interesse”.

O trabalho também investiu em ações de conscientização sobre a saúde dos olhos, promovendo as campanhas do Abril Marrom, mês dedicado ao diagnóstico de doenças como catarata e outras que podem levar ao déficit visual.

Logo da campanha Abril Marrom

Os estudantes destacaram a importância do projeto para a relação com os estudos e o futuro profissional:

“Antes, a gente só estudava em véspera de prova. Com os projetos, estamos aprendendo que não é assim que o conhecimento é produzido”, conta Isadora.

“Acho que mudou muito nossa maturidade e o convívio com as pessoas, aprendemos a viver melhor em sociedade. A gente hoje tem um convívio muito bom dentro do projeto e entendemos um pouco mais do mundo“, conta Jeferson.

“As relações pessoais de todo mundo foram mudando para melhor. A gente deu palestra para crianças, fomos conhecer pessoas com déficit visual e a gente viu que nem sempre damos importância às coisas que temos na nossa vida, como a visão“, conta Wanessa.

Banner com resumo do projeto da bengala eletrônica apresentado na Feira UFMG Jovem

Sobre o UFMG Jovem

O grupo de jovens pesquisadores falou com a equipe Minas Faz Ciência durante a 19ª Edição da feira UFMG Jovem de ciências e tecnologia da Educação Básica.

O colégio foi premiado como Escola Destaque na categoria Ensino Médio.

A premiação. Foto: Rosane Pessoa

O evento é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desde 1999, com a participação de escolas públicas e privadas do Estado.

O tema de 2018 foi Ciência, tecnologia e matemática para o bem comum.

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