De repente, bate aquele medo de algo.

O peito se comprime e a gente acaba por se sentir… sei lá, meio sem saída! Ufa! Nesses momentos de angústia, é tão bom conversar com alguém, para aliviar os pensamentos e ter a certeza de que não estamos sozinhos, né?!

Você sabia que há profissionais especializados em conversar conosco não apenas sobre nossos problemas, mas, também, acerca de nossos jeitos, gostos e alegrias? Sim! Falo dos psicólogos, homens e mulheres capazes de nos ajudar a compreender o modo como “nos constituímos em quem somos”.

Essa incrível frase é da professora Maria Ignez Costa Moreira, da Escola de Psicologia da PUC Minas, que também nos conta o seguinte: “Os seres humanos são complexos, e não podem ser compreendidos sob perspectiva única. Ou seja, é preciso considerar, de maneira articulada, as emoções, o pensamento, os modos de interação social, o desenvolvimento orgânico e o contexto cultural, social e histórico de vida das pessoas”.

Multiplicidade

Sabe o que mais eu quis saber da professora Maria Ignez? Quais seriam, afinal, as principais correntes de pensamento estudadas pelos psicólogos? A professora me confessou que tal perguntinha é danada de difícil de responder!

“Afinal, a Psicologia ‘carrega’, em suas mais diversas correntes, um aspecto interdisciplinar [quando há união de distintas ‘disciplinas’ do conhecimento], pois nasceram de diálogos profundos com a Filosofia e as Ciências Sociais, por exemplo”, comentou.

De todo modo, ela cita certas “vertentes de estudo”, como a “Psicologia Socio-histórica”, desenvolvida por um estudioso chamado Vygotsky, para quem “o ser humano é constituído nas (e constituinte das) relações sociais, culturais e históricas”. Em outras palavras: somos “sujeitos ativos”.

Já a Psicologia Comportamental, de Skinner, enxerga as ações das pessoas como “resultado dos estímulos que recebem do ambiente em que vivem”. De outro modo, a corrente “Existencial-humanista” considera o indivíduo como um ser de liberdade e responsabilidade frente à existência. “O ser humano busca sentido para a vida e para sua condição de finitude”, comenta Maria Ignez.

Por fim, precisamos falar da Psicanálise, área desenvolvida por Freud, Lacan e outros pensadores – e considerada uma perspectiva distinta dos estudos da área. “Apesar disso, ela já foi bastante incorporada pela Psicologia, que passa a considerar a dimensão do inconsciente”, completa.

Mil e uma atuações

Regulamentada como profissão – pela lei 4.119, de 27 de agosto de 1962 –, a Psicologia atua de diversas maneiras! Confira cada uma delas, segundo informações da professora Maria Ignez Costa Moreira:

  • Psicologia Clínica: campo clássico, afirmou-se nos consultórios, mas buscou se “democratizar”, para que os profissionais integrassem os serviços públicos de saúde. Hoje, no Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde) inclui psicólogos em sua rede. Tal vertente ajuda as pessoas a se conhecer melhor, para enfrentar os muitos desafios da vida cotidiana.
  • Psicologia do Trabalho: inicialmente, se ocupava da seleção e do treinamento de pessoal nas empresas, prática que permanece ativa. Com os anos, porém, foi acrescida de outra vertente, que se ocupa da saúde do trabalhador.
  • Psicologia Educacional/Escolar: diz respeito às relações em espaços escolares e de aprendizagem. Contribui para a socialização de crianças e adolescentes, e para a formação de professores e professoras. Age, ainda, contra as formas de violência no contexto escolar.
  • Psicologia Jurídica: os psicólogos e psicólogas também têm sido incluídos nos ambientes jurídicos, a exemplo da “Vara de Família”, para atendimento ou auxílio em processos de adoção, guarda compartilhada etc.
  • Psicologia Hospitalar: os hospitais são outro campo de trabalho de psicólogos e psicólogas, que integram equipes diversas, que precisam lidar com o enfrentamento de doenças, o que geral muitos problemas emocionais, tanto dos doentes quanto de seus familiares.
  • Psicologia Social: outro campo clássico, refere-se aos contextos coletivos, pois buscam apoiar o fortalecimento dos vínculos sociais, comunitários e familiares de pessoas em condição de precariedade material e simbólica.
  • Psicologia do Esporte: diversos clubes de futebol, vôlei etc. contratam psicólogos para preparo emocional de seus atletas, das diárias atividades coletivas às competições regulares.