Já imaginou usar água da chuva para produzir energia elétrica em casa? Estudantes do ensino médio de uma escola pública de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, pensaram nisso e desenvolveram o protótipo de um sistema de captação e reservatório de águas pluviais. Além de tudo, o dispositivo trata a água armazenada para uso doméstico. O trabalho foi um dos 67 apresentados na Feira UFMG Jovem, realizada na Praça de Serviços do campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais, que terminou no sábado.

Rayane, Lara e Flávio, estudantes da Escola Estadual Professor Carlos Lúcio de Assis, em Betim.

 

“A água captada pelas calhas cai direto num cano que tem uma grade, na extremidade, para não cair sujeira. A água desce, cai na hélice e gira o eixo do motor, que gera energia”, explica Rayane Moreira de Souza, 17, aluna da Escola Estadual Professor Carlos Lúcio de Assis.

 

 

Protótipo do sistema de captação e reservatório de águas pluviais. Fotos: Alessandra Ribeiro/Minas Faz Ciência

O projeto nasceu com o objetivo de gerar economia para o consumidor. Com o protótipo, os estudantes concluíram que o reaproveitamento de água da chuva é eficiente na produção de hidroeletricidade: três litros geraram de 0,3 a 0,6 volts.  “A instalação é fácil, só puxar uma tomada em casa. A partir dos próprios eletrodomésticos, a máquina de lavar, por exemplo, é possível fazer um motor gerador”, garante Lara Luiza Paulino, 18, outra integrante do grupo.

Também foram estudadas alternativas para viabilizar o uso doméstico da água da chuva, que pode estar contaminada por microorganismos e substâncias poluentes. “Existem muitas formas de tratar a água. Nós estudamos o tratamento natural, por exemplo, com o uso plantas. Inicialmente, pensamos em usar o cloro”, revela Flávio Adriano Gomes da Silva, 17, que teve a ideia inicial do projeto. Os resultados do experimento demonstraram que, para o uso doméstico, o cloro teria a melhor relação custo-benefício.

A professora de Ciências Biológicas Rosemeire Magalhães, orientadora dos estudantes, conta que eles já estão envolvidos no aprimoramento do protótipo e na instalação em uma residência. “Eu trabalho da seguinte forma: pergunto o que eles querem fazer, então, a ideia surge deles. Fica mais fácil quando fazem algo que gostam”, ensina. Ela conta que já são dois anos desenvolvendo iniciativas semelhantes na escola. “Começou com a modificação da nossa feira de ciências, que passou a ser feira de iniciação científica. Nós também trazemos os alunos a outras feiras, para que tenham motivação”, conta.

Acessibilidade a um clique

Estudantes da Escola Estadual Padre Alfredo Kobal, em Caputira, na Zona da Mata de Minas Gerais – instituição reconhecida como destaque na UFMG Jovem – apresentaram um protótipo de automação residencial para pessoas com deficiência e idosos. O sistema combina uma placa de controle chamada Arduino (que permite a automação de projetos eletrônicos e robóticos) e um aplicativo disponível para smartphones e notebooks. “É um sistema simples, que qualquer casa pode ter, e ficou por menos de 120 reais”, revela Maria Vitória Pedrozo, 18.

“Tudo é comandado a partir do aplicativo. Para as pessoas que têm dificuldade de mobilidade, pensamos em atender a necessidades como acender e apagar a luz do quarto. No caso de pessoas com deficiência visual, o comando de voz daria acesso a todas as funções eletrônicas da casa”, resume Isabelle Lemos Moreira, 17.

No estande da UFMG Jovem, o grupo apresentou o modelo de uma casa construída de acordo com as especificações da Norma Brasileira de Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (NBR 9050). “O espaço é todo adaptado para a pessoa que tem deficiência visual e o cadeirante”, observa Tayline Daniela Reis de Lima, 18.

Maria Vitória, Isabelle e Tayline, da Escola Estadual Padre Alfredo Kobal.

UFMG Jovem

Em sua 19ª Edição, a UFMG Jovem é uma feira de ciências e tecnologia da Educação Básica, promovida pela Universidade Federal de Minas Gerais desde 1999, com a participação de escolas públicas e privadas do Estado. Em 2018, o tema em destaque foi Ciência, tecnologia e matemática para o bem comum ( confira os projetos premiados). Ao longo desta semana, o site Minas Faz Ciência Infantil apresenta outros trabalhos que participaram da mostra.